sábado, 19 de agosto de 2017

Acordo Necessário

Tiro e Sidónia são duas bonitas cidades a sul do Líbano, nas margens do Mediterrâneo, bem próximas do atual Estado de Israel. Também por aí Jesus passou anunciando a proximidade do Reino de Deus.

Uma cananea, sendo que Cananeus e Judeus eram figadais inimigos, vem atrás de Jesus a gritar pedindo que cure a sua filha "cruelmente atormentada por um demónio". Jesus atende-a porque os discípulos insistem que o faça, porque ela não se calava.

A reação de Jesus não foi propriamente a mais acolhedora (os Judeus tratavam os inimigos por cães). A mulher não se ofendeu e deu "luta" retribuindo com uma atitude de acordo com Jesus: "É verdade, Senhor...". Apresenta-se a Jesus com toda a humildade, mas com profunda fé e confiança. Não quis tudo, não exigiu de Deus. Pediu "migalhas", um pedacinho só. Consciente de que não era do seu povo, pediu pouco. Recebeu tudo.

Jesus foi "vencido". Porque lhe encontrou muita fé, fez-se como ela desejava. Deus é assim mesmo, dá tudo e dá-se todo a quem, com fé, a Ele se confia e pede um pouquinho. É assim mesmo a oração. Orar é estar de acordo com Deus. Queiramos ou não, Ele tem sempre razão e tudo conhece, por isso, se "desfaz" apenas no que é bom e no que é melhor. Deus deixa-se vencer por pouco e com pouco, contanto que estejamos de acordo com Ele na sua vontade.

Pode, por outro lado, ser bom o que queremos e pode Deus querê-lo também e, no entanto, não o conceder se não lho pedimos. Como lho pediremos se não pararmos em oração?

Claro que Deus sabe o que precisamos e queremos, mas não faz por fazer, quer a nossa tomada de consciência de que precisamos e Dele dependemos. Deus é altamente cavalheiro: cria em nós o desejo de Si, mas não se impõe, entra em nossa casa e em nós se for convidado e se Lhe forem abertas as portas em atitude de acolhimento. Orar é isso mesmo: querer o que Deus quer, acolhê-Lo em nós e apresentar a nossa vontade à Sua, para que ambas se tornem uma apenas.

                                                                                                                19 agosto 2017


                                                                                               

sábado, 12 de agosto de 2017

Vida de Glória

De forma "ligeira" vamos até ao Livro dos Génesis para percebermos que a morte é consequência do pecado (Cap 2,17). Para aqueles que acreditam em Deus, o Deus verdadeiro, há "três" vidas e uma ou duas mortes. Não, não falo de reencarnação, essa não acontece. Falo 1) de vida humana, que tem um começo e um fim; 2) de vida espiritual, que tem um começo (somos corpo e alma), mas não tem fim; 3) de vida divina, que tem um começo, no Batismo, e pode ter um fim, se acontecer a condenação. Esta, a condenação, é terrível e, ela sim, é a consequência do pecado. Além de terrível é eterna. O Livro do Apocalipse, no capítulo 20, fala de uma primeira e de uma segunda morte, de uma primeira e de uma segunda ressurreição.

Na próxima terça feira, dia 15 (agosto 2015), celebramos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu. Nela não aconteceu o pecado, por isso não aconteceu a morte. O seu corpo, terminado o "tempo físico", foi, glorioso, elevado ao Céu.

Este é o fim a que somos chamados: a vida na Glória, com Deus. O pecado faz parte intrínseca de cada um de nós, nascemos com o pecado, a que chamamos de original. Por ocasião da morte do nosso corpo, seremos julgados e a alma será levada para a Glória, para a Purificação ou para a condenação, consoante o que buscámos ao longo da nossa existência terrena.

Acontece que somos corpo e alma e Jesus salvou tudo em nós, não apenas a alma. No Credo professamos acreditar que Jesus há de voltar para julgar os vivos e os mortos e professamos também acreditar na ressurreição da carne. Quer dizer que haverá um segundo julgamento. A alma unir-se-á ao corpo espiritual e, em julgamento final, será dada à pessoa (corpo e alma) a Vida ou a Morte. Esta será a segunda morte ou a segunda Ressurreição de que fala o Apocalipse.

