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sábado, 15 de julho de 2017

Ser Homem, Ser Mulher

Dão fruto, as sementes, conforme a qualidade que têm, a qualidade do terreno onde semeadas forem, e o cuidado a ter com o terreno e com as sementes. Não é novidade nenhuma que assim seja, que se colhe o futuro do que se semeia.

A notícia saiu nestes dias: no Metro de Londres os avisos já aos serão dados a "ladies and gentlemen" (senhoras e senhores) mas a "Hello Everyone" (Olá a todos). Porquê? Para que a saudação seja de género

terça-feira, 16 de maio de 2017

Jesus, uma Autoestrada


Mais que um simples caminho diria que Jesus é uma verdadeira autoestrada por onde circulam nossos corações, como se de automóveis vermelhos se tratasse. 

Estrada   ------------------------

Autoestrada
Separadores centrais e protetores laterais Automóvel
Saídas
Postos de abastecimento
Combustível
Restaurantes
Placas de trânsito

Carro fraco em bom caminho chega longe, mesmo devagar; carro bom em caminho mau pode não chegar a lado nenhum, se o caminho o não permitir. 

“Caminho”, via rápida, única, sem buracos, lombas ou cruzamentos. Controle de velocidade mínima e máxima.

Com separadores centrais e barras laterais, protetores que geram confiança nos que nelas passam e ajudam na condução segura. Seguindo as regras avança com segurança, sem risco de perda ou acidente. 

Os excessos de velocidade, o não cumprimento das regras de trânsito, levam a que separadores e protetores sejam barreiras que provocam acidentes e mortes. 

Caminho com um único sentido, o sentido inverso faz-se por vias opostas. Não se passa “automaticamente” de um para outro. 

É preciso sair e voltar a entrar. Prestar atenção máxima às indicações, para não perder a entrada, o sentido a tomar e a saída desejada no destino. 

A existência de postos de abastecimento a espaços regulares para que os veículos possam ser abastecidos rolar sem percalços e paragens desnecessárias por falha de combustível. Pneus calibrados mantêm adequada aderência à estrada. 

Áreas de descanso permitem relaxamento de músculos, alívio do sono e stress gerado pela velocidades, pelo cuidado a ter na condução, pelo cansaço que gera irritabilidade e torna mais perigosa a condução. 

Porque são longas as distâncias, é preciso que de espaços a espaços haja lugares e momentos para recuperar forças físicas através de uma refeição, momento de os ocupantes do veículo, e da mesma estrada, se olharem olhos nos olhos e partilharem risos, alegrias e dores, encantos e desencantos.

Não deve pôr-se a caminho um automóvel com danos internos de motor, e sem todos os óleos, necessários e líquidos de sistemas de arrefecimento, sem garantias de poder vir a chegar ao fim da viagem. Por mais polida e encerada que esteja a chapa, se o motor não for observado, cuidado, reparado, por um bom mecânico, de um momento para o outro gripa e toda a viagem se perde. Só um automóvel bem cuidado, ainda que riscado e amolgado chegará ao fim da longa viagem. 

Pode conduzir-se na faixa da direita, ainda que seja proibido, mas não fazer-se no meio da autoestrada, os separadores centrais estão lá e não nos deixam fazê-lo. Ou vamos num sentido ou vamos no outro.

É caminho, que não vai a lado nenhum, fica estático, para ser percorrido.

“Eu sou o Caminho”, é a resposta de Jesus à pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho? (Jo 14,5). Em 1Pedro 2,6-8 lemos: “Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». (…) Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». (note-se que é liturgia da Palavra do V Domingo Pascal do Ano A).

E jeito de paráfrase comparativa


Jesus   ---------------------------

Caminho
Pedra de confiança e de tropeço
Coração 
Conversão 
Sacramentos 
Oração 
Eucaristia 
Palavra de Deus 

Questionadas algumas crianças sobre o que é mais importante para chegar longe, se um bom caminho se um bom carro, a resposta foi direta e sem hesitação: o caminho. 

