terça-feira, 18 de agosto de 2020

Por Maria até Deus

 


Agosto é mês dedicado a Maria, na veneração do seu Coração Imaculado, na celebração da Solenidade da Assunção a 15, e na celebração da sua realeza 22. Há em muitos cristãos um sentido temor de que o culto prestado a Maria leve ao esquecimento de Jesus. Pode isso acontecer se o culto de veneração a Maria não for reto e verdadeiro. Nesse caso sim, se se orienta a oração a Maria, por Ela mesma e se a oração se fixa Nela e não conduz a Jesus. Nesse caso tanto vale rezar como não.


No ato salvífico operado por Deus, Ele quis, por vontade e graça sua, incarnar, assumido a nossa natureza, numa união tão íntima, intensa e profunda das duas naturezas, divina e humana, que o Filho se fez homem e o homem se fez Filho. Fomos salvos por Deus, que se fez homem no seio puríssimo de Maria que, assim, se tornou Mãe de Deus.


Nossa Senhora tornou-se, pois, a porta pela qual Deus assumiu a nossa humanidade. Maria só pode ser a porta pela qual a o ser humano entra em comunhão com a divindade. Se Deus quis tê-La como meio para chegar a nós, como não iria querer tê-La como meio para chegar a Ele. Por isso, Jesus nos concedeu a graça de a tornar nossa Mãe. A Palavra de Deus é eficaz. Quando Jesus diz, do alto da cruz, “eis a tua Mãe, Ela tornou-se efetivamente Mãe da humanidade, não apenas um símbolo. Deus quis que desse vida ao seu Filho, como não havia de quer que nos desse vida a nós.


É Ela que nos salva? Não. É Jesus, mas é por Ela que nós chegamos a Jesus, como fiou por Ela que Jesus chegou a nós. Assim, entendamos que Nossa Senhora nunca nos atrai para Si, mas sempre nos aponta o seu Filho. Ora, assim sendo, todo o culto que prestamos a Nossa Senhora conduz-nos sempre, só pode ser assim, a Jesus. Não tenho dúvida de que a minha oração, a minha vida, entregue nas mãos de Jesus por Maria tem, por parte Dele, um acolhimento, uma aceitação, infinitamente maior do que se for entregue diretamente por mim. Eu não sou nada diante de Deus, completamente  indigno e de lábios impuros. Ela é Mãe, pura, santa. Se a minha oração passa por Ela, chega a Jesus, já moldada, transformada, com sentido.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Sem Medo, Com Confiança


Sem sabermos como será o nosso amanhã, porque ontem também não sabíamos como seria o hoje, com muito mais sentido temos dúvidas do como será daqui a uns meses. Isso impede-nos de programar, seja o que for, lá mais para diante. Assim é em relação à nossa vida pessoal, como o é em relação às comunidades que somos, a família,  a paróquia, a associação… Estamos como que reféns de um vírus, dos estragos que já causou, e das maquinações no sentido de o controlar a eles ou, talvez mais que isso, de controlar a humanidade.

O caos vai-se estabelecendo. Ainda que continuemos a ser injetados com mensagens de que tudo vai acabar bem, de que a “normalidade” entretanto voltará, a prática do que vemos vai-nos deixando uma mensagem diferente, a de que não está bem e que não voltaremos a ser como éramos. Vemos a consciente, ou não, incapacidade dos governantes do mundo, como dos nossos, em apaziguar os medos humanos. Caminhamos indiferentes à capacidade destruidora do  caminho que nos levam a percorrer: parece que não há guerras, milhões de crianças a morrer de fome, aborto, eutanásia, prostituição, e outras explorações, infantil, destruição da vida, pela destruição da família, igualdade de género, pais a serem julgados por não quererem para seus filhos a educação destruidora imposta pelos governantes do mundo (a ONU).

Corremos atrás das propostas e decisões dos senhores do mundo, que aceitamos, defendemos, anunciamos, esquecendo o “Tende cuidado com o fermento dos fariseus…” (Mat 16,6). Temos uma pequena perceção de que nos não dão segurança, mas… que havemos de fazer?!

Não nos apresentou palavras fáceis, concordantes com o que as multidões queriam ouvir. Apresentou-nos a cruz como caminho, o dar a vida e o morrer como certezas de eternidade. Disse-se manso e humilde de coração, mas nós gostamos de grandezas, de luzes, de aparato de ilusão. O tempo é de conversão...


sábado, 27 de junho de 2020

Quem Ama Chora de Alegria ou de Tristeza


Falar de amor é falar de entrega de si mesmo ao outro, da capacidade de viver em função do outro, daquele que ama. Compreende-se que o amor não se faz, como tantas vezes, confundindo amor com relações genitais, se diz e ouve dizer. Não se faz porque acontece no coração e no sentimento de quem o vive, e só quem o experimenta pode falar dele com verdade. O Amor não se faz, vive-se e dá-se, porque é pessoal e entrega de si mesmo.

