sábado, 15 de junho de 2013

Acabei com a Minha Vida (25)

Carinhosamente pousou a mão sobre a dela e sentiu-a agarrada e apertada como se aquela jovem encontrasse, finalmente, algo em que lançar âncora no mar revolto da sua vida. Mãos que falam, mas os olhares não se cruzaram. Bastava-lhe, pensou a Ninfa, sentir que tinha alguém que lhe desse a mão.  “Hi” - disse. A resposta foi um olhar fixo e mais lágrimas a correr. “My father is…” disse, parando a frase ao ver que na bolsa da Ninfa figurava...

domingo, 19 de maio de 2013

Gente Caída (24)

Caminhou em direção à estação Central do Metropolitano. Acompanhava-a a solidão, uma solidão desejada e querida. Saiu simplesmente para observar e pensar. Pelo caminho viu gente agitada e apressada, jovens barulhentos em grupo, gente cansada de trabalho, homens e mulheres  a rir, gente de gravata e ricamente vestida, homens e mulheres vestidos de trapos e despidos de dignidade. Dentro do mundo que é a cidade Nova Iorque, uma portuguesa...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pegou um Pedaço de Ar (23)

A pergunta instalou-se  e, teimosamente, foi-se-lhe aflorando ao pensamento, como se tivesse vida e não quisesse ser esquecida. Em jeito de quem exige uma resposta, insistia em não abandonar o seu pensamento. “Que estou eu a fazer da minha vida?”, era a mensagem que pesava em sua mente quando se sentou no sofá, desligou a televisão e fechou os olhos para pensar. Deslizando como fantasmas, as memórias do passado dançaram-lhe em confuso...

sábado, 20 de abril de 2013

Das Origens do Souto da Carpalhosa

Das Origens do Souto da Carpalhosa Igreja Paroquial (foto J. Baptista) De origem sempre duvidosa, É Souto de carvalho ou castanho. Uma certeza: é a Carpalhosa Que em diversas teses se emaranha. Em tempo ido, foi terra de Azenha Marginando o Chão da Laranjeira, Onde, se espera, S. Bento tenha Pão para a terra Camarneira. Relvinha verde no campo vicosa, Donde em Estremo d’ Ouro o sol reveste O Vale de Pedra, onde crescem rosas Com...

domingo, 7 de abril de 2013

Cai a Noite em Nova Iorque (22)

Cai a noite. Um dos milhares de sem-abrigo que rastejam pela vida, está ali  deitado dentro de uma caixa de papelão suja. Quando chegou transportava em si a imagem de que os Estados Unidos seriam o paraíso na terra e uma das desilusões que apanhara foi o facto de encontrar gente sem número vagueando pela noite escura dos  sem esperança, gente cheia de nada e com mil razões para nunca esboçar um sorriso. Haviam perdido o sabor...

domingo, 10 de março de 2013

Uma Lágrima Furtiva (21)

Voltou-se e viu atrás de si, um homem enorme, fardado, e percebeu uma voz que dizia “are you crazy”?. Pensou: “estou feita”.. Mas que é que foi”? Num inglês de americano zangado, o polícia manifesta bem a insensatez que ela estava a cometer ao atravessar uma passadeira com semáforo vermelho para peões. Tinha consciência de que de nada lhe valeria a pena estar a tentar explicações. Aquele homem, mal encarado e a debitar “perdigotos” da boca...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Se o Nosso Amor Permanecer... (20)

Pegou o livro e saiu tentando não ser muito agressiva nesse retirar forçado livraria onde foi procurar um livro que lhe desse umas luzes sobre o problema da bipolaridade. Queria embrenhar-se um pouco mais nessa questão, de que  ouvira falar numa das aulas quando ainda estava em Portugal. Sabia que tinha a ver com o humor de algumas pessoas que, de um momento para outro, sem ninguém perceber como nem porquê, muda radicalmente o seu proceder,...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Olhar Cheio de Luz (19)

Umas braçadas na água. A água fria arrepiou-o por momentos. Água parada num tom de cor cinzento-azulado. Muitas vezes ali havia tomado banho e naquele momento recordou muitos dos momentos de pura felicidade que as gargalhadas de criança que pareciam continuar ali perpetuando-se no tempo.  Entrou dentro da água o mais que pôde e deixou que o corpo aliviado do stress subisse à tona e amortecido ali se manteve. Os olhos fechados...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Atirou-se ao Rio (18)

Saíra de casa com ar de galhofeiro pela partida que pregara à mãe. Era feriado e por isso não tinha que ter ido trabalhar. Fez o que, desde a morte do pai, fazia, sempre que não tinha que ir trabalhar: umas saídas de casa, uns dedos de conversa com um ou outro amigo, umas cervejas frescas, que apelidava de loiras. Na conversa, com “os três jeitosos”, como lhes chamou quando os vira descambou para a má língua. Palavra puxa palavra, e...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nem ele se entendia a si mesmo (17)

Ela partira havia um pouco mais de oito dias. Desde então, ele não parecia o mesmo. No dizer de uma vizinha, aquele rapaz era muito fácil em deixar-se ir abaixo rapidamente, na tristeza, mas com qualquer boa notícia, parecia subir aos céus como se a vida não tivesse quase a obrigação de nos ir cravando na carne uns espinhos que façam lembrar o quanto se é pequeno e limitado. De um entusiasmo esfuziante passou a uma tristeza melancólica....