Jesus não se compadece com meias medidas: Quem não O preferir a tudo o mais, não é digno de ser seu discípulo. 

Pedra angular, escolhida, preciosa, única para garantir que se chega a bom porto, sendo que o lugar em vista é a eternidade, no Céu. “Quem nela puser a sua confiança não será confundido”, segue no caminho certo. 

“Pedra de tropeço e pedra de escândalo” para os incrédulos. Porque não acreditaram na sua Palavra. A Palavra ajuda a discernir entre o bem e o mal, a vida e a morte. 

Quem não é por Jesus é contra Ele. “Quem não está comigo está contra mim; e quem não junta comigo, dispersa” (Lc 11,23).

A Conversão, a mudança de sentido dado à vida , acontece na meditação, na descoberta do Pai, no abandona das vias do pecado e no acolhimento da vida da Graça. 

Caminhar em Jesus exige paragens momentos regulares de frequência dos sacramentos para que não esmoreça a fé e não se deixe vencer pelo desânimo. A oração pessoal é elo que mantém a pessoa em comunhão relacional com Deus. 

A meditação, o silêncio, o retirar-se do dos afazeres constantes, do stress e dos barulhos interiores, levam a uma tomada de consciência de que estamos em Deus, fonte segura de tranquilidade e paz. 

A Eucaristia, o entrar no Mistério da paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, vivida na união de toda a comunidade e na comunhão do Corpo e Sangue de Jesus, é fundamento sem a qual não há vida. Quem crê não caminha só, fá-lo em comunhão de vida com os outros que percorrem o mesmo caminho. 

Um coração desesperado, um coração que não esteja envolto e lubrificado com a força do Espírito, com a certeza do Amor de Deus, não consegue caminhar. Se envolvido no egoísmo do pecado, por mais que brilhem os óleos de beleza corporais, por mais que se cuide da imagem exterior, é coração que estoura porque lhe falta a vida. Só a Misericórdia Divina garante que uma vida, mesmo escurecida pelo pecado, levará o Homem à alegria plena no fim ddesta caminhada na terra. 

Pode seguir-se o mal, ainda que não aconselhável, mas não pode andar-se com Jesus e contra Ele. Está lá o “Sim, sim; não não” (Mt 5,37). Por isso é que não há católicos “não praticantes”.

É caminho que caminha com o caminhante e com ele faz caminhada.

16-5-2017

domingo, 14 de maio de 2017

Temos Mãe!

Um "Temos Mãe!" repetido e emocionante do Papa Francisco na homilia deste dia 13 de maio, pode ser a base para o desenvolvimento do temas da Semana da Vida, a decorrer de hoje até ao próximo domingo. O tema é "Com Maria Cuidar da Alegria da Vida". Não há vida sem que haja uma mãe. Vivendo num tempo de profunda cultura de morte, somos desafiados a encontrar em Nossa Senhora os motivos e as razões para sentir alegria por em viver. Nascemos para viver. Se a morte do corpo faz parte da condição humana, a vida em eternidade faz parte da condição divina de que, pelo Batismo, participamos. 
Parece termos medo de viver e por isso, com diabólica ligeireza praticamos a morte, fazendo passar a ideia de que nela há bondade e bem. Tornamos legar a morte, a começar no aborto, julgando poder ilibar esse que é o mais graves dos crimes da culpa que lhe é inerente, sem nos consciencializarmos de que são de morte para nós as consequências da morte que causamos, particularmente aos inocentes.
Em Maria aprendemos a ser filhos, mães e esposas. Porque a vida humana é dom, um dom inviolável, o dom maior e mais belo que qualquer criatura pode ter e por que anseia, dom divino que razão nenhuma pode justificadamente destruir.
"Temos Mãe!". É belo e profundo o sentimento que estas duas palavras, quando entendidas, nos transmitem. "Ainda que uma mãe possa esquecer o filho que amamenta? (...) Ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esqueceria", é Palavra de Deus em Isaías 49,15. Porque se fez Homem, Deus teve uma Mãe. Essa mesma Mãe que, no momento da morte na Cruz, Ele nos deu, elevando-nos à condição de nos tornarmos "filhos da Mãe de Deus". Temos realmente Mãe, Mãe com letra grande, a mais excelsa de todas as criaturas. Se temos uma Mãe que é Mãe de Deus, temos uma Mãe que nos atrai, nos guia, nos aponta o caminho do Pai, de Deus e da sua Glória. Temos Mãe!" ou seja: "Temos Vida". Porquê continuarmos e a desperdiçá-la, a destruí-la, a perdê-la? É tão belo viver! E viver eternamente...

