terça-feira, 1 de maio de 2018

Especial Para Deus

Quanto medo e quantas maquinações de mal nascem quando uma criança, ainda que na sua inocência diga que quer ser padre! Se na adolescência ou na juventude alguém assim se manifesta, tornam-se mais severas tais maquinações por parte daqueles que se deixam ser instrumentos do Mal, assim como os medos dos pais que, tornando-se pequeninos não veem além do medo e perdem a o olhar da grandeza do dom e da graça que é vocação sacerdotal de um filho seu. Não perde, porque Deus nada deixaria perder a quem Lhe consagra um filho.

O sacerdote é escolhido por Deus, é eleito, não por mérito ou valor seu, mas por puro dom de Deus, para integrar a porção mais dignificante da sua vinha. Não há, repito, não há estado mais dignificante para o ser humano, como o ser humano, como este de ser escolhido pelo próprio Deus para ser dispensador dos seus dons e graças. Porque é especial para Deus, porque e Ele é consagrado, o sacerdócio é também a realidade mais odiada, mais perseguida, a mais atacada pelas forças do mal, que atuam no mundo subtil ou claramente.

Só a força da oração e a confiante certeza da permanente graça de Deus, a que se aliam os frutos do ministério, embora não sendo seus mas de Deus, dão ao sacerdote a força e o ânimo para caminhar. "Bem-aventurados sereis quando vos insultarem, e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, pois é grande nos céus a vossa recompensa" (Mt 5,11-12).

É verdadeiramente dom, graça, e felicidade que o sacerdote se sinta despojado de si mesmo e, no meio dos seus muitos pecados, se saiba amado e instrumento de Deus para Ele realize a Salvação. Saber que, quando atua in persona Christi (na pessoa de Cristo) são suas as palavras e os gestos, mas que é do próprio Deus a ação e a força que têm! Saber que a Graça passa por si, que Deus se faz realmente presente quando pronuncia as palavras da Consagração, que Deus se faz perdão, quando pronuncia as palavras da Absolvição!

Porque a graça é dom gratuito, ela é oferecida não apenas ao sacerdote, àquele que diz "sim" ao chamamento, mas à família que disse o seu "sim", na consagração de um filho, como também à comunidade que o ajuda a crescer. Naturalmente a graça atua tanto quanto a abertura que se tem a ela. Se conhecêssemos o Dom de Deus!!!                                                                                          (22-4-18)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Açao de Deus


Somos batizados e queremos o batismo para os nossos. Talvez não percebamos muito bem porquê nem para quê, mas que queremos, queremos. Mais, ainda, queremos que no funeral seja celebrada missa, ainda que ao longo da vida ela tenha sido arredada dos afazeres do defunto.

O Papa Francisco dizia, há dias, que era preciso batizar as crianças para que o Espírito Santo entre em suas vidas e atue nelas. Esta expressão tem bem mais que se lhe diga do que aquilo que no primeiro momento possamos pensar: o Espírito Santo atua independentemente da nossa ação. Quanto aos frutos dessa ação, esses sim, dependem da nossa aceitação e atuação.

A vocação, o chamamento, à vida sacerdotal, e estamos em Semana de Vocações, é um estado, não uma profissão. Como o ser cristão, é uma forma de viver e de ser. Deus quer que a sua ação no mundo e na história aconteça através de pessoas, não de Anjos. Por isso escolheu homens e mulheres por quem atua e realiza a Salvação.

O sacerdócio ministerial é apenas exercido por homens. Esse é o ponto que menos interessa nesta reflexão. Importa pensar que Deus atua através do sacerdote. Queiramos ou não, atua. Seja o sacerdote muito ou pouco pecador (ninguém é pouco), Deus atua por ele. A Graça e os frutos dessa ação de Deus dependem do sacerdote, sem dúvida que sim, mas os seus efeitos dependem essencialmente daqueles sobre, em função de quem, atua.

Entenda-se, assim, que a oração, o ânimo que procura dar-se, pelo sacerdote frutifica nele mas atua, de imediato, sobre quem reza e anima, e sobre a comunidade. O sacerdote não atua em função de si mesmo, é instrumento de Deus para que Ele atue sobre a humanidade e, particularmente, sobre as comunidades que ao sacerdote foram confiadas.

