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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Esvaziar-se


 

Iniciamos o Advento. Vivê-lo é já fazer Natal. Os dois tempos não podem ser separados, porque o Natal acontece realmente, apenas e só, quando o Advento acontece também. O ambiente comercial manifesta isso muito bem. Tudo o que cheire a um pouco de negócio está já embrulhado em luzes e cores natalícias.

Nós, cristãos, olhamos, queira Deus que sim, os tempos do ano com um olhar diferente. O Advento é preparação interior, e pessoal, para o acolhimento do Salvador. Ele quer nascer, permanente, em nossas vidas. Se há dois mil anos assumiu a natureza humana para estar entre nós, hoje, o seu nascimento acontece dentro, na vida, daqueles que se dispõem a acolhê-l'O Aqui é bom pararmos um pouquinho e percebermos que Deus nos é íntimo, faz-se presença em cada um. Isso tem que levar-nos a vê-l'O presente em nós mesmos e nos outros.  Deus ama-se nos irmãos e os irmãos amam-se em Deus. Daí vem a certeza de que quanto mais amamos Deus, mais amaremos os irmãos. Só ama Deus quem O tem em si mesmo.

Sentir o Advento com verdade é tomar consciência da fragilidade da vida  que somos, e que envolvemos na ilusão das grandiosidades da capacidade humana e do poder económico, e, no mesmo olhar, sentir a absoluta grandiosidade de Deus e tomar consciência da plena humildade que manifestou, assumindo a nossa natureza e condição. Deus é o Eterno, nós somos uma passagem. A tentação é assumirmo-nos como deuses abdicando de Deus. Querendo subir, assim, além das nossas capacidades entramos em situação de queda abrupta e mortal.

Em primeiro dia de Advento somos chamados à vigilância, ao necessário prestar de atenção para que a vida e o tempo nos não passem ao lado. Nem a vida nem o tempo voltam ou se repetem, cada momento acontece de forma única. Um momento que não se viveu segundo o plano que Deus traçou para a vida que nos dá é momento perdido.

Viver Advento é entrar dentro de nós mesmos, vasculhar tudo, e deitar no saco da misericórdia divina o que não presta, ocupa lugar e faz pó, para repor Deus em todas as dimensões do ser que somos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Reencontro de vida

Ponho-me a pensar que interesse terá para nós o falar de Missões (estamos e Dia Mundial das Missões), sabendo que, geralmente, atiramos esta realidade para terras distantes, longe de nós. Preocupo-me e falo, porque todos assim somos, com o que acredito, gosto e amo.

Pensando na minha, que cada um olhe a sua, relação com Deus pergunto-me: como me interessarei com gente distante, com sua relação com Deus, que O conheçam ou não, se eu O tenho aqui tão perto, acredito que vive em mim, e pouco faço para o encontro, íntimo e pessoal, com Ele?
Se Deus nos não diz muito a nós cristão, se nós pouco a Ele ligamos, sinal claro de que muito pouco O amamos, que interesse ou paixão pode suscitar em mim que outros O devam e possam conhecer, amar e servir?

É esta uma das questões base para a frieza da nossa vida com Deus, da nossa indiferença para com Ele. Não pensamos no quanto isto se reflete na nossa relação fria e indiferente com os demais, com a própria vida e, sem nos irmos dando conta, vamos morrendo a partir de dentro. Substituímos Deus pelos homens, tornámo-nos meros humanistas, e desiludimo-nos porque isso não nos alcançou felicidade. Substituímos as pessoas pela natureza e pelos animais. Da desgraça anterior passámos a entrar em catástrofe.

Na ausência de Deus como razão da relação entre as pessoas chegámos ao que seria de esperar: não nos limitámos a abalar os fundamentos da humanidade, mas destruímos as duas colunas fundamentais da felicidade humana. Decretámos como lei, dando-lhe cunho de bem moral, o aborto e o casamento homossexual. O sentido da vida e da família, que é seu suporte, foi completamente perdido. Entrámos num tempo e em ato de anti-criação. Esta é a maior e mais desejada das satânicas vitórias e a humanidade embarcou nela. Substituímos a vida pela morte assumindo esta como um bem.

Os tempos serão dolorosos, a batalha entre o Bem e o Mal está a acontecer. Resta-nos permanecer firmes e fiéis ao Senhor. Firmeza e fidelidade que acontecem dentro, no coração e se refletem na vida. Cativaremos os jovens, seremos reais missionários, reencontraremos felicidade quando, pessoalmente, reencontrarmos Deus.

