terça-feira, 28 de março de 2017
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Assumir é Carácter
"Errar é humano" é expressão por todos nós mais que ouvida e conhecida. Usada sobretudo para desculpar erros nossos ou daqueles que nos são próximos, pode levar-nos a não assumir o erro. Assumi-lo é carácter.
Se errar é humano, é preciso que se torne divinamente assumido para ser oportunidade de aprender. A tragédia acontece mais pelo não
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Olhares Cruzados
Um menino nasceu. Estranhamente recusado entre os seus familiares, tendo em conta que São José era originário de Belém, foi numa gruta que que viu a luz do mundo, o mundo que era seu.
Foi o silêncio da gruta, o silêncio do coração de sua mãe, a escuridão da noite e o brilho da alma e do olhar de Nossa Senhora, se aperceberam da Luz do Mundo que nascia. Almas emocionadas a de S. José e de Nossa Senhora vertiam lágrimas de alegria e gratidão pela misericórdia de Deus, que se manifestava. Parecia um sonho. Verdade que era um sonho, uma esperança de séculos de história e de vidas de um Povo.
Um "sonho" que faz acordar para a realidade. O menino chora, tem fome. E o Menino é Deus. De alma cheia de emoção, Maria alimenta com seu leite materno o filho que é seu e que é de Deus, o filho que que é Deus, que nasceu não para ser filho para Maria mas para toda a humanidade.
Deus Pai pôs nas mãos de Maria a salvação de todos e de cada um de nós. Deus, fazendo-se quase nada, habitou no meio de nós para que possamos nós ser tudo, vivendo Nele. É assim o infinito amor de Deus.
Maria tinha essa certeza, a de que era portadora de Deus na infinitude dos seus dons. Vemo-la cheia de graça, de lágrimas de alegria por ser escolhida por Deus, mas não lhe medimos as dores, as orações ou as lágrimas provocadas por uma espada de dor que lhe trespassou a alma ao longo de toda a vida. Basta pensar na dor de lhe ser recusada hospedagem, cidade de Belém, a dor de não poder dar um aconchego "digno" ao filho que nascia, que é Deus (mas a gruta de Belém era o mais digno, pois foi esse que Ele escolheu e quis). Espada que deixou de ferir apenas no momento da sua Assunção, e no encontro absoluto e pleno na Santíssima Trindade.
Olhemos Maria, na gruta de Belém, ternamente emudecida ao olhar o Deus alimentar-se do seu peito. Olhemos os olhares do Menino e dEla, cruzados numa total entrega: Ele, Deus, confiando-se totalmente nas mãos dEla, e Ela, Mãe humilde, sentindo que por si só nada pode, confiando-se absolutamente a si mesma nas mãos dEle, porque Ela é Mãe e filha de Deus. E nós estamos nas suas mãos também.
(8 de janeiro 2017 - Epifania)
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Não Tenhas Medo
Ele, São José, é, sem dúvida, um homem fora de
série, não deixando de pensar que muitos outros há, nenhum como, ele é claro.
Noivo de uma jovem bela, nem ele
sabia o quanto, sem qualquer mancha que lhe pudesse apontar a mais pequena
culpa. Um dia percebe que Ela está grávida. Ele não entende, não pode ser, mas
está. Ele é um Homem, um Homem de verdade, um Homem justo. Não compreende, não
sabe como, não sabe porquê, mas também não pode expor a mulher que ama, não
pode condenar, não há nada em que possa apontar.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Um Deus Obediente
Em tempos de Natal talvez valha a pena parar um pouco e pensar no valor que estamos a dar ao mistério que celebramos. Deus, sem deixar de o ser, fez-se um de nós para nos tornar seus, resgatando-nos a preço de sangue, o sangue de Seu Filho, o seu sangue.