domingo, 23 de abril de 2017

Pastorinhos da Misericórdia

O domingo é, hoje (23-04-2017), de Pascoela. Este, o domingo depois da Páscoa, é Domingo da Misericórdia. Instituído por S. João Paulo II reforça o sentido e a certeza do Amor Misericordioso de Deus pela humanidade a atrai para Ele cada um de nós humanos. A hora da morte de Jesus (as 3 da tarde) é hora da Misericórdia, porque esse é momento de morte para Jesus, momento em que "abdica" de si mesmo e se confia nas mãos do Pai levando ao extremo o seu Amor, para que o seu aniquilamento fosse vida, momento de início de eternidade para nós.

Temos medo, repugna-nos o falar de sofrimento, de entrega de "perder a vida" porque o mundo nos ensina que temos que a ganhar a todo o custo. Somos cristãos e acreditamos que a Vida verda-deira a recebemos como dom e na medida em que confiamos esta, que é terrena, nas mãos de Deus, por seu Filho. Ele morreu por nós e vivendo  Nele a nossa vida torna-se Vida Divina. Só morre quem pelo caminho da morte optar.

Olhando os Pastorinhos de Fátima aprendemos  que, porque deixaram de viver para si mesmos, eles estão no Céu desfrutando da Vida plena, essa que não tem fim, essa que é total e absoluta. Vemos neles o coração misericordioso de Deus. A Jacinta, disposta a viver mais tempo para "sofrer mais pela conversão dos pecadores" acolheu uma vida de sofrimento pondo-o todo nas mãos de Deus, para que a vida que vivia fosse ato de entrega não de si, mas dos que ofendem a Deus. Era tal o seu amor para com os pecadores, e o desejo de que não se condenassem, que a curta vida que viveu neste mundo foi plena e agradável a Deus, não por ser de sofrimento, mas por ser de entrega total. O Francisco o pequeno gigante da contemplação viveu a sua, também  curta, vida terrena num ato total de reparação, de "consolar a Deus Nosso senhor", fazendo tudo, amando tudo, tanto quanto podia, por amor a Deus "que já está muito ofendido". 

Vamos sentir e dizer que a Jacinta ama Deus e os pecadores, querendo que estes não se percam, e o Francisco ama os pecadores e Deus, querendo que Este seja amado e glorificado porque é Deus e porque toda a glória lhe pertence.

domingo, 9 de abril de 2017

Não Ofendam Mais

Hoje o domingo é de "Ramos na Paixão do Senhor". Podemos não nos dar conta, mas falar de paixão é falar de sofrimento, de dor, de morte. Habituados que estamos a viver as coisas muito superficialmente, não é com facilidade que conseguimos entrar um pouquinho no mistério do sofrimento de Jesus. Não entramos no facto de todo o seu sofrimentos, em entrega de vida, ter acontecido por nós, por mim, para nos libertar das consequências do pecado, a morte eterna. Ele recuperou-nos para a vida.

"Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido". Este é mais um pedido, uma súplica, de Nossa Senhora, na aparição de setembro em Fátima. Quanto cresceram em ofensas em quantidade e gravidade! Consta que morreríamos de pavor se pudéssemos contemplar, ver, as ofensas com que cada um de nós ofende o infinito Amor de Deus, nós que somos cristãos e muitos dos quais ousam dizer "não tenho pecados". Pensemos nos pecados da humanidade e no quão facilmente nos identificamos com eles.

Para glória de Deus, bem nosso e da humanidade, à urgência de conversão, para não ofendermos mais a Deus, acresce a urgente reparação pelo pecado, o nosso e o de toda a humanidade. É com este apelo que se marca o início das Aparições em Fátima. Na 3ª aparição do Anjo ele reza com os Pastorinhos: "Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores". E o Anjo continuou, depois de lhes dar a comunhão: "Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolei o vosso Deus".

A semana que iniciamos é de profunda meditação e tomada de consciência da necessidade de glorificar Deus, e de Lhe confiarmos a vida, nos sacrifícios que tem, tornando-Lha agradável. Entregar-se a Deus, no sacrifício e na oração, nunca é demais. É preciso fazê-lo por nós, e por aqueles que o não fazem.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quem Vive Não Morrerá

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?” (Jo 11,25-26) As afirmações e a pergunta de Jesus fazem parte do diálogo com Marta, por ocasião da ressurreição de Lázaro.

No profeta Ezequiel lemos: “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar…” (Ez 37,12). Professamos, no Credo, a fé na descida de Jesus à mansão dos mortos. O pecado tinha reduzido o ser humano à condição de condenado à morte, uma morte eterna, cortando-lhe a possibilidade de total comunhão com Deus, a possibilidade da eternidade no Céu, para a qual havia sido criado.

A ação de Deus, na entrega do Filho para reverter a situação do Homem, altera o rumo que este escolhera ao optar pela rejeição do Criador na original tentação demoníaca.

A oferta que Jesus, o Homem-Deus, faz de si, da sua vontade, da sua vida, ao Pai recupera a humanidade para a vida junto de Deus, deixando no ser humano a opção de escolha. Entre o bem e o mal, a vida e a morte, a decisão está nas suas (nossas) mãos.

“Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá”. Na morte de Jesus cumpre-se a profecia de Ezequiel e torna-se clara a sua afirmação à Marta, em Betânia. No morrer do corpo a alma entra na morte. Entenda-se por morte da alma, porque o é, o estado de ausência de Deus. Sendo que a alma não morre, “vivia” em estado de morte porque longe de Deus, uma vez que não tinha lugar junto Dele, em consequência do pecado. Ao morrer, Jesus entrou na morte, na “mansão dos mortos”, mas porque é Deus abriu as portas de saída e, ao ressuscitar, retirou dela todas as almas que, tendo vivido em comunhão com Deus, esperavam o momento da redenção para serem elevadas ao céu. “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar”. Aconteceu: um Homem-Deus entrou na morte e o mesmo Homem-Deus venceu-a ressurgindo dela. A morte foi vencida, satanás perdeu. Por isso tanto se afadiga por, na recuperada liberdade dos seres humanos, os atrair a si.

“E todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Porquê? Porque as portas da morte estão fechadas para aqueles que acreditam e vivem em Jesus. Continuam abertas para aqueles que, conhecendo Deus, O recusam nesta vida terrena, que é “sala de espera” da eternidade. Compreende-se assim, que a morte do corpo seja passagem para Deus. O corpo morre mas a alma “nunca morrerá” porque não entra na “mansão dos mortos”, o seu lugar é nas “moradas eternas de Deus”.

Questionamo-nos sobre o Purgatório. Sem ser morte da alma, é uma experiência de morte, porque, tendo já visto Deus em todo o seu Esplendor, ela se vê apartada Dele, mas por um “tempo determinado” – uso a palavra tempo para me poder exprimir – e tendo já a certeza da vida em Deus.

Porque a Vida é absoluta vivência de comunhão de Amor. Já a morte, por seu lado, é absoluta falta de esperança e pleno desespero, absoluta falta de amor e plena vivência de ódio, absoluta falta de relação de comunhão e plena solidão. 