5ª Pedrinha

Das 5 pedrinhas que Maria nos apresenta para a nossa conversão, falta-nos falar um pouco do "confessar-se ao menos uma vez por mês". Não, não nos diz uma vez por ano, mas uma vez por mês. 
Sabemos como é imensamente grande a nossa consciência do "não tenho peca-dos" É bem verdade o rifão "O pior cego é aquele que não quer ver", porque nunca será curado. Orgulhosamente nos arrogamos uma certa igualdade com Deus ao não termos pecados. O primeiro deles, e um dos maiores, porque nos impede de reconhecer os outros, é essa terrível falta de humildade. Recordemos que o primeiro dos pecados capitais (fonte de muitos outros) é a soberba, a primeira e principal característica do diabo, aquela que o levou à revolta com Deus.

Da certeza de não ter pecados se passa, num ápice, à negação da existência do demónio, fazendo-lhe assim a maior das suas vontades: ignorar a sua existência e presença. Daí lhe advém muita da força que tem nos tempos atuais. Mas deixemo-nos dele, que nem sequer é digno que atenção lhe demos. 

São Paulo diz-nos que a esmola, a caridade, a oração cobrem uma multidão de pecados. Verdade que assim é, pois na medida em que o bem se realiza em nós, o mal é abatido e destroçado. Não podemos, no entanto, descurar a verdade de que Jesus deu aos discípulos o poder de perdoar, ou não, os pecados, fazendo depender deles o seu próprio perdão. Escandaliza, certamente, mas não receio dizer que Deus não perdoa os pecados diretamente mas sempre através dos seus ministros. Deixemos a confissão "direta" a Deus, usemos os meios que deixou ao nosso alcance e as graças que pelo sacramento nos dá.

Não fazemos um favor a Deus se nos confessamos, como às vezes parece muitos pensarem. Está em causa a nossa libertação do pecado e das suas diretas consequências. Como ignoramos o poder e a força do pecado em nossas vidas!!!
Confessar é das atividades mais "difíceis" para um sacerdote, por diversas razões. É também aquela que, vivida e executada com humildade e espírito de serviço, mais deve deixar espírito de consolação porque o sacerdote se sente um simples instrumento  de Deus para arrancar almas das mãos do poder das trevas. 
Não temos pecados graves? Ótimo, confessemo-nos para recebermos a graça que Deus concede no sacramento e demos-Lhe glória. O único a perder é o da trevas.  

4ª Pedrinha

O jejum é base na história da Salvação. A bíblias fala de jejuns de 1, 3, 7, 40 dias. Jesus jejuou durante 40 dias antes de dar início à sua pregação.

Falar de jejum numa sociedade demasia-do materialista e Hedonista (o prazer é o maior bem da vida) é ir de encontro a todo o tipo de barreiras. Nem mesmo nós cristãos, na grandíssima maioria, consegue encontrar motivo e motivação espiritual para a prática do jejum. O certo é que ele faz parte da nossa caminhada para Deus. Nossa Senhora, em Medugorje, apresenta-o como pedra base do caminhar para Deus.

"E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócrita ..." (Mt 6,16) é o próprio Jesus que nos fala do Jejum, dando indicações de como vivê-lo. Ele ajuda-nos a aprender a renunciar a alguma coisa. Torna-nos capazes de dizer "não", a nós mesmos. É essencialmente isto a que nos deve levar o nosso pensamento durante o jejum: tomarmos consciência de que somos chamados a renunciar a nós mesmos para nos sentirmos ser de Deus.

Jejuar de quê? Daquilo que mais me faz sentir e lembrar que vivo uma vida que recebo de Deus e que só para Ele deve ser vivida. Renunciar ao café, que se bebe com tanto gosto, durante uns dias, é alguma coisa, renunciar de hoje em diante é muito mais. Renunciar não por renunciar, mas renunciar para que, quando nos vier o desejo de o beber, possamos lembrar-me que vivemos a vida não para sentir nela o prazer pelo prazer, mas que a vivemos para dar glória a Deus. Esse é um belo momento para nos confiarmos nas mãos de Deus.