Por termos, dois dedos de capacidade e inteligência, dom de Deus, arvoramo-nos a ousadia e o direito de nos colocarmos no lugar de Deus, sem perceber o quanto Ele manifestou de entrega de Si mesmo,
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Perfeita Criatura
11:11
conceição, criatura, demónio, Deus, diabo, Imaculada, Maria, Nossa Senhora, perfeita
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Especial? Sem dúvida, muito especial. Com liberdade? Sem dúvida com toda a liberdade dos filhos de Deus. Uma vez que sem o olhar da fé não descortinamos mais que aquilo que veem os nossos olhos, é preciso olhar com o sentido de Deus para entrar um pouquinho no mistério da Conceição Imaculada de Maria.
Tinha que ser, não podia ser de outra forma. Aliás, Deus não pactua
terça-feira, 11 de outubro de 2016
E DEUS DISSE: OBRIGADO
O trecho do
Evangelho que foi posto à nossa reflexão, no passado domingo, 09 outubro 2016,
deixou em mim um pensamento que me tem afluído à mente e que me leva a partilhar uma breve reflexão.
Algures,
entre a Galileia e a Samaria, em certa povoação onde Jesus ia entrar, vieram ao
seu encontro 10 leprosos, que se mantiveram a distância, invocando para eles a
sua a Misericórdia. Foram curados e um deles, apenas um, um samaritano, voltou
para agradecer. Jesus ficou sentido pela falta de gratidão dos outros, que não
se dignaram, voltar para dar Glória a Deus.
Este mesmo
Jesus que aqui reage, perante a ingratidão, é o mesmo que nos diz que o que
fazemos deve ser feito por amor, com total gratuidade e sem esperar qualquer
recompensa.
Porquê esta
atitude de Jesus? Tendo em conta a intensidade com que Deus espera, deseja e
quer que vivamos unidos a Ele, em comunhão de vida plena, porque nos criou para
Si. Tendo em conta o facto de nos ter dado o seu Filho, que sofreu os horrores da
Paixão, ao ponto de jamais ter havido ou poder haver sofrimento semelhante ao Seu,
e de estar completamente desfigurado, sendo tratado como um verme; tendo em
conta o facto de o sofrimento de um pai, de uma mãe, ser mais insuportável num
filho que amam, do que em si mesmos; tendo em conta que tudo aconteceu para
recuperar para a vida a humanidade, mais, para me recuperar a mim para essa
vida, para que não acontecesse, a não ser por opção pessoal, um indizível sofrimento
pleno e eterno; tendo em conta isso e muito mais, cabe-me pensar que, não precisando
Deus da minha gratidão para aumentar ou intensificar a sua Glória, porque Ele é
a Plenitude, acredito que, no seu infinito Amor e misericordiosa Humildade, é
Ele que me diz a mim: “Obrigado”. Obrigado porque nesta manhã elevaste o teu
pensamento para Mim; obrigado pelo sorriso com que disseste bom dia ao teu
filho; obrigado porque Me deste um pedaço de pão, porque Eu estava naquele sem
abrigo; obrigado porque pediste a Minha força; obrigado porque pensaste em Mim,
abandonado, no Sacrário; obrigado porque foste à missa; obrigado porque Me
disseste obrigado pelo alimento que te dei; obrigado porque a Glória que Me
deste te aproxima de Mim.
É tão
intenso o “Tenho sede" que Jesus disse na Cruz, porque manifesta a sede
que Deus tem de nós, que se Ele se torna infinitamente grato pelo mais pequeno
pensamento meu que Lhe dê Glória, Porque Deus me (nos) quer a viver em vida
plena, e um pequeno gesto vivido segundo a sua Vontade é um grande passo dado
por mim para a Vida Nele.