Quem ama deveras sabe que ao dar-se completamente à pessoa amada, não perde a capacidade de amar os outros, antes a aumenta. Só o amor total leva à realização pessoal. Um amor dividido, disperso, deixará sempre insatisfação e dispersão. É assim que se compreende que o amor de um casal, como o de um padre, só pode ser total: esposos que se amam realmente não traem, não podem trair, porque todo o seu amor se orienta apenas num sentido: o marido, a esposa. Assim também, o padre, consagrando-se a Deus, não pode, se O ama de verdade, dedicar o seu amor, dispersando-o, a outras pessoas ou coisas. Compreende-se, pois, o casamento monogâmico (casar só com uma pessoa), como se compreende o celibato (o não sacar) dos padres, como entrega de si a Cristo.

Ao dedicar um total amor a Jesus Cristo, o cristão adquire uma ilimitada capacidade de amar e de se entregar aos outros, precisamente porque põe Deus em primeiro lugar. Entenda-se que o amor a Deus é o fim último da nossa capacidade de amar. Amando-o exclusivamente, se disso tivéssemos capacidade, levar-nos-ia a um profundíssimo amor às pessoas e a toda a obra criada, não em função delas próprias mas de Deus. Talvez entendamos melhor se dissermos que nosso o amor total a Deus é um amor que atravessa tudo e todos até repousar Nele. Ora, a intensidade com que se ama Deus será refletida na intensidade com que esse mesmo amor toca tudo o que Deus criou, precisamente porque Ele o criou.



terça-feira, 23 de junho de 2020

Uma Vida, um Vazio


Vivemos uma situação completamente fora daquilo a que estávamos habituados. Não sabemos até onde isto vai chegar, como será o dia de amanhã.

Vivemos a medo: uns sem medo e sem respeito, outros temerosos demais ao ponto de, penso eu, não arriscarem viver. A vida, que é vida, é um  risco. Cada  passo que damos é o  correr do risco de dar um passo em frente. Fecharmo-nos em casa, cobertos por uma manta de medo, é deixarmo-nos abafar e adoecer no mofo da falta de arejamento interior.

Sim, com cuidado e respeito por nós e pelos outros… mas é preciso abrirmos portas e coração para aquilo que nos diz alguma coisa.

Olhando as nossas celebrações, percebemos a redução para cerca de metade do que era habitual. Não é de estranhar e é para entranhar a realidade que isso manifesta. Acredito que o ficar em casa seja, em parte, medo e precaução. Compreenderia isso se acontecesse por aqueles que são “gente de risco”, mas a verdade é que são exatamente esses, os de mais idade que regressaram.

Não creio que, na grande maioria das situações, a razão de fundo para o deixar de participar passe pela precaução e o medo. Deixaram de participar os de meia idade, que ainda vinham a toque da participação dos filhos, mas esses deixaram de estar também. Não é preciso descavar muito para ir à raiz do problema e perceber qual o vírus que a ataca: a indiferença. Sim, a indiferença em relação a Deus, não digo às questões religiosas, que deixámos de ver e sentir como Pai, perdendo mo que é fundamental: a relação pessoal de nós com Ele.

Estamos perante a mais ténue das provações e já estamos a ceder em grande escala, retirando a Deus o pouco espaço que ainda Lhe dedicávamos. Como fino pó, entranha-se em nossas vidas a força que é ausência de Deus. A sujeira está aí mas ainda não a vemos porque lhe passamos um para de pó por cima, que deixa mais lixo ainda. Embora não parecendo, é muito cinzenta a vida sem Deus.



sábado, 6 de junho de 2020

Profundíssimo Mistério


Sem a solenidade diocesana que habitualmente lhe damos, celebraremos na próxima quinta Feira a “Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus”. Esta é a mais solene expressão de fé na misteriosa e insondável presença de Jesus entre nós. Fechar o olhar exterior e sentir, contemplando, a realidade presente naquele pedaço de pão consagrado facilmente leva à emoção porque Deus está ali presente, tão presente, real e verdadeiro como está no Céu, e de quem transbordam a glória e o esplendor.

Não veremos a sua Glória, pois disso somos incapacitados, porque o nada que somos é impeditivo de ver o tudo que Ele é. Não veremos a Glória, mas, porque O vimos atuar e salvar-nos em seu nascimento, vida, morte e ressurreição, perceberemos um pedaço do oceano de misericórdia que jorra de seu Divino Coração, trespassado para que todo se derramasse, até à última gota, e nele nada restasse, além de uma porta aberta (pela lança do soldado) e a  ilimitada e infinita vontade de querer nele acolher-nos. 

