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sábado, 6 de junho de 2020

Profundíssimo Mistério


Sem a solenidade diocesana que habitualmente lhe damos, celebraremos na próxima quinta Feira a “Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus”. Esta é a mais solene expressão de fé na misteriosa e insondável presença de Jesus entre nós. Fechar o olhar exterior e sentir, contemplando, a realidade presente naquele pedaço de pão consagrado facilmente leva à emoção porque Deus está ali presente, tão presente, real e verdadeiro como está no Céu, e de quem transbordam a glória e o esplendor.

Não veremos a sua Glória, pois disso somos incapacitados, porque o nada que somos é impeditivo de ver o tudo que Ele é. Não veremos a Glória, mas, porque O vimos atuar e salvar-nos em seu nascimento, vida, morte e ressurreição, perceberemos um pedaço do oceano de misericórdia que jorra de seu Divino Coração, trespassado para que todo se derramasse, até à última gota, e nele nada restasse, além de uma porta aberta (pela lança do soldado) e a  ilimitada e infinita vontade de querer nele acolher-nos. 

Vamo-nos distraindo nas radicais posições acerca de comungar na mão ou na boca, e nas inúteis discussões sobre qual dos membros é mais digno para O receber. No meio de tudo isto, é deixada de lado a necessidade que O adorarmos em “espírito e verdade”. Tem, claro que tem importância o modo exterior como comungamos (e eu prefiro dar a comunhão na boca), mas a banalização da comunhão também se vai mostrando por aí. Nas circunstâncias em que vivemos, sobretudo tendo em conta quem comunga a seguir, apelo a que se receba Jesus na mão. Custa-me, isso sim, ver sacerdotes afirmarem negar a a comunhão a alguém que se ajoelhe para a receber, como se “o seu espírito e verdade” fosse mais reto que o da pessoa que toma a atitude de O receber assim, de joelhos.

Vem aí o “Corpo de Deus”… Também a Igreja é Corpo Místico de Cristo… Vivendo a comunhão, saibamos encontrar tempos para pedir ao Senhor que nos leve a aumentar o amor para com Jesus Sacramentado, sem nos esquecermos de Lhe dar tempo para que isso aconteça, sabendo fazer silêncio no silêncio do profundo mistério da presença de Jesus na Eucaristia.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Admirável Mistério

É em Solenidade que a Igreja celebra o Corpo e Sangue de Cristo ("Corpo de Deus"). A sua presença é real nos sacrários das nossas igrejas, facto que nos permite habitual encontro cm Ele, mas neste dia, a próxima quinta feira, é com toda a solenidade que celebramos a sua presença no meio de nós. É com solenidade que O levamos em procissão percorrendo as ruas de algumas das nossas cidades, entre elas a de Leiria. 

Sendo grande manifestação de fé na presença real de Jesus na Eucaristia, pode ela tornar-se apenas um momento de religiosidade que encanta pela presença numerosa de fiéis. A nossa participação mede-se pela intensidade do nosso amor para com Deus, particular-mente pela sua presença na Eucaristia. o amor é a medida e a força que leva à participação e ao encontro com o Senhor. Claro está que a não participação não é, necessariamente, falta de amor, sobretudo quando há um qualquer impedimento que não nos permita estar presentes e celebrar.

Buscamos Deus, a Ele recorrendo, implorantes, querendo que faça parte de nossas vidas. Ele quer isso mesmo, mas ao seu querer te que haver o querer de cada um. Buscamos sofregamente o encontro com Ele, mas fugimos e evitamos os momentos, espaços e tempos, em que melhor se pode encontrar.
É imensamente grande o mistério da presença real de Jesus no Pão Eucarístico. Ele está tão vivo, real e verdadeiro, como está no Céu. Está sob a aparência do pão porque só a matéria pode por nós ser vista e sentida. Torna-se dificuldade para nós, mormente quando é fraca a fé, "senti-l'O" presente, mas o encontro pessoal, o diálogo íntimo e frequente, diante do sacrário levam a esse "sentir" e a uma inexplicável presença que transforma a vida.

Só este encontro pessoal pode levar e motivar a uma maior tomada de consciência da presença de Deus no mundo e em nós e da vida que acontece Nele. Só Nele descansa a nossa alma. Só nele têm sentido as vitórias e derrotas, os ânimos e desânimos, quem compõem nossas vidas.

Deixemo-nos entrar neste mistério do Amor de Deus, que quis ficar visível e  realmente presente no meio de nós. Embora a humanidade possa fazer da vida um inferno, somos felizes porque por Ele existimos e Nele vivemos.