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sábado, 1 de maio de 2021

Dizer MÃE

Não sei se sim se não, mas acredito, não faz mal se estiver enganado, que a realidade expressa pela nossa palavra “Mãe” será a mais pronunciada à face da terra.

Balbucia-se quando ainda não se diz mais nada nem se sabe a lógica do pensar ou sequer o significado do “mamã” que que se solta dos lábios tenros da criança de berço. Os braços da mãe são o berço que se molda para, em simultâneo, aconchegar, aquecer e amar o filho que, em momentos de desconforto corre e se aninha, porque é ninho também, no abraço dos braços da mãe. Ela está lá, primeiro que o pai, no coração e na mente do filho, porque ela gerou e em dores á luz entregou esse ser frágil, pequenino, cujas feridas um beijo de mãe sabe curar, porque o amor também cura. Cura as feridas do medo e da incerteza, faz brilhar a noite da dor no beijo que a mãe dá, por mais nada, só por amor.

Só a mãe tem um corpo todo ouvidos, que ouve o chamar irritado de um filho, como ouve o silêncio de um olhar e a lágrima invisível que corta o coração do filho até atingir e ferir o da mãe, só porque o coração dela nunca se conseguiu desprender, um pedaço sequer, do filho que é dela e que ela deu, oferecendo-o, ao mundo, sem nunca deixar de ser escudo e de as dores e aflições aparar. É forte o pai, e herói, mas… é sensível, compreensiva e dos problemas solução, a mãe.

Não é mãe o monstro que vive tão escondido e embrenhado no corpo da mulher que, por vontade e querer seus, ousa destruir-se quando mata um filho, grande que seja ou embrião que ainda não se veja… Perde, mas não sabe o que perde, toda a vida que se aperta no abraço, mais de amor que de força feito, de um filho que diz “amo-te” e deixa cair uma lágrima quente de emoção só porque um abraço não pode dizer tudo. Não pode saber o que é viver aquela que, por querer, um filho mata e não deixa nascer.

Continua a ter a força e o peso do mundo a palavra “mãe” quando, no silêncio que rodeia uma alma esmagada pela dor ou a saudade, se diz a meia voz e ninguém ouve, ninguém, mais ninguém, senão aquela que é nossa mãe e que Deus já levou para Si.

Gratidão já, na palavra, no gesto, no agir, é o menos que pode fazer um filho por tudo o que de visível e invisível a mãe fez, ou faz, por ele. Vezes sem conta, o ato de gratidão vem mais depois da morte que durante a vida. É tarde, muito tarde, para a mãe e para o filho, porque, se a vida que na mãe se dá cresce na medida da dádiva, a gratidão que o filho dá, preenche a vida de ambos e não morre nunca, por ser princípio de eternidade.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Filha, Esposa e Mãe

Em dia de celebração da Santíssima Trindade (27-05-2018), aproximamo-nos do fim do mês de maio, o mês da Mãe. 

Tão absorvidos que andamos com as coisas, de muita ou de nenhuma impor-tância, não temos tempo, sobretudo não temos disponibilidade interior, para tomarmos a consciência que nos é possível, da realidade que é Deus, e da absoluta necessidade na nossa relação com Ele.

Não podemos alcançar a intensidade  da relação de Nossa Senhora com a Santíssima Trindade. É-nos possível, ao menos, refletir um pouco na questão:

Filha de Deus, porque sendo criatura só pode ter sido criada por Deus. Criada em estado de perfeição, Deus deu-Lhe tudo o que podia dar. Essa é a mais perfeita intimidade;
Esposa de Deus, porque sob a ação do Espírito Nela foi gerado Jesus. Nela se gerou plena vida divina. Essa é a mais perfeita intimidade;

Mãe de Deus, porque a humanização de Deus só era possível com a intervenção de um ser humano. E Deus chamou-A de Mãe, porque o era de facto. Essa é a mais perfeita intimidade.

Ser filha, ser esposa e ser mãe, são os mais profundos elos de relação e de intimidade do ser humano, sendo que cada uma destas dimensões é diferente, percebamos que o acontecerem em ato único e sendo intimidade relacional de Deus com um ser humano vai infinitamente para além da nossa compreensão, mas é Maravilha das Maravilhas.

É desta divina maravilha que recebe-mos a Vida e para a Vida plena somos  chamados e atraídos. Deixemo-nos envolver por Ela.