Maria foi concebida, Imaculada, para dar Deus à humanidade e assim, por seu intermédio, aconteceu a nossa salvação. Agora, do Céu, Ela nos atrai e chama para  dar a Humanidade a Deus. Ela é um "encurtar caminho", porque é Mãe,  para chegar a Jesus e, por Ele, ao Pai.
Percebemos por que a invocamos de Senhora da Boa Morte. Porque nos atrai a uma santa morte, do corpo, em Deus, para que Nele haja Vida de Glória para nós.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Um Burro Inteiro


São João Maria Vianney, nascido em 1786, no sul de França, foi um grande santo, mas intelectualmente era um estudante muito fraco. Em determinada ocasião,no seminário, de onde foi mandado embora, por não conseguir aprender,  o responsável disse-lhe: “João, os professores não o consideram apto para a sagrada ordenação ao sacerdócio. Alguns chamam-lhe ‘burro que nada sabe de teologia’. Como podemos promovê-lo ao sacramento da Ordem?”.

A resposta que São João Maria Vianney lhe deu tornou-se célebre: “Monsenhor, Sansão matou cem filisteus (foram mil, ver Livro dos Juízes 15,15-17) com a queixada de um burro. O que acha que Deus poderia fazer com um burro inteiro?”.    

Esta é a verdadeira confiança em Deus. São vários os aspetos a considerar: o sentir-se pequenino diante de Deus (um burro inteiro); a confiança de que Deus atua, também, nos fracos; e a mais importante: a obra e a ação são de Deus, não nossas. É Ele que opera em nós e através de nós (O que acha que Deus poderia fazer...).

Naturalmente, é de profunda importância o canal por onde passa a graça. Não passa graça o canal que não está em graça. O sacerdote é, por natureza do seu chamamento, canal "especial" de graça de Deus para a humanidade. A graça não depende dele mas poderemos dizer que a a "quantidade", a "qualidade" e a "eficácia" da graça dependem do seu estado de fidelidade. Quando digo que é canal "especial" é porque é chamado e enviado por Deus, atuando in persona Christi (na pessoa de Cristo), na administração dos sacramentos, particularmente nos da Eucaristia e da Penitência. Não são seus, nem obra sua, mas sem eles, os sacerdotes, estes sacramentos não acontecem.

Se a ação da graça de Deus depende, em certa medida, do canal por onde passa, ela depende essencialmente de quem a recebe. Aqui sim,  ainda que Deus derrame toda a graça, ainda que os canais sejam os mais perfeitos, se o recetor não estiver em ato de acolhimento, tal ação é nula. Porque batizados, todos somos recetores e canais da graça para os outros. Ela passa pela santidade de vida, não pela sabedoria da mente. Quanto Deus podia fazer se estivéssemos ao Seu dispor para que atuasse em nós e por nós!...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Já Não é Segredo

Na descrição da terceira parte do segredo revelado por Nossa Senhora, em julho, a Irmã Lúcia diz: "Depois ... vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa 
Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: Penitência, penitência, penitência." 

Ao pensarmos na Mensagem de Fátima corremos o risco de não ir mais longe que sabermos os nomes dos videntes, a data das aparições e que Nossa Senhora pediu que rezássemos o terço. Talvez nem, ao menos, o terço sejamos capazes de rezar.

