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segunda-feira, 9 de março de 2020

Seja Domingo ou não!


Quando em Itália algumas comunidades estão impedidas de celebrar missa, numa consequência direta dos riscos de contágio de coronavírus, sendo que, onde se celebra, se aconselhe a retirada da saudação da paz (que nunca foi obrigatória, e é muito mal entendida), no domingo em que o Evangelho nos apresenta a Transfiguração de Jesus, cumpre-me fazer uma reflexão sobre a riqueza da eucaristia, cujas celebrações abundam nas nossas comunidades, sendo tão pouco aproveitadas e desperdiçando as infinitas graças que o Senhor derrama copiosamente sobre aqueles que participam e, por eles, a toda a família e comunidade de que se faz parte. 

Na eucaristia, chamemos-lhe missa, Jesus entrega-se no mesmo e único ato de amor, que é a paixão morte e ressurreição, com que, no Calvário, nos salvou. É exatamente a mesma entrega que acontece na missa. Quem ama Jesus Cristo não precisa de um mandamento que “obrigue” a ir à missa ao domingo. Quem ama Jesus Cristo não presida que seja domingo para ir á missa. Quem ama Jesus Cristo está, sempre que pode, e ainda que com esforço, onde se celebra a missa.

A reação do tipo: nada fazer para participar, ao menos ao domingo, na missa se não se celebra ao pé da porta, manifesta a exterioridade com que se vive a celebração, ainda que pareçam diferentes os sentimentos. É verdade que as distâncias dificultam a participação, sobretudo a pessoas mais idosas, sobretudo quando rodeadas de pessoas a quem a missa nada diz.

Aplicar-se-ia o provérbio “quem não tem pão come broa”, mas não o quero aplicar à realidade da missa porque, de semana ou ao domingo, ela é uma só, embora com algumas diferenças de rito. Tenha-se em conta que a missa de domingo é missa de preceito, a de semana não. Note-se, com todo o sentido também, que não se podendo participar no domingo, a missa nos outros dias da semana também é celebração do mistério Pascal.

Tendo em conta o facto de não se poder celebrar em todos os lados nos dias de domingo, saiba-se que as missas vespertinas são missas de domingo, precisamente porque, liturgicamente, o dia de Domingo se inicias ao entardecer de sábado e termina ao entardecer de domingo. Só as vespertinas são dominicais. 

Triste é podermos participar, seja em que dia for, e não o fazermos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Sinais de Deus

Pode chegar a cansar o facto de andar-mos todos os anos a falar do assunto, repetindo, naturalmente, as questões, as razões, os quês e os porquês. Cada ano a Semana dos Seminário se repete em jeito de recordação, lembrança, mas, acima de tudo, de apelo.

O problema pode não nos afetar muito, porque nos não "inclinamos" sobre ele. O Seminário é uma realidade que nos passa ao lado, na medida em que estamos alheados das preocupações que têm a ver com a nossa fé. Ainda não sentimos, de facto, as consequências da falta de sacerdotes. Até agora têm dado para as "encomendas". Assim acontece porque não é muito o que buscamos de Deus, através deste mistério ( e Ministério) inefável do sacerdócio que Jesus instituiu. 

O mais dramático não é a não necessidade de sacerdotes, o verdadeiro problema está em que não sentimos necessidade de Deus. Acreditamos bastarmo-nos a nós mesmos e, como tal, Deus acaba por ser perfeitamente descartável. Pelo menos até ao momento da dor, da angústia. Aí sim, buscamo-lO, mas numa grande percentagem das vezes, fazemo-lo para O acusarmos dos males que em nós, nos outros, e no mundo acontecem. Sobre Ele descarregamos, atirando-Lhe as culpas de tudo o que de menos bom vai sucedendo.

Há uma necessidade urgente de que nós, cristãos, percebamos o sentido de Deus em nossas vidas. Ousaria chamar para aqui o sentido político da humanidade: não está em causa que seja numeroso, sem limites, o povo de Deus; não está em causa o número de militantes que a Ele aderem para que seja a maior força de poder. Em causa está a salvação, a vida, não a de Deus porque é Ele a própria Vida, mas a nossa, aquela para que fomos criados e que podemos estar a deixar escapar na indiferença da vida que somos e vivemos. Porque a força de Deus se manifesta na fraqueza, nos mais "pobres", naqueles homens e mulheres que, por serem e se sentirem pobres de si mesmos, se deixam encher e enriquecer de Deus.

Rezar pelos seminários é ser Igreja, sinal e presença de Deus no mundo.