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sábado, 26 de novembro de 2022

Jesus - Único Sentido

 A vida é uma permanente expetativa. Vivemos cada momento presente com o pensamento que há de vir, no que há de acontecer, no que será o dia de amanhã, o futuro. 

Damos, hoje, início ao Advento, que é preparação para a chegada d'Aquele que há de vir. O Natal acontecerá tanto quanto, e só na medida em que, estivermos interiormente preparados, dispostos a deixar Jesus nascer. Sim, Ele faz-se presente dentro, não fora de nós. O tê-l'O na vida fará que seja levado a quem de nós se aproximar.

É muito grande o anseio de que tudo, as coisas e as pessoas, mude. A transformação acelerada em que a nossa sociedade está submersa, mostra a necessidade que temos de transformação e mudança. Mudam-se os valores, a conceção das coisas e dos acontecimentos, passando a ser bom e normal o que era impensável que alguma vez o fosse. Esta alteração do sentido e do valor das realidades está a fazer-nos perder o caminho: buscamos algo que queremos, mas, desvirtuando a verdade das coisas e das pessoas, nunca encontraremos a verdade de nós mesmos e, assim, nunca encontraremos a satisfação que saciar-nos. Antes, quanto mais   nos desviarmos do reto caminho, mais insatisfeitos nos encontraremos e mais quereremos transformar até chegarmos a um beco sem saída e tudo, até a vida, perderá sentido.

O Advento é o tempo propício para que se inicie a verdadeira transformação, aquela que nos leve ao encontro pessoal com Cristo, aquele que é a origem, a fonte e o sentido da vida. Precisamos convencer-nos de que Ele é o Homem, a que só Ele viveu plenamente o ser pessoa. Para além do mais, Ele é Deus. As duas naturezas, humana e divina, unem-se e existem numa só pessoa. As duas  dimensões, material e espiritual, coexistindo num único ser são a mais perfeita das comunhões. Só Ele, entendemos isso, é caminho, verdade e vida, sendo que só Ele dá sentido e razão de ser ao passado, ao presente e ao futuro.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Porta Que Leva ao Caminho

Temos, hoje em dia, muito facilitadas as formas de encontrar o caminhos para onde quer que nos dirijamos, "basta comprar um GPS" e, mais coisa menos coisa, ele vai levar-nos ao lugar certo. 

Estamos em caminho, não de um lugar mas de um estado, de uma forma de ser, a caminho da eternidade, na glória de Deus. O caminho está aberto e é claro: nascemos de Deus e para Ele somos chamados a caminhar e viver. Caminho há só um: Cristo. Mas é preciso percorrê-lo. Ele deu, antes de nós, os necessários passos a dar. Liberalizou estações de reabastecimento de energias e graça: os sacramentos. Enviou-nos sem pesos e cargas, mandando-nos sacudir até o pó do mal que possa pegar-se ao calçado.

Vai connosco, connosco caminho e para nós se faz caminho, não nos deixando sós, por um pequeno momento que seja. Faz-se sede em nosso interior para que Dele sintamos desejo e vontade, porque só caminha quem a algum lado ou a alguém quer chegar. 

Aqui entra a dificuldade: sabermos se há em nós um real desejo de Deus. Não acontecerá, porventura, que, cheios de nós mesmos e de nossas coisas, não tenhamos espaço para Ele?

Maria, a soberana Senhora, foi aquela que mais profunda e intensamente  desejou, esperou, e orou para que o Senhor Deus enviasse ao mundo o Salvador., tal e tão intenso era o seu desejo de que a humanidade fosse salva. Por sua profunda humildade, não Lhe passava em mente que fosse achada digna de ser a Mãe do Salvador. Não sabia que era Imaculada, simplesmente se entregou a si mesma ao projeto salvador de Deus e, incessantemente, orou para que esse projeto se realizasse quanto antes. 

Sua condição de Imaculada levou-A à total entrega de si mesma, pelo que um "não" à vontade de Deus seria impensável nesta mulher que era toda, e só, de Deus. Ainda assim, Deus não Lhe retirou a liberdade, sabia, no então em quem confiava: um Deus que se confia "todo" no "Sim" e na vida de uma jovem mulher!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Puro Ato de Bondade

Servir e amar. Esse foi o fim para que Deus  criou os Anjos. Seres que são puros espíritos nada mais fazem do que, em perfeita liberdade, estarem dispostos ao Amor para com Deus, em ato de perfeita entrega de si mesmos ao Criador e Senhor de todo o universo.

Deixemos de lado os espíritos que, livremente recusaram amar o Criador e que, por isso, optaram pela perdição, pela plena infidelidade. Também eles foram criados para servir e amar, mas o orgulho levou-os a dizer não. 