Não se julgue que quando se pede oração pelos sacerdotes é em função dele. Não, é em função da Igreja, para glória de Deus e bem das almas. Assim também, quando, por mal, se diz e faz alguma coisa aos sacerdotes, está a cortar-se a ação de Deus sobre a comunidade que por eles são servidas. Não estou a defender os sacerdotes, estou a tentar fazer perceber o que perdem e ganham as nossas almas.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Vida Oprimida


O sol estava tão bonito! É verdade que fazia um bocadinho de frio, mas que me interessava isso? A porta estava aberta, puseram a fechadura alta e eu não lhe chego para a abrir, saí de pés descalços, porque é assim  que  gosto de andar. Não percebo porquê, mas já me tinham vestido uma camisola que me deixa a perecer uma tartaruga e me faz sentir parvo. Aproveitei e fui fazer um xixizito alí junto de uma árvore. Continuar a ler AQUI

terça-feira, 3 de abril de 2018

MORREU PARA VIVERMOS (Páscoa)

Os três últimos dias haviam sido dolorosos, muitos dolorosos, tanto que, humanamente, não é possível perceber o quanto. Mas o importante é que Deus tenha "contabilizado" e sentido o quanto houve de entrega naquela morte, como tinha havido já em vida.

Nada poderia dar razões para uma restea de ânimo. Só a Esperança de Mãe e Filho, conhecedores de Deus e da missão a que eram chamados, puderam manter a esperança da humanidade. Tudo estava, humanamente, perdido. Mas havia Neles, que se tinham entregue plenamente á vontade do Pai, a certeza de que tudo estava, divinamente, ganho.

O jogo continua. O maligno adversário sabe que perderá definitivamente a batalha final, por isso se arrasta num esforço descomunal, por marcar o mais possível. A vitória não será nossa, sim de Deus. Mas o prémio será entregue em nossas mãos porque a derrota foi assumida por Jesus, mas Ele é Deus e Deus não perde nunca porque o Mal não tem poder sobre Ele.

E o prémio já está em nossas mãos, guardado em nossa liberdade. Ele morreu para vivermos nós. A nós é dado escolher entre a Vida e a Morte, sabendo que não cegaremos à Ressurreição se não passarmos pela cruz, não chegaremos à vida se não passarmos pela morte de nós mesmos, entregando a vida, vivendo-a segundo a vontade de Deus.

Cristo ressuscitou. Está ressuscitado e é assim que precisamos vê-lO. É, no entanto, ilusório pensarmos que O descobriremos, de facto, se não nos deixarmos atrair por Ele na cruz. Aí se manifesta e aí, só aí, veremos o seu Amor. Ainda que sem pensar dizemos o que sentimos ao afirmar "O Cristo antigo já passou, o de agora é moderno". Cristo não muda, ainda que queiramos fazê-lO à nossa maneira.

VIVER PARA MORRER (Quaresma)

Os tempos são difíceis, as exigências do mundo mais que muitas. Não temos disponibilidade interior para o sofrimento ou a contrariedade. É por isso, porque não queremos dispor do prazer e gosto pessoal, que aceitamos, e defendemos a morte dos outros, ainda que sejam crianças inocentes.

Não abdicamos do prazer e gosto pessoal que aceitamos e defendemos a eutanásia, para levar á morte os que sofrem, ainda que eles queiram viver.

Não geramos filhos para que não sofram, sobretudo para que nos não façam sofrer, razões também pelas quais queremos acabar com os doentes e idosos. As razões são fáceis de encontrar: não queremos perder um momento de gozo e prazer de nossa própria vida, ainda que não esteja nas nossas mãos e num momento termine.

É Mãe. Teve um, apenas um, Filho. Um e outro tinham plena consciência do sofrimento e dores a que eram chamados. Disseram Sim, abdicando de si mesmos para, até ao limite da vida, se entregarem pelos outros, por todos, pela humanidade.

Foi criada, a Mãe, para gerar o Filho. Foi gerado, sob condição mortal, o Filho para dar a sua vida, morrendo para si mesmo, para que possamos nós viver.

Vivemos, muitos de nós, esta vida, apenas pensando no que dela, momentaneamente, podemos desfrutar porque, dizemos, a morte não é senão o fim. Viveram-na Eles, Maria e Jesus, apenas pensando no que dela podiam dar para que, eternamente, nós possamos desfrutar da glória de Deus porque, sabemos, a morte não é senão passagem para a Vida, vida que não vai mais acabar porque é eterna. Eles viveram para que nós possamos Viver.

Nós vivemos esta vida terrena para dela desfrutar como se fosse um momento, mas para por ela subirmos e caminharmos para Deus, a Vida, a única que tem sentido e sentido dá ao que agora somos chamados a ser e a viver.