Lancemos o olhar sobre o o texto inicial: um Anjo com uma espada de figo na mão a lançar chamas sobre a terra. Temos dúvidas de que é sinal de que Deus fará justiça ao mundo dando-lhe aquilo que merecemos pelo pecado em que o mundo, a humanidade, vive? A chama apagava-se no contacto com o brilho que saia as mãos de Nossa Senhora. Temos dúvidas de que é sinal de que Nossa Senhora nos está a proteger e a "segurar" a mão de Deus, dando-nos mais tempo para a conversão? Temos dúvidas de que Nossa Senhora é Mãe que protejo os filhos dos "castigos" do pai? O Anjo apontava para terra e com voz forte dizia: penitência, penitência, penitência. Temos dúvidas de o tempo que nos está a ser dado exige penitência, conversão, abandono dos caminhos do pecado? Temos dúvidas de que a repetição da palavra é sinal da gravidade da situação? Com voz forte. Temos dúvidas de que o tom de voz aponta severidade e exigência de que assim se faça? Sim Deus é um Deus Misericordioso, mas a misericórdia cumpre-se na Justiça.

Em 100 anos passados que transformação houve nos caminhos que a humanidade tem percorrido? A humanidade está a desintegrar-se cada vez mais e a sua entrega aos poderes do mal é cada vez mais claro e evidente. Deus continua a ser profundamente ultrajado. Estamos à espera de quê para mudarmos de vida e nos voltarmos para Deus, com confiança, acolhendo e aceitado as propostas de caminho que nos faz. Não, não é para termos medo, é para tomarmos consciência  da situação da humanidade e da pessoa que cada um de nós é.

sábado, 15 de julho de 2017

Ser Homem, Ser Mulher

Dão fruto, as sementes, conforme a qualidade que têm, a qualidade do terreno onde semeadas forem, e o cuidado a ter com o terreno e com as sementes. Não é novidade nenhuma que assim seja, que se colhe o futuro do que se semeia.

A notícia saiu nestes dias: no Metro de Londres os avisos já aos serão dados a "ladies and gentlemen" (senhoras e senhores) mas a "Hello Everyone" (Olá a todos). Porquê? Para que a saudação seja de género

terça-feira, 16 de maio de 2017

Jesus, uma Autoestrada


Mais que um simples caminho diria que Jesus é uma verdadeira autoestrada por onde circulam nossos corações, como se de automóveis vermelhos se tratasse. 

Estrada   ------------------------

Autoestrada
Separadores centrais e protetores laterais Automóvel
Saídas
Postos de abastecimento
Combustível
Restaurantes
Placas de trânsito

Carro fraco em bom caminho chega longe, mesmo devagar; carro bom em caminho mau pode não chegar a lado nenhum, se o caminho o não permitir. 

“Caminho”, via rápida, única, sem buracos, lombas ou cruzamentos. Controle de velocidade mínima e máxima.

Com separadores centrais e barras laterais, protetores que geram confiança nos que nelas passam e ajudam na condução segura. Seguindo as regras avança com segurança, sem risco de perda ou acidente. 

Os excessos de velocidade, o não cumprimento das regras de trânsito, levam a que separadores e protetores sejam barreiras que provocam acidentes e mortes. 

Caminho com um único sentido, o sentido inverso faz-se por vias opostas. Não se passa “automaticamente” de um para outro. 

É preciso sair e voltar a entrar. Prestar atenção máxima às indicações, para não perder a entrada, o sentido a tomar e a saída desejada no destino. 

A existência de postos de abastecimento a espaços regulares para que os veículos possam ser abastecidos rolar sem percalços e paragens desnecessárias por falha de combustível. Pneus calibrados mantêm adequada aderência à estrada. 

Áreas de descanso permitem relaxamento de músculos, alívio do sono e stress gerado pela velocidades, pelo cuidado a ter na condução, pelo cansaço que gera irritabilidade e torna mais perigosa a condução. 

Porque são longas as distâncias, é preciso que de espaços a espaços haja lugares e momentos para recuperar forças físicas através de uma refeição, momento de os ocupantes do veículo, e da mesma estrada, se olharem olhos nos olhos e partilharem risos, alegrias e dores, encantos e desencantos.

Não deve pôr-se a caminho um automóvel com danos internos de motor, e sem todos os óleos, necessários e líquidos de sistemas de arrefecimento, sem garantias de poder vir a chegar ao fim da viagem. Por mais polida e encerada que esteja a chapa, se o motor não for observado, cuidado, reparado, por um bom mecânico, de um momento para o outro gripa e toda a viagem se perde. Só um automóvel bem cuidado, ainda que riscado e amolgado chegará ao fim da longa viagem. 