Centrando-nos agora no ser humano que somos, sintamos que fomos criados por Deus exatamente para o mesmo: para O servirmos e amarmos. Foi em ato de pura bondade de Deus que fomos pensados e criados, para que participássemos infinita perfeição que Ele é. A opção por Lhe dizermos não, no ato de pecado original, catapultou-nos para a perdição com os espíritos maus. 

Mas Deus, pura bondade, continua a amar-nos e, tendo-nos recuperado para Si, chama-nos a estarmos dispostos para O amarmos e servirmos. Entremos em nós para tomarmos consciência de que, tendo estado irremediavelmente condenados, Deus se fez um de nós, assumindo a nossa natureza e condição, e nos acolheu como filhos, capacitando-nos para o amor.

Era de justiça a nossa condenação, mas é de Misericórdia a nossa recuperação. Na certeza de que ambas estarão presentes no momento final, é em nossa liberdade que percorremos os caminhos do bem ou do mal. 

No fundo, ao mandar-nos que vivamos o mandamento do Amor, que se exprime na confiança, na entrega de nós mesmos à vontade de Deus, ao longo da vida, e na vida, que vivemos, e não depois de morrermos; ao exigir-nos o Amor, ao obrigar-nos a amar, aquilo que Deus faz é, ouso dizê-lo, "obrigar-nos" a sermos felizes, a optar pela felicidade. E nós continuamos a dizer os nossos nãos...

Sim, é na plena liberdade que atuamos. Deus não pode fazer mais por nós que aquilo que fez e faz. Não quer, de forma alguma, perder-nos. Deus nada perde de si pelas nossas recusas em O amarmos, o não querer que nos percamos é puro ato de bondade Dele. Vida ou Morte dependem de nós, nunca de Deus. 

domingo, 26 de agosto de 2018

Caminhos de Vida

Não nos apercebemos da verdadeira realidade da situação em que vivemos. Um pouco te atenção ao que do mundo vamos vendo, e para aqueles que dão uma vista de olhos a algumas das redes sociais de que está coberta a nossa internet, percebemos que nesta sociedade e neste tempo se manifesta uma terrível e impressionante Cristofobia (medo de Cristo).

Mais do que nunca a Igreja está a ser perseguida a ferro e fogo. Mais do que nunca os valores de vida estão a ser arrasados. Não estranhemos que a situação seja esta. Acredito que estamos a caminhar para o auge da perseguição, que vem sendo preparada há bem mais de um século. Infiltrações de mal,  para que a destruição viesse de dentro, aconteceram deliberadamente. Mas a perseguição não é contra a Igreja, essa não faz mossa, é contra Deus. Vai piorar? Vai. Podemos fazer alguma coisa? Sim. Muito? Sim. o Quê? Rezar e viver com coerência nossa relação com Deus. Está tudo perdido? Não, muito longe disso! Está tudo ganho para aqueles que são fiéis e assim se mantiverem ao longo da vida e até ao seu momento final. Estávamos avisados por Jesus de que isto aconteceria.

Estamos habituados a pensar que acontece lá longe, em países muçulmanos ou similares, mas não! Acontece nos países mais tradicionalmente cristãos, acontece neste país que é nosso, e de forma bem aguerrida, mas muito dissimulada. 

A ação é esta, a reação não pode ser nos mesmos moldes. Foi-nos mandado que amemos os nossos inimigos. E o amor passa pela oração de reparação do mal feito a Deus e pela conversão, nunca por palavras, gestos ou atitudes que incitem à violência, porque ela se enraíza dentro de nós e faz-nos semelhantes a eles. Essa é a vontade da criatura que está por trás de tudo isto.
Há muito "trabalho" a fazer no silêncio íntimo dos nossos quartos e no silêncio terno dos nossos sacrários. Se há 100 anos, em Fátima, Deus se manifestava como "horrivelmente ultrajado" e "já muito ofendido", que dirá hoje? E Deus continua a suportar-nos. Reparação e desagravo, conversão e penitência, oração e sacrifício... são caminhos para a salvação, nossa e dos demais. 

"Vigiai e orai, para não caírdes em tentação" (Lc 26,41)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Jesus, uma Autoestrada


Mais que um simples caminho diria que Jesus é uma verdadeira autoestrada por onde circulam nossos corações, como se de automóveis vermelhos se tratasse. 

Estrada   ------------------------

Autoestrada
Separadores centrais e protetores laterais Automóvel
Saídas
Postos de abastecimento
Combustível
Restaurantes
Placas de trânsito

Carro fraco em bom caminho chega longe, mesmo devagar; carro bom em caminho mau pode não chegar a lado nenhum, se o caminho o não permitir. 

“Caminho”, via rápida, única, sem buracos, lombas ou cruzamentos. Controle de velocidade mínima e máxima.

Com separadores centrais e barras laterais, protetores que geram confiança nos que nelas passam e ajudam na condução segura. Seguindo as regras avança com segurança, sem risco de perda ou acidente. 

