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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Um Burro Inteiro


São João Maria Vianney, nascido em 1786, no sul de França, foi um grande santo, mas intelectualmente era um estudante muito fraco. Em determinada ocasião,no seminário, de onde foi mandado embora, por não conseguir aprender,  o responsável disse-lhe: “João, os professores não o consideram apto para a sagrada ordenação ao sacerdócio. Alguns chamam-lhe ‘burro que nada sabe de teologia’. Como podemos promovê-lo ao sacramento da Ordem?”.

A resposta que São João Maria Vianney lhe deu tornou-se célebre: “Monsenhor, Sansão matou cem filisteus (foram mil, ver Livro dos Juízes 15,15-17) com a queixada de um burro. O que acha que Deus poderia fazer com um burro inteiro?”.    

Esta é a verdadeira confiança em Deus. São vários os aspetos a considerar: o sentir-se pequenino diante de Deus (um burro inteiro); a confiança de que Deus atua, também, nos fracos; e a mais importante: a obra e a ação são de Deus, não nossas. É Ele que opera em nós e através de nós (O que acha que Deus poderia fazer...).

Naturalmente, é de profunda importância o canal por onde passa a graça. Não passa graça o canal que não está em graça. O sacerdote é, por natureza do seu chamamento, canal "especial" de graça de Deus para a humanidade. A graça não depende dele mas poderemos dizer que a a "quantidade", a "qualidade" e a "eficácia" da graça dependem do seu estado de fidelidade. Quando digo que é canal "especial" é porque é chamado e enviado por Deus, atuando in persona Christi (na pessoa de Cristo), na administração dos sacramentos, particularmente nos da Eucaristia e da Penitência. Não são seus, nem obra sua, mas sem eles, os sacerdotes, estes sacramentos não acontecem.

Se a ação da graça de Deus depende, em certa medida, do canal por onde passa, ela depende essencialmente de quem a recebe. Aqui sim,  ainda que Deus derrame toda a graça, ainda que os canais sejam os mais perfeitos, se o recetor não estiver em ato de acolhimento, tal ação é nula. Porque batizados, todos somos recetores e canais da graça para os outros. Ela passa pela santidade de vida, não pela sabedoria da mente. Quanto Deus podia fazer se estivéssemos ao Seu dispor para que atuasse em nós e por nós!...

domingo, 23 de abril de 2017

Pastorinhos da Misericórdia

O domingo é, hoje (23-04-2017), de Pascoela. Este, o domingo depois da Páscoa, é Domingo da Misericórdia. Instituído por S. João Paulo II reforça o sentido e a certeza do Amor Misericordioso de Deus pela humanidade a atrai para Ele cada um de nós humanos. A hora da morte de Jesus (as 3 da tarde) é hora da Misericórdia, porque esse é momento de morte para Jesus, momento em que "abdica" de si mesmo e se confia nas mãos do Pai levando ao extremo o seu Amor, para que o seu aniquilamento fosse vida, momento de início de eternidade para nós.

Temos medo, repugna-nos o falar de sofrimento, de entrega de "perder a vida" porque o mundo nos ensina que temos que a ganhar a todo o custo. Somos cristãos e acreditamos que a Vida verda-deira a recebemos como dom e na medida em que confiamos esta, que é terrena, nas mãos de Deus, por seu Filho. Ele morreu por nós e vivendo  Nele a nossa vida torna-se Vida Divina. Só morre quem pelo caminho da morte optar.

Olhando os Pastorinhos de Fátima aprendemos  que, porque deixaram de viver para si mesmos, eles estão no Céu desfrutando da Vida plena, essa que não tem fim, essa que é total e absoluta. Vemos neles o coração misericordioso de Deus. A Jacinta, disposta a viver mais tempo para "sofrer mais pela conversão dos pecadores" acolheu uma vida de sofrimento pondo-o todo nas mãos de Deus, para que a vida que vivia fosse ato de entrega não de si, mas dos que ofendem a Deus. Era tal o seu amor para com os pecadores, e o desejo de que não se condenassem, que a curta vida que viveu neste mundo foi plena e agradável a Deus, não por ser de sofrimento, mas por ser de entrega total. O Francisco o pequeno gigante da contemplação viveu a sua, também  curta, vida terrena num ato total de reparação, de "consolar a Deus Nosso senhor", fazendo tudo, amando tudo, tanto quanto podia, por amor a Deus "que já está muito ofendido". 

Vamos sentir e dizer que a Jacinta ama Deus e os pecadores, querendo que estes não se percam, e o Francisco ama os pecadores e Deus, querendo que Este seja amado e glorificado porque é Deus e porque toda a glória lhe pertence.