Pode conduzir-se na faixa da direita, ainda que seja proibido, mas não fazer-se no meio da autoestrada, os separadores centrais estão lá e não nos deixam fazê-lo. Ou vamos num sentido ou vamos no outro.

É caminho, que não vai a lado nenhum, fica estático, para ser percorrido.

“Eu sou o Caminho”, é a resposta de Jesus à pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho? (Jo 14,5). Em 1Pedro 2,6-8 lemos: “Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». (…) Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». (note-se que é liturgia da Palavra do V Domingo Pascal do Ano A).

E jeito de paráfrase comparativa


Jesus   ---------------------------

Caminho
Pedra de confiança e de tropeço
Coração 
Conversão 
Sacramentos 
Oração 
Eucaristia 
Palavra de Deus 

Questionadas algumas crianças sobre o que é mais importante para chegar longe, se um bom caminho se um bom carro, a resposta foi direta e sem hesitação: o caminho. 

Jesus não se compadece com meias medidas: Quem não O preferir a tudo o mais, não é digno de ser seu discípulo. 

Pedra angular, escolhida, preciosa, única para garantir que se chega a bom porto, sendo que o lugar em vista é a eternidade, no Céu. “Quem nela puser a sua confiança não será confundido”, segue no caminho certo. 

“Pedra de tropeço e pedra de escândalo” para os incrédulos. Porque não acreditaram na sua Palavra. A Palavra ajuda a discernir entre o bem e o mal, a vida e a morte. 

Quem não é por Jesus é contra Ele. “Quem não está comigo está contra mim; e quem não junta comigo, dispersa” (Lc 11,23).

A Conversão, a mudança de sentido dado à vida , acontece na meditação, na descoberta do Pai, no abandona das vias do pecado e no acolhimento da vida da Graça. 

Caminhar em Jesus exige paragens momentos regulares de frequência dos sacramentos para que não esmoreça a fé e não se deixe vencer pelo desânimo. A oração pessoal é elo que mantém a pessoa em comunhão relacional com Deus. 

A meditação, o silêncio, o retirar-se do dos afazeres constantes, do stress e dos barulhos interiores, levam a uma tomada de consciência de que estamos em Deus, fonte segura de tranquilidade e paz. 

A Eucaristia, o entrar no Mistério da paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, vivida na união de toda a comunidade e na comunhão do Corpo e Sangue de Jesus, é fundamento sem a qual não há vida. Quem crê não caminha só, fá-lo em comunhão de vida com os outros que percorrem o mesmo caminho. 

Um coração desesperado, um coração que não esteja envolto e lubrificado com a força do Espírito, com a certeza do Amor de Deus, não consegue caminhar. Se envolvido no egoísmo do pecado, por mais que brilhem os óleos de beleza corporais, por mais que se cuide da imagem exterior, é coração que estoura porque lhe falta a vida. Só a Misericórdia Divina garante que uma vida, mesmo escurecida pelo pecado, levará o Homem à alegria plena no fim ddesta caminhada na terra. 

Pode seguir-se o mal, ainda que não aconselhável, mas não pode andar-se com Jesus e contra Ele. Está lá o “Sim, sim; não não” (Mt 5,37). Por isso é que não há católicos “não praticantes”.

É caminho que caminha com o caminhante e com ele faz caminhada.

16-5-2017

domingo, 14 de maio de 2017

Temos Mãe!