Vamo-nos distraindo nas radicais posições acerca de comungar na mão ou na boca, e nas inúteis discussões sobre qual dos membros é mais digno para O receber. No meio de tudo isto, é deixada de lado a necessidade que O adorarmos em “espírito e verdade”. Tem, claro que tem importância o modo exterior como comungamos (e eu prefiro dar a comunhão na boca), mas a banalização da comunhão também se vai mostrando por aí. Nas circunstâncias em que vivemos, sobretudo tendo em conta quem comunga a seguir, apelo a que se receba Jesus na mão. Custa-me, isso sim, ver sacerdotes afirmarem negar a a comunhão a alguém que se ajoelhe para a receber, como se “o seu espírito e verdade” fosse mais reto que o da pessoa que toma a atitude de O receber assim, de joelhos.

Vem aí o “Corpo de Deus”… Também a Igreja é Corpo Místico de Cristo… Vivendo a comunhão, saibamos encontrar tempos para pedir ao Senhor que nos leve a aumentar o amor para com Jesus Sacramentado, sem nos esquecermos de Lhe dar tempo para que isso aconteça, sabendo fazer silêncio no silêncio do profundo mistério da presença de Jesus na Eucaristia.


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Celebrações Pascais

Horário das celebrações diocesanas de Páscoa

Quinta feira 18:00 Missa da Ceia do Senhor
Sexta feira 15:00 Celebração da Paixão
Sábado 22:00 Missa da Vigília da Ressurreição
Domingo 10:30 Missa de Páscoa

Preside o Sr. D. António Marto - Ver AQUI

sexta-feira, 27 de março de 2020

Aos paroquianos de Monte Real e Souto da Carpalhosa


Aos paroquianos de Monte Real e Souto da Carpalhosa

O tempo e a situação que vivemos são estranhos. Nunca, entre nós terá acontecido tal situação de, para nos protegermos uns aos outros, estarmos impedidos de exercer umas das caraterísticas fundamentais do ser humano: a sociabilização. O que acontece tem que ser feito á distância, usando outros meios, não o da proximidade física.

Graças a Deus, são muitos os meios de que dispomos para comunicarmos e estarmos, assim, minimamente presentes nas vidas dos que fazem parte da nossa vida.

Alguns pontos:
1.    Sigamos as orientações que nos são dadas, permanecendo em casa, tudo fazendo para que não seja posta em risco a nossa vida nem as dos outros. Tenhamos presente que se por irresponsabilidade contaminarmos alguém com um vírus que pode causar-lhe a morte é pecado, é grave, é atentar contra a vida.
2.    Habitualmente, fazemos um tempo de adoração do Santíssimo Sacramento, via Facebook CLIQUE AQUI das 15:00 às 16:00 (todos os dias); Missa às 19:00 (segunda a sábado); Missa às 11:30 (domingo). Tendo em conta as frágeis condições de captação de imagem e som, se for possível, ligue o computador ou o telemóvel à televisão, vê-se e ouve-se melhor;
3.    Chegou-nos a informação de que em alguns sítios a imagem peregrina de Nossa Senhora continua a andar de casa em casa. Isso não deve acontecer. Nem as imagens peregrinas, nem os coros da Sagrada Família devem, neste tempo, ser passadas de cada em casa. Devem parar onde se encontram, retomando-se, depois o normal circuito de casa em casa.
4.    Na celebração da Eucaristia rezamos por todas as intenções das comunidades. Se alguém quiser que seja anunciada alguma intenção particular, deve comunicá-la atempadamente.

Não deixamos de aproveitar este tempo, esta ocasião, para repensar a vida e os valores que vivemos, procurando recentrar o que somos e vivemos.

A bênção e a graça de Deus desçam, e permaneçam, sobre cada um.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Tempos Incertos

Mais um dia de necessária clausura nestes tempos incertos. Não temos que queremos, temos o que nos é possível. A nós cristãos, fica-nos a tristeza de não podermos celebrar comunitariamente a fé, mas leva-nos a uma reflexão e tomada de consciência dos momentos de graça divina do que tivemos até aqui e não aproveitámos. Queira Deus, fique em nós uma vontade grande e firme de nos tornarmos mais próximos de Deus, percebendo que não é em nossas mãos que está a salvação.

Hoje e amanhã era, permita-se-me que diga, é o tempo das “24 horas para o Senhor”. Não o faremos diante do santíssimo Sacramento, nas igrejas, para evitar aglomeração de pessoas, mas podemos fazê-lo no silêncio de nossas casas. Estamos a apontar para fazer adoração em privado, mas com transmissão via Facebook, na medida do que nos for possível, amanhã, dia 21, no período da manhã e também no da tarde. Permitindo, assim, que cada um, possa seguir nas suas casas e fazer silêncio orante.

Agora, que temos “todo o tempo do mundo” para rezar, e ainda sobra algum para “pasmar”, deitemos as mãos na massa e construamos um futuro diferente. Depois da tempestade vem a bonança. Não podemos, no entanto, descurar que outras tempestades surgirão.