Porquê,
então, a reação de Jesus? Por um lado, para nos manifestar que a fé, a
gratidão, se vivem a partir de dentro, do coração. Foi um estrangeiro que
voltou para agradecer, não um judeu. Por outro lado, Deus quer a minha gratidão,
não, não me estou a contradizer, e ela é absolutamente necessária na minha relação
com Ele, porque é sinal de que há comunhão entre nós e é também caminho para
que ela se intensifique cada vez mais. Vamos pensar como Jesus terá pensado:
gente ingrata, esta, que honra Deus com os lábios e cumprimento exterior mas
não adere de coração; incapazes de reconhecer a ação e a graça de Deus em suas
vidas, vivem como se fossem os senhores da vida e se tudo estivesse nas suas
mãos; gente longe de Deus a percorrer caminho de perdição.
A gratidão
é querida por Deus porque faz bem não a Ele, mas a quem é realmente grato. É
atitude que aproxima a criatura do Criador. A gratidão faz melhor a quem agradece
que a quem se é grato. A tristeza de Jesus advém do facto de aqueles doentes
curados não terem sabido aproveitar o facto e o momento para se aproximarem de
Deus.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Terrível Mancha
Criados à imagem e semelhança de Deus. Vamos lá refletir
um pouquinho sobre isso mesmo e tentar, humanamente, perceber tal graça. Sempre
com a absoluta certeza de que a Palavra de Deus é verdadeira e eficaz. Verdade
também, é o facto de que é humanamente, e para humanos, escritas, por isso
mesmo colhendo em si todas as limitações de texto e contexto.
Imagem e semelhança de Deus… Isso mesmo,
carregados de liberdade e amor. Liberdade que nos leva a escolher o que é bom e
amor que é capacidade de entrega de si mesmo ao outro.
Depois de ter preparado o mundo, um belo jardim, criou o ser humano, homem e mulher. Criou-os cheios de graça, de vida, porque sem manha de pecado original. Essa deve-se a à origem da humanidade, porque as primeiras pessoas (seres humanos) cederam à tentação do demónio. Ele, orgulhos do poder e beleza que Deus lhe tinha concedido (era um Anjo), sentiu inveja da criatura que seria imagem e semelhança de Deus. Precipitado nas trevas infernais, porque a ausência de Deus é verdadeiro inferno, quis arrastar consigo a humanidade, destruindo assim o plano criador de Deus.
Projetou no íntimo da liberdade humana o malfadada ideia de querer ser como Deus. É exatamente essa marca que continua patente em nós. Aquilo que queria para ele, e que o precipitou nas trevas, incutiu-o em nós arrastando-nos consigo, provocando a perda da graça e a consequente expulsão do jardim belo para nós criado.
Pensemos que tínhamos tudo, toda a Graça de
Deus, a plena felicidade por participação da Sua imagem e semelhança. Numa
ideia: quisemos apoderar-nos e ter como nosso aquilo que, de facto tínhamos,
mas como dom de Deus.
A obra da criação, pela nossa desobediência, estava irremediavelmente manchada e todas as criaturas a sofrer as consequências porque geradas por criaturas manchadas.
Mas o demónio não vence, não vencerá. Deus estabelece uma nova criação. Por graça extraordinária e perfeito dom de Deus Maria é concebida sem essa marca, essa mancha. É concebida cheia de graça, verdadeira imagem de Deus. Em consequência, também Jesus, filho de Maria (sem pecado original) e do próprio Deus, é nova criatura. Ambos com liberdade e capacidade para querer ser como Deus, fizeram-se servos, pondo Deus acima de todas as coisa em suas vidas. Aliás, pondo unicamente Deus como razão de seu viver.
Em virtude desta nova criação, participando da Vida de Deus, por Jesus, Seu Filho, tornámo-nos filhos. Filhos, não cheios de graça, porque marcado pelo pecado das origens, mas com graça e capacitados para caminhar, para o Eterno Jardim, por participação na Graça de Jesus.
Não por nós, que pecadores somos, mas por Ele, que se oferece em Graça e permanece em nós, e atraídos e guiados por Maria, a Mãe que, querendo nós, faz caminho conosco.
A ação do demónio continua, mas não nos atinge mortalmente se a nossa confiança de mantém na Divina Misericórdia.