Um "Temos Mãe!" repetido e emocionante do Papa Francisco na homilia deste dia 13 de maio, pode ser a base para o desenvolvimento do temas da Semana da Vida, a decorrer de hoje até ao próximo domingo. O tema é "Com Maria Cuidar da Alegria da Vida". Não há vida sem que haja uma mãe. Vivendo num tempo de profunda cultura de morte, somos desafiados a encontrar em Nossa Senhora os motivos e as razões para sentir alegria por em viver. Nascemos para viver. Se a morte do corpo faz parte da condição humana, a vida em eternidade faz parte da condição divina de que, pelo Batismo, participamos. 
Parece termos medo de viver e por isso, com diabólica ligeireza praticamos a morte, fazendo passar a ideia de que nela há bondade e bem. Tornamos legar a morte, a começar no aborto, julgando poder ilibar esse que é o mais graves dos crimes da culpa que lhe é inerente, sem nos consciencializarmos de que são de morte para nós as consequências da morte que causamos, particularmente aos inocentes.
Em Maria aprendemos a ser filhos, mães e esposas. Porque a vida humana é dom, um dom inviolável, o dom maior e mais belo que qualquer criatura pode ter e por que anseia, dom divino que razão nenhuma pode justificadamente destruir.
"Temos Mãe!". É belo e profundo o sentimento que estas duas palavras, quando entendidas, nos transmitem. "Ainda que uma mãe possa esquecer o filho que amamenta? (...) Ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esqueceria", é Palavra de Deus em Isaías 49,15. Porque se fez Homem, Deus teve uma Mãe. Essa mesma Mãe que, no momento da morte na Cruz, Ele nos deu, elevando-nos à condição de nos tornarmos "filhos da Mãe de Deus". Temos realmente Mãe, Mãe com letra grande, a mais excelsa de todas as criaturas. Se temos uma Mãe que é Mãe de Deus, temos uma Mãe que nos atrai, nos guia, nos aponta o caminho do Pai, de Deus e da sua Glória. Temos Mãe!" ou seja: "Temos Vida". Porquê continuarmos e a desperdiçá-la, a destruí-la, a perdê-la? É tão belo viver! E viver eternamente...

domingo, 23 de abril de 2017

Pastorinhos da Misericórdia

O domingo é, hoje (23-04-2017), de Pascoela. Este, o domingo depois da Páscoa, é Domingo da Misericórdia. Instituído por S. João Paulo II reforça o sentido e a certeza do Amor Misericordioso de Deus pela humanidade a atrai para Ele cada um de nós humanos. A hora da morte de Jesus (as 3 da tarde) é hora da Misericórdia, porque esse é momento de morte para Jesus, momento em que "abdica" de si mesmo e se confia nas mãos do Pai levando ao extremo o seu Amor, para que o seu aniquilamento fosse vida, momento de início de eternidade para nós.

Temos medo, repugna-nos o falar de sofrimento, de entrega de "perder a vida" porque o mundo nos ensina que temos que a ganhar a todo o custo. Somos cristãos e acreditamos que a Vida verda-deira a recebemos como dom e na medida em que confiamos esta, que é terrena, nas mãos de Deus, por seu Filho. Ele morreu por nós e vivendo  Nele a nossa vida torna-se Vida Divina. Só morre quem pelo caminho da morte optar.

Olhando os Pastorinhos de Fátima aprendemos  que, porque deixaram de viver para si mesmos, eles estão no Céu desfrutando da Vida plena, essa que não tem fim, essa que é total e absoluta. Vemos neles o coração misericordioso de Deus. A Jacinta, disposta a viver mais tempo para "sofrer mais pela conversão dos pecadores" acolheu uma vida de sofrimento pondo-o todo nas mãos de Deus, para que a vida que vivia fosse ato de entrega não de si, mas dos que ofendem a Deus. Era tal o seu amor para com os pecadores, e o desejo de que não se condenassem, que a curta vida que viveu neste mundo foi plena e agradável a Deus, não por ser de sofrimento, mas por ser de entrega total. O Francisco o pequeno gigante da contemplação viveu a sua, também  curta, vida terrena num ato total de reparação, de "consolar a Deus Nosso senhor", fazendo tudo, amando tudo, tanto quanto podia, por amor a Deus "que já está muito ofendido". 

Vamos sentir e dizer que a Jacinta ama Deus e os pecadores, querendo que estes não se percam, e o Francisco ama os pecadores e Deus, querendo que Este seja amado e glorificado porque é Deus e porque toda a glória lhe pertence.