Mas Nossa Senhora ajudou a resolver a questão sobre o "jejuar de quê"? Pede jejum de tudo, ao pedir jejum a pão e água duas vezes por semana. É muito? Não, parece muito. Assim sendo, porque não fazê-lo uma vez por semana? Claro está que cada um tem que pensar em si e naqueles que o rodeiam, uma vez que cada um é livre de fazer ou não fazer, tendo em conta a sua condição, a sua fé, a sua vontade.

Custa jejuar por razões espirituais e por isso não se faz. Apresentemos nós razões de imagem do corpo ou de saúde corporal e encontraremos motivação para ele. Jejuar por razão espiritual produz efeito benéfico também corporal.

sábado, 6 de abril de 2019

Força de Bem, Força de Mal


 Adensa-se a ação, o círculo vai-se fechando sempre mais e a hora aproxima-se. Escribas, fariseus e seus sequazes intensificam a pressão e a perseguição a Jesus. Ele tem perfeita consciência de que a hora, que  Ele deseja ardentemente, está a chegar. Deseja-a porque ela é hora de redenção, é hora de misericórdia, é hora de ação de Deus, é hora da vitória do bem sobre o mal, é hora de libertação.


Veio para dar a vida, não perdendo-a mas, dando-a e recuperando-a, ganhando para nós a nossa própria vida. Nasceu para morrer fazendo-nos viver, e isso queria-o, desejava-o, com ardor. Diríamos que nasceu para aquele momento, para aquela hora. Tudo se consuma e realiza nela.

Se, antes, havia domínio do pecado sobre a humanidade, porque a recusa de Deus no ato inicial nos tornou escravos do mal, com a aceitação plena de Deus e a recusa do mal por parte de Jesus (e Maria), ao ponto de por Deus, voluntariamente, aceitar morrer, a vida e a morte tornaram-se opção pessoal de cada um. Se, por um lado, vivemos sob a pressão do mal, por outro, vivemos sob a ação da graça de Deus que, atraindo-nos para Si, atua e gera vida divina.

Duas forças que nos tocam, duas opções de vida que nos atraem, dois caminhos  que nos levarão a um único fim na eternidade. Depois do pecado de origem (original) a obra da criação ficou sob o domínio do mal, não se entenda isto como a não existência de bem, acontecendo a expulsão do Paraíso, cuja entrada ficou guardada, no dizer do Livro dos Génesis, por Querubins de espada flamejante na mão. Jesus reabriu as portas e a entrada no Paraíso  depende, agora, da pessoal capacidade de cada um em se abrir à ação de Deus, operante no mundo. A Salvação aconteceu, e continua, em permanência, a acontecer. O seu acolhimento está em nossas mãos, mãos fragilizadas de humanidade pecadora; mãos fortalecidas, e em graça, por misericordiosa gratuitidade divina.

A pressão adensa-se, agora, para mim e para ti. Pressão do mal, que se vê derrotado; pressão, libertadora, do Bem, eterno vencedor que em nós põe a opção de, em liberdade, optar e escolher por que força queremos ser regidos...

quinta-feira, 7 de março de 2019

Nada... Cinza


Olho o tempo, as pessoas e a vida
e cada vez mais, Senhor,
percebo que somos pó frágil.
Seres que de nada vivem seguros,
que de um nada, e por nada, partem
e o tempo chega ao fim.
Sei que não é ilusão o que somos,
mas muitos em ilusão vivemos,
como se o presente fosse tudo
sendo a eternidade nada.
Cinza, chamas-nos a ato humilde,
a sentir e a pensar,
num gesto forte, que somos cinza, pó,
que nada mais seriamos se não fosse
tua graça, em dom derramado,
a fazer-nos viver e a sermos tudo,
um tudo porque deste teu Sangue;
um nada que levou um Deus
a dar tudo, depois de fazer-se "nada".
Desde sempre assim foi,
porque desde que somos gente,
orgulhos, tudo queremos ser,
esquecendo que somos cinza, pó...
Na atitude de inclinar a cabeça
e nela se derramar cinza, pouca,
tão pouca que é quase nada,
faz, Senhor, que nosso olhar
olhe o pó, o nada, que somos
diante de tua Majestade.
E a reflexão no silêncio
nos faça elevar a mente para Ti
e pensar que, por nós, nada somos,
mas que, em Ti,
atingimos a dignidade de ser
filhos de Deus.
Dá-me, Senhor, um humilde coração.
Ámen


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Eu Sou o Mundo

Está aí um novo ano Pastoral. Recomeçam atividades, procuram-se algumas novas. Para muitos dos nossos cristãos começa a catequese, aqueles que vêm pela primeira vez, ou recomeça, para aqueles que já a frequentaram, muitos dos quais aproveitaram para fazer umas mais longas férias Deus. Sim mais longas, porque muitos, uma vez mais, as fazem ao longo de todo o ano, ou da vida, dando de si a Deus não mais que quase nada.