J. B. 04-04-2017

sábado, 1 de abril de 2017

Nascer é Graça

"A desgraça foi ter nascido". Ouvi há dias a expressão, que me fez pensar e me leva a crer que é realmente assim que algumas pessoas, levadas por determinadas situações, veem a vida. Não posso levar a peito o conteúdo das palavras porque refletem geralmente uma visão  sofredora da vida.

Olhar o nascimento como desgraça leva ver a vida como uma realidade sem graça. Não se percebe o dom que ela é, e o quanto Deus pôs de amor ao conceder-nos a vida e ao chamar-nos a viver.

terça-feira, 28 de março de 2017

Próximos do Fim

Os tempos correm. Parece que cada vez mais, no avanço da idade, os anos se tornam mais curtos. São apenas 40 dias. Começou a contagem há pouco tempo e temo-los quase passados.
A Quaresma é tempo que Deus nos dá para abrirmos os olhos e olharmos com olhos de ver o passado que fomos, o presente que

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Assumir é Carácter

"Errar é humano" é expressão por todos nós mais que ouvida e conhecida. Usada sobretudo para desculpar erros nossos ou daqueles que nos são próximos, pode levar-nos a não assumir o erro. Assumi-lo é carácter. 

Se errar é humano, é preciso que se torne divinamente assumido para ser oportunidade de aprender. A tragédia acontece mais pelo não

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Olhares Cruzados

Um menino nasceu. Estranhamente recusado entre os seus familiares, tendo em conta que São José era originário de Belém, foi numa gruta que que viu a luz do mundo, o mundo que era seu. 

Foi o silêncio da gruta, o silêncio do coração de sua mãe, a escuridão da noite e o brilho da alma e do olhar de Nossa Senhora, se aperceberam da Luz do Mundo que nascia. Almas emocionadas a de S. José e de Nossa Senhora vertiam lágrimas de alegria e gratidão pela misericórdia de Deus, que se manifestava. Parecia um sonho. Verdade que era um sonho, uma esperança de séculos de história e de vidas de um Povo.

Um "sonho" que faz acordar para a realidade. O menino chora, tem fome. E o Menino é Deus. De alma cheia de emoção, Maria alimenta com seu leite materno o filho que é seu e que é de Deus, o filho que que é Deus, que nasceu não para ser filho para Maria mas para toda a humanidade. 

Deus Pai pôs nas mãos de Maria a salvação de todos e de cada um de nós. Deus, fazendo-se quase nada, habitou no meio de nós para que possamos nós ser tudo, vivendo Nele. É assim o infinito amor de Deus.

Maria tinha essa certeza, a de que era portadora de Deus na infinitude dos seus dons. Vemo-la cheia de graça, de lágrimas de alegria por ser escolhida por Deus, mas não lhe medimos as dores, as orações ou as lágrimas provocadas por uma espada de dor que lhe trespassou a alma ao longo de toda a vida. Basta pensar na dor de lhe  ser recusada hospedagem, cidade de Belém, a dor de não poder dar um aconchego "digno" ao filho que nascia, que é Deus (mas a gruta de Belém era o mais digno, pois foi esse que Ele escolheu e quis). Espada que deixou de ferir apenas no momento da sua Assunção, e no encontro absoluto e pleno na Santíssima Trindade.

Olhemos Maria, na gruta de Belém, ternamente emudecida ao olhar o Deus alimentar-se do seu peito. Olhemos os olhares do Menino e dEla, cruzados numa total entrega: Ele, Deus, confiando-se totalmente nas mãos dEla, e Ela, Mãe humilde, sentindo que por si só nada pode, confiando-se absolutamente a si mesma nas mãos dEle, porque Ela é Mãe e filha de Deus. E nós estamos nas suas mãos também.
(8 de janeiro 2017 - Epifania)