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terça-feira, 22 de outubro de 2019

4ª Pedrinha

O jejum é base na história da Salvação. A bíblias fala de jejuns de 1, 3, 7, 40 dias. Jesus jejuou durante 40 dias antes de dar início à sua pregação.

Falar de jejum numa sociedade demasia-do materialista e Hedonista (o prazer é o maior bem da vida) é ir de encontro a todo o tipo de barreiras. Nem mesmo nós cristãos, na grandíssima maioria, consegue encontrar motivo e motivação espiritual para a prática do jejum. O certo é que ele faz parte da nossa caminhada para Deus. Nossa Senhora, em Medugorje, apresenta-o como pedra base do caminhar para Deus.

"E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócrita ..." (Mt 6,16) é o próprio Jesus que nos fala do Jejum, dando indicações de como vivê-lo. Ele ajuda-nos a aprender a renunciar a alguma coisa. Torna-nos capazes de dizer "não", a nós mesmos. É essencialmente isto a que nos deve levar o nosso pensamento durante o jejum: tomarmos consciência de que somos chamados a renunciar a nós mesmos para nos sentirmos ser de Deus.

Jejuar de quê? Daquilo que mais me faz sentir e lembrar que vivo uma vida que recebo de Deus e que só para Ele deve ser vivida. Renunciar ao café, que se bebe com tanto gosto, durante uns dias, é alguma coisa, renunciar de hoje em diante é muito mais. Renunciar não por renunciar, mas renunciar para que, quando nos vier o desejo de o beber, possamos lembrar-me que vivemos a vida não para sentir nela o prazer pelo prazer, mas que a vivemos para dar glória a Deus. Esse é um belo momento para nos confiarmos nas mãos de Deus.

Mas Nossa Senhora ajudou a resolver a questão sobre o "jejuar de quê"? Pede jejum de tudo, ao pedir jejum a pão e água duas vezes por semana. É muito? Não, parece muito. Assim sendo, porque não fazê-lo uma vez por semana? Claro está que cada um tem que pensar em si e naqueles que o rodeiam, uma vez que cada um é livre de fazer ou não fazer, tendo em conta a sua condição, a sua fé, a sua vontade.

Custa jejuar por razões espirituais e por isso não se faz. Apresentemos nós razões de imagem do corpo ou de saúde corporal e encontraremos motivação para ele. Jejuar por razão espiritual produz efeito benéfico também corporal.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O outro lado do jejum

Já percebemos como o "tempo corre" e como, de um momento para o outro, vão chegando os tempos marcantes da vida litúrgica da Igreja. Está aí a Páscoa e com ela o tempo de preparação que lhe é inerente: a Quaresma.

A muitos não diz nada, a outros pouco mais que nada, consoante a formação e o espírito cristão de que se está marcado. Talvez a olhemos apenas como tempo  de jejum e abstinência. São tão poucos os dias a que a isso somos convidados e tão camuflados na exigência de os viver, que se diluem facilmente em desculpas e justificações para serem esquecidos.

Jejum é "comer menos", e abstinência o "não comer carne", por forma a poupar um pouco para partilhar com aqueles a quem falta o essencial para sobreviver. Ameniza-se o desagradável da questão, o não comer o quanto, ou o que, o mero prazer pede, com desculpas de que "o importante é...". 

O certo é que jejum é não comer (comer menos) e a abstinência é o não consumir aquilo que dá mais gosto e prazer. Porquê? Se for só porque sim, não tem grande resultado, se for porque se poupa para oferecer, é bom, mas se for por (e para) uma tomada de consciência de que não vivemos para comer, nem para o prazer, é muito bom e dá todo o sentido ao que possamos fazer.
O comer e o prazer fazem parte do bem viver, mas não deveriam, por motivo algum, ocupar a meta do viver nem o meio de a alcançar.

Sentir "fome" e desejo de alguma coisa que me sacie e console e dela abdicar com consciência e vontade, leva-me a pensar que sou espiritual também; filho de Deus; que Nele tenho origem e fim; que Ele se fez, para mim, caminho verdade e vida; que sou apenas uma pequena criatura a fazer caminho, atraída para a eternidade. Abdicar de mim mesmo para que Deus ocupe o centro do meu ser.

Vivendo e gozando tudo em função do tempo e da matéria que sou, limito-me completamente ao pouco tempo que viver e ao querer encher-me do engano de vida que julgo ter. Vivendo e gozando tudo em função da eternidade e da vida do Espírito de que, pelo batismo e por graça de Deus, participo, limitar-me-ei a olhar-me como dependente de Deus e dos outros para me encher de real Vida a que sou chamado e que só depende do caminho que, por livre opção, escolher.