Bem sei que aqueles que este texto leem são, certamente, aqueles que procuram viver um pouco mais esta comunhão com Deus. A questão é que o facto de sermos batizados nos torna cooperante e membros de uma comunidade, pelo que a salvação do outro tem que me "preocupar" a mim também. Entra aqui a comunhão que é preciso viver na oração.

O sermos comunhão faz-nos ser um pouco dos outros e faz que os outros sejam um pouco de nós. Uma pequena flor perfuma uma sala como um bom cristão faz boa uma comunidade. Acontece exatamente o mesmo em sentido contrário: um mau cristão destrói toda a comunidade. Um grupo transforma-nos nele, se nos deixarmos por ele envolver. Um grupo é transformado por nós, não se nos fizermos iguais aos outros, mas na medida em que, sendo diferentes, damos fazemos que o grupo o seja também. Neste sentido, precisamos mais de transformar do que de nos deixarmos ser transformados.

Talvez sintamos que não podemos fazer muito para transformar o ambiente em que vivemos, precisamos, no entanto, de acreditar que com a nossa oração e com nossas ações de vida em comunhão levamos a que Deus transforme o que por nós não conseguimos.
É preciso não vivermos como puros independentes, numa vida alheada de tudo e de todos, sob pena de cairmos num profundo e destruidor egoísmo que vê o mundo e os outros como inimigos ou vírus.

Todos vemos no mundo, nas pessoas e na própria vida, não aquilo que eles são, mas o que nós somos, porque tudo olhamos e vemos com os "nossos olhos". Para nós, tudo se transforma naquilo que nós somos.

terça-feira, 3 de abril de 2018

MORREU PARA VIVERMOS (Páscoa)

Os três últimos dias haviam sido dolorosos, muitos dolorosos, tanto que, humanamente, não é possível perceber o quanto. Mas o importante é que Deus tenha "contabilizado" e sentido o quanto houve de entrega naquela morte, como tinha havido já em vida.

Nada poderia dar razões para uma restea de ânimo. Só a Esperança de Mãe e Filho, conhecedores de Deus e da missão a que eram chamados, puderam manter a esperança da humanidade. Tudo estava, humanamente, perdido. Mas havia Neles, que se tinham entregue plenamente á vontade do Pai, a certeza de que tudo estava, divinamente, ganho.

O jogo continua. O maligno adversário sabe que perderá definitivamente a batalha final, por isso se arrasta num esforço descomunal, por marcar o mais possível. A vitória não será nossa, sim de Deus. Mas o prémio será entregue em nossas mãos porque a derrota foi assumida por Jesus, mas Ele é Deus e Deus não perde nunca porque o Mal não tem poder sobre Ele.

E o prémio já está em nossas mãos, guardado em nossa liberdade. Ele morreu para vivermos nós. A nós é dado escolher entre a Vida e a Morte, sabendo que não cegaremos à Ressurreição se não passarmos pela cruz, não chegaremos à vida se não passarmos pela morte de nós mesmos, entregando a vida, vivendo-a segundo a vontade de Deus.

Cristo ressuscitou. Está ressuscitado e é assim que precisamos vê-lO. É, no entanto, ilusório pensarmos que O descobriremos, de facto, se não nos deixarmos atrair por Ele na cruz. Aí se manifesta e aí, só aí, veremos o seu Amor. Ainda que sem pensar dizemos o que sentimos ao afirmar "O Cristo antigo já passou, o de agora é moderno". Cristo não muda, ainda que queiramos fazê-lO à nossa maneira.

VIVER PARA MORRER (Quaresma)

Os tempos são difíceis, as exigências do mundo mais que muitas. Não temos disponibilidade interior para o sofrimento ou a contrariedade. É por isso, porque não queremos dispor do prazer e gosto pessoal, que aceitamos, e defendemos a morte dos outros, ainda que sejam crianças inocentes.

Não abdicamos do prazer e gosto pessoal que aceitamos e defendemos a eutanásia, para levar á morte os que sofrem, ainda que eles queiram viver.