Os excessos de velocidade, o não cumprimento das regras de trânsito, levam a que separadores e protetores sejam barreiras que provocam acidentes e mortes. 

Caminho com um único sentido, o sentido inverso faz-se por vias opostas. Não se passa “automaticamente” de um para outro. 

É preciso sair e voltar a entrar. Prestar atenção máxima às indicações, para não perder a entrada, o sentido a tomar e a saída desejada no destino. 

A existência de postos de abastecimento a espaços regulares para que os veículos possam ser abastecidos rolar sem percalços e paragens desnecessárias por falha de combustível. Pneus calibrados mantêm adequada aderência à estrada. 

Áreas de descanso permitem relaxamento de músculos, alívio do sono e stress gerado pela velocidades, pelo cuidado a ter na condução, pelo cansaço que gera irritabilidade e torna mais perigosa a condução. 

Porque são longas as distâncias, é preciso que de espaços a espaços haja lugares e momentos para recuperar forças físicas através de uma refeição, momento de os ocupantes do veículo, e da mesma estrada, se olharem olhos nos olhos e partilharem risos, alegrias e dores, encantos e desencantos.

Não deve pôr-se a caminho um automóvel com danos internos de motor, e sem todos os óleos, necessários e líquidos de sistemas de arrefecimento, sem garantias de poder vir a chegar ao fim da viagem. Por mais polida e encerada que esteja a chapa, se o motor não for observado, cuidado, reparado, por um bom mecânico, de um momento para o outro gripa e toda a viagem se perde. Só um automóvel bem cuidado, ainda que riscado e amolgado chegará ao fim da longa viagem. 

Pode conduzir-se na faixa da direita, ainda que seja proibido, mas não fazer-se no meio da autoestrada, os separadores centrais estão lá e não nos deixam fazê-lo. Ou vamos num sentido ou vamos no outro.

É caminho, que não vai a lado nenhum, fica estático, para ser percorrido.

“Eu sou o Caminho”, é a resposta de Jesus à pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho? (Jo 14,5). Em 1Pedro 2,6-8 lemos: “Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». (…) Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». (note-se que é liturgia da Palavra do V Domingo Pascal do Ano A).

E jeito de paráfrase comparativa


Jesus   ---------------------------

Caminho
Pedra de confiança e de tropeço
Coração 
Conversão 
Sacramentos 
Oração 
Eucaristia 
Palavra de Deus 

Questionadas algumas crianças sobre o que é mais importante para chegar longe, se um bom caminho se um bom carro, a resposta foi direta e sem hesitação: o caminho. 

Jesus não se compadece com meias medidas: Quem não O preferir a tudo o mais, não é digno de ser seu discípulo. 

Pedra angular, escolhida, preciosa, única para garantir que se chega a bom porto, sendo que o lugar em vista é a eternidade, no Céu. “Quem nela puser a sua confiança não será confundido”, segue no caminho certo. 

“Pedra de tropeço e pedra de escândalo” para os incrédulos. Porque não acreditaram na sua Palavra. A Palavra ajuda a discernir entre o bem e o mal, a vida e a morte. 

Quem não é por Jesus é contra Ele. “Quem não está comigo está contra mim; e quem não junta comigo, dispersa” (Lc 11,23).

A Conversão, a mudança de sentido dado à vida , acontece na meditação, na descoberta do Pai, no abandona das vias do pecado e no acolhimento da vida da Graça. 

Caminhar em Jesus exige paragens momentos regulares de frequência dos sacramentos para que não esmoreça a fé e não se deixe vencer pelo desânimo. A oração pessoal é elo que mantém a pessoa em comunhão relacional com Deus. 

A meditação, o silêncio, o retirar-se do dos afazeres constantes, do stress e dos barulhos interiores, levam a uma tomada de consciência de que estamos em Deus, fonte segura de tranquilidade e paz. 

A Eucaristia, o entrar no Mistério da paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, vivida na união de toda a comunidade e na comunhão do Corpo e Sangue de Jesus, é fundamento sem a qual não há vida. Quem crê não caminha só, fá-lo em comunhão de vida com os outros que percorrem o mesmo caminho. 

Um coração desesperado, um coração que não esteja envolto e lubrificado com a força do Espírito, com a certeza do Amor de Deus, não consegue caminhar. Se envolvido no egoísmo do pecado, por mais que brilhem os óleos de beleza corporais, por mais que se cuide da imagem exterior, é coração que estoura porque lhe falta a vida. Só a Misericórdia Divina garante que uma vida, mesmo escurecida pelo pecado, levará o Homem à alegria plena no fim ddesta caminhada na terra. 

Pode seguir-se o mal, ainda que não aconselhável, mas não pode andar-se com Jesus e contra Ele. Está lá o “Sim, sim; não não” (Mt 5,37). Por isso é que não há católicos “não praticantes”.

É caminho que caminha com o caminhante e com ele faz caminhada.

16-5-2017