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domingo, 1 de março de 2020

O MUNDO, O DEMÓNIO E A CARNE


Estão na memória de muitos de nós os chamados “inimigos da Alma”, seja dizer-se: os inimigos da Salvação. Mundo, demónio e carne. Reportando-nos ao que nos diz a Escritura sobre o tempo de Jesus no deserto, façamos uma breve aproximação entre Jesus e estes inimigos da alma que, nós tão tranquilamente descuramos.

1.  O mundo não é mais que a mundanidade, o viver distanciados de Deus, pondo no lugar que Lhe compete as realidades mundanas, coisas e pessoas, a que tanto valor damos. Para Deus adota-se o mundo. Jesus retira-se do mundo das coisas e das pessoas, para o encontro com Deus, em retiro, no deserto;

2. Demónio: a força do mal, o príncipe do mundo, como Jesus lhe chama, que tudo faz e se serve para enganar, seduzir, desviar e afastar de Deus as pessoas e a obra da Criação divina. Discreta ou descaradamente, nos envolve e atrai, com ilusões e enganos, fazendo parecer ser bom e meritório o que realmente é mau, condenável e à condenação conduz. É tão fácil ceder que nem é preciso dar passos, tranquilamente se desliza para dentro da “cantiga” com que nos encanta. Jesus afastou-se dele, recusando-o, não cedendo, vencendo-o com a Palavra de Deus, impondo-se a Si mesmo como Senhor da sua vontade e do seu querer fazer a vontade do pai e só a Ele adorar;

3. Carne: são os prazer que se buscam pelo prazer. Nosso corpo é bom, se de equilíbrio e a harmonia se compõe. A sociedade que somos tem como princípio e pano de fundo do existir o “carpe diem” (vive, goza, a vida). Talvez mais do que nunca, nos centramos em nós, na prossecução dos nossos prazeres e tudo orientamos para a realização e o consolo pessoal. O rumo que se vai percorrendo está a orientar-se no sentido de tudo ser lícito e bom, desde que concretize os nossos, por vezes loucos, desejos. Não comemos para viver, mas por enfartar o prazer; não celebramos dentro da alegria, mas buscamos alegra-nos, no exagero do álcool e das drogas, para pensarmos que somos felizes. Jesus jejuou, consagrando o esforço do controle cada um de nós é chamado a ter de si, vivendo como senhores de nós mesmos e não, deixando-nos ser controlados pelo parecer, pelo ter, pelo poder.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Eu Sou o Mundo

Está aí um novo ano Pastoral. Recomeçam atividades, procuram-se algumas novas. Para muitos dos nossos cristãos começa a catequese, aqueles que vêm pela primeira vez, ou recomeça, para aqueles que já a frequentaram, muitos dos quais aproveitaram para fazer umas mais longas férias Deus. Sim mais longas, porque muitos, uma vez mais, as fazem ao longo de todo o ano, ou da vida, dando de si a Deus não mais que quase nada.

Bem sei que aqueles que este texto leem são, certamente, aqueles que procuram viver um pouco mais esta comunhão com Deus. A questão é que o facto de sermos batizados nos torna cooperante e membros de uma comunidade, pelo que a salvação do outro tem que me "preocupar" a mim também. Entra aqui a comunhão que é preciso viver na oração.

O sermos comunhão faz-nos ser um pouco dos outros e faz que os outros sejam um pouco de nós. Uma pequena flor perfuma uma sala como um bom cristão faz boa uma comunidade. Acontece exatamente o mesmo em sentido contrário: um mau cristão destrói toda a comunidade. Um grupo transforma-nos nele, se nos deixarmos por ele envolver. Um grupo é transformado por nós, não se nos fizermos iguais aos outros, mas na medida em que, sendo diferentes, damos fazemos que o grupo o seja também. Neste sentido, precisamos mais de transformar do que de nos deixarmos ser transformados.

Talvez sintamos que não podemos fazer muito para transformar o ambiente em que vivemos, precisamos, no entanto, de acreditar que com a nossa oração e com nossas ações de vida em comunhão levamos a que Deus transforme o que por nós não conseguimos.
É preciso não vivermos como puros independentes, numa vida alheada de tudo e de todos, sob pena de cairmos num profundo e destruidor egoísmo que vê o mundo e os outros como inimigos ou vírus.

Todos vemos no mundo, nas pessoas e na própria vida, não aquilo que eles são, mas o que nós somos, porque tudo olhamos e vemos com os "nossos olhos". Para nós, tudo se transforma naquilo que nós somos.