Não geramos filhos para que não sofram, sobretudo para que nos não façam sofrer, razões também pelas quais queremos acabar com os doentes e idosos. As razões são fáceis de encontrar: não queremos perder um momento de gozo e prazer de nossa própria vida, ainda que não esteja nas nossas mãos e num momento termine.

É Mãe. Teve um, apenas um, Filho. Um e outro tinham plena consciência do sofrimento e dores a que eram chamados. Disseram Sim, abdicando de si mesmos para, até ao limite da vida, se entregarem pelos outros, por todos, pela humanidade.

Foi criada, a Mãe, para gerar o Filho. Foi gerado, sob condição mortal, o Filho para dar a sua vida, morrendo para si mesmo, para que possamos nós viver.

Vivemos, muitos de nós, esta vida, apenas pensando no que dela, momentaneamente, podemos desfrutar porque, dizemos, a morte não é senão o fim. Viveram-na Eles, Maria e Jesus, apenas pensando no que dela podiam dar para que, eternamente, nós possamos desfrutar da glória de Deus porque, sabemos, a morte não é senão passagem para a Vida, vida que não vai mais acabar porque é eterna. Eles viveram para que nós possamos Viver.

Nós vivemos esta vida terrena para dela desfrutar como se fosse um momento, mas para por ela subirmos e caminharmos para Deus, a Vida, a única que tem sentido e sentido dá ao que agora somos chamados a ser e a viver.

O caminho é um, um só, o da cruz. Por ser cruz não é só dor e sofrimento, muito pelo contrário, é o que dá razão de ser à dor e sofrimento que acontecem nesta vida, humana, bela, cheia de alegrias e graças. A cruz é escada e ponte para do nada que somos chegarmos ao tudo que somos chamados a ser. Não passar por ela, recusando-a, é caminho fácil para a Morte a que somos tentados.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Já Não é Segredo

Na descrição da terceira parte do segredo revelado por Nossa Senhora, em julho, a Irmã Lúcia diz: "Depois ... vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa 
Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: Penitência, penitência, penitência." 

Ao pensarmos na Mensagem de Fátima corremos o risco de não ir mais longe que sabermos os nomes dos videntes, a data das aparições e que Nossa Senhora pediu que rezássemos o terço. Talvez nem, ao menos, o terço sejamos capazes de rezar.

Lancemos o olhar sobre o o texto inicial: um Anjo com uma espada de figo na mão a lançar chamas sobre a terra. Temos dúvidas de que é sinal de que Deus fará justiça ao mundo dando-lhe aquilo que merecemos pelo pecado em que o mundo, a humanidade, vive? A chama apagava-se no contacto com o brilho que saia as mãos de Nossa Senhora. Temos dúvidas de que é sinal de que Nossa Senhora nos está a proteger e a "segurar" a mão de Deus, dando-nos mais tempo para a conversão? Temos dúvidas de que Nossa Senhora é Mãe que protejo os filhos dos "castigos" do pai? O Anjo apontava para terra e com voz forte dizia: penitência, penitência, penitência. Temos dúvidas de o tempo que nos está a ser dado exige penitência, conversão, abandono dos caminhos do pecado? Temos dúvidas de que a repetição da palavra é sinal da gravidade da situação? Com voz forte. Temos dúvidas de que o tom de voz aponta severidade e exigência de que assim se faça? Sim Deus é um Deus Misericordioso, mas a misericórdia cumpre-se na Justiça.

Em 100 anos passados que transformação houve nos caminhos que a humanidade tem percorrido? A humanidade está a desintegrar-se cada vez mais e a sua entrega aos poderes do mal é cada vez mais claro e evidente. Deus continua a ser profundamente ultrajado. Estamos à espera de quê para mudarmos de vida e nos voltarmos para Deus, com confiança, acolhendo e aceitado as propostas de caminho que nos faz. Não, não é para termos medo, é para tomarmos consciência  da situação da humanidade e da pessoa que cada um de nós é.

terça-feira, 28 de março de 2017

Próximos do Fim

Os tempos correm. Parece que cada vez mais, no avanço da idade, os anos se tornam mais curtos. São apenas 40 dias. Começou a contagem há pouco tempo e temo-los quase passados.
A Quaresma é tempo que Deus nos dá para abrirmos os olhos e olharmos com olhos de ver o passado que fomos, o presente que