O caminho é um, um só, o da cruz. Por ser cruz não é só dor e sofrimento, muito pelo contrário, é o que dá razão de ser à dor e sofrimento que acontecem nesta vida, humana, bela, cheia de alegrias e graças. A cruz é escada e ponte para do nada que somos chegarmos ao tudo que somos chamados a ser. Não passar por ela, recusando-a, é caminho fácil para a Morte a que somos tentados.

terça-feira, 6 de março de 2018

FÉ DE VENDILHÕES

Tudo vivemos a meio termo. Ainda que nem todos o façam, a maioria sim, é assim que vive nesta sociedade descafeinada, que se delicia com uma coisa que não é café, nem deixa de o ser; que bebe água mas com sabor a limão, ou com pós do aroma de uma outra qualquer fruta; onde se afirmam e aqueles que não são nem homens nem mulheres e que, como pessoas, dificilmente serão alguma coisa na vida; que veste de casaco os cães e deixa morrer de frio e fome milhões de pessoas; que se diz cristã, católica, mas não praticante; que se queixa porque está dia de inverno e se não lembra de milhões que, por causa da guerra, vivem verdadeiro inferno; que nada  quer com Deus, além daquilo que, muitas vezes por mesquinhas razões, exige dele, para si, como se Deus fosse a todos devedor e mau pagador.

O cheiro a vómito sai da "caneta" de São João, no Apocalipse: " Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca" (Ap 3,16). A sentença recai sobre a humanidade morna, na certeza de que ela é cada um de nós, que não é nem deixa de ser de Deus, e porque assim é, não deixa de ser um "não" ao Deus Criador, que nos quer ativos. Ser bom não e não fazer mal, mas fazer o bem.

Somos light em praticamente tudo. Não o somos, garantidamente, nas nossas ideias, nas nossas lutas, porque dessas fazemos forte finca-pé, tendo razão pelo simples facto de serem nossas as ideias e as lutas, e os outros não podem muito mais que concordar connosco.

Encontramos Jesus a "deitar por terra" os sonhos e ganhos daqueles que vendiam no Templo. O zelo pela casa de Deus fê-lO explodir diante dos que, a diversos pretextos, se aproveitavam da fé das gentes. Não são vendilhões aqueles que vendem, somo-lo nós, aqueles que nos deixamos vender na hipocrisia da fé que dizemos ter; somo-lo nós que vivemos uma relação com Deus na base do "dever - haver", sendo que Deus é o devedor e nós os credores que tudo Lhe exigimos sem nada Lhe dar; ; somo-lo nós que nos calamos diante do desfazer do mundo em guerras atrozes, como se nada tivéssemos a ver ou a fazer por eles. Se mais nada houver que façamos, ao menos ofereçamos os nossos sacrifícios, a nossa oração e conversão por eles e pela paz.

Por quê as minhas guerrinhas pessoais, quando o mundo está em estado de guerra? (03-03-18)

quinta-feira, 1 de março de 2018

Via Sacra

Via Sacra
 AQUI

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Limpando o Pó

Devagar, muito devagarinho e sem que alguém se dê conta. Percebe-se quando a luz do sol bate de feição, ou quando um dedo passa e a passagem deixa marca. O pó, esse permanente infiltrado, a exigir que frequentemente se passe o pano, se se quer que não se acumule e entranhe de vez a deixar marca não de pó mas de real sujidade. Pó não é imundície mas nela pode transformar-se.

"Não tenho pecados" é expressão  de adolescente que, sem nada fazer, garante à mãe que "a prateleira não té pó". Estamos em Quaresma, e não ter pecados é o caminho mais seguro e certo para que as falhas, os "pequenos" pecados se vão acumulando na alma e ainda que se não transformem e imundície de pecado grave, abrem-lhe caminho e estendem-lhe a passadeira por forma a que possa entrar tranquilamente e a instalar-se na alma e na vida sem ser notado.

O pó cria habituação, não se vê, e quando nele se vive até o asseio mete impressão. O corpo adapta-se e a mente vai-lhe no encalço. Claro que se fica com a sensação, certa, de que os demais não se adaptam àquele que é o nosso pó, o nosso lixo, o que leva a que nos vamos isolando no nosso mundo e fechando-nos num ambiente se sujidade onde crescem vermes que corroem e nos impedem de ver o bem e a harmonia do que está realmente limpo.

O pecado cria habituação, não se vê, e quando nele se vive até a santidade mete impressão. Corpo e mente adaptam-se e a alma retorce-se de inquietação interior, porque não se adapta, o Espírito geme interiormente e move a pessoa para o bem, confiando-a à sua liberdade pessoal para que possa optar pelo pecado ou pela Graça.

O pecado, ainda que leve, vai fragilizando a ação da graça que Deus oferece e derrama sobre cada um de seus filhos, e o mal grassa sempre mais na vida do pecador. Naturalmente, a vida não é feita só de pecados, também momentos bons, frutos do acolhimento dos dons de Deus. Esses são momentos de graça que destroem o mal que se vem impondo. Diria que são panos que limpam o pó do pecado instalado na alma e na vida.

Sejam mais os momentos, as ocasiões, purificadores, mas não fique por fazer uma limpeza geral, sempre que se sinta ser necessária, para que o "pó" não ofusque o brilho da alma.