terça-feira, 28 de março de 2017

Próximos do Fim

Os tempos correm. Parece que cada vez mais, no avanço da idade, os anos se tornam mais curtos. São apenas 40 dias. Começou a contagem há pouco tempo e temo-los quase passados.
A Quaresma é tempo que Deus nos dá para abrirmos os olhos e olharmos com olhos de ver o passado que fomos, o presente que
somos e o futuro que queremos ser.
Rever o passado, nos compromissos e propósitos que fizemos com Deus, com os outros e conosco, a começar pelo Batismo. Rever o modo como os vivemos para tomar consciência do que estamos a ser hoje, da real situação do que estamos a fazer da vida, no presente, e dos caminho que estamos a percorrer rumo ao futuro. 

Há mais uma certeza a ter em conta: o que sou reflete-se e condiciona o que os outros, que comigo contactam, serão. Particularmente os filhos seguirão os passos dos pais.

Que busco, que quero no meu dia de amanhã, no meu futuro? Ser feliz, será certamente a resposta mais óbvia. Que felicidade? Aquela que assenta no gozar a vida  e gozar com a vida desfrutando de todas as experiências e materialidade que ela me proporciona? Ter tudo, poder tudo, como se à minha volta não houvesse mais ninguém, como se eu tivesse que ser super, estar acima de todos para ser tudo? Uma felicidade que num instante se esgota porque nunca o conseguirei e porque se esgotará muito antes da minha morte, se não, além dela não passa.

Há uma proposta de felicidade bem diferente: aquela que me leva a olhar-me a mim, aos outros, e ao mundo com o olhar de Jesus. Uma felicidade que parte de dentro de mim, não daquilo que fora de mim existe e que, mais tarde ou mais cedo, mostrará ser ilusão. Uma felicidade que me leva a viver na simplicidade humilde do ser pouco e do ter pouco. Uma felicidade que não morre com a crise económica, com o medo do dia de amanhã ou com o medo de nunca ser grande na vida. Uma felicidade que nem a morte pode matar, porque vem de dentro, da alma, e a alma encontra Deus, felicidade única, plena e verdadeira. 

O caminho é escolha minha. O fim da Quaresma está próximo, o da vida terrena, da felicidade passageira, pode estar também. 

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