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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Uma Nova Criação

Imagem e semelhança de Deus, assim foi a criação do ser humano. Essa  obra, a mais bela da Criação, caiu por terra quando cedeu à tentação do Maligno. O seu lugar no paraíso foi-lhe retirado, a humanidade passou a ser posse do Mal e a marca, o pecado, ficou para não mais acabar. Todos os humanos nasceram com esse defeito de origem. 

Deus não abandona obra criada, muito menos aquela peça que era imagem e semelhança sua, ainda que com a marca do pecado. É preciso reparar esta brecha que marca cada um de nós. Ao jeito de um pai, um pai de verdade, deus decide "começar de novo", refazendo a obra original, partindo do princípio.

Celebrámos, há dias, a Imaculada Conceição de Maria. Ela é a obra original da nova Criação. É ainda mais excelsa que a primeira, pois não permitir, nunca, que o pecado A atinja. A par com a obra antiga, está a gerar-se uma nova obra. Maria, Verdadeira imagem e semelhança de Deus, tem, por graça divina, uma missão impensável e impossível para a humana natureza: ser Mãe de Deus. Como poderá isso ser possível? Ação misericordiosa de Deus.

É de tal alcance a misericórdia de Deus que não põe de lado a humanidade manchada pelo pecado, mas Ele mesmo vem para, numa mulher (A Mulher) se fazer homem, assumindo a nossa natureza de modo a poder salvar-nos. Não se deitou fora o que não prestava, reparou-se (o próprio Criador o fez) o que estava "irremediavelmente" perdido e deu-se-lhe nova dimensão, que eu digo ser ainda mais excelsa que a primeira. Das criaturas pecadoras, Deus, por dom gratuito, fez filhos seus. De peças com defeito, Deus fez Filhos, únicos, originais. Sem nos retirar a liberdade que leva em si a marca da possibilidade do pecado, este Pai confia em nós sempre e até ao momento último da nossa existência. Não só confia como ainda se dá, no Espírito Santo, para ser guia e força que nos faz permanecer no caminho da Graça.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Por Maria até Deus

 


Agosto é mês dedicado a Maria, na veneração do seu Coração Imaculado, na celebração da Solenidade da Assunção a 15, e na celebração da sua realeza 22. Há em muitos cristãos um sentido temor de que o culto prestado a Maria leve ao esquecimento de Jesus. Pode isso acontecer se o culto de veneração a Maria não for reto e verdadeiro. Nesse caso sim, se se orienta a oração a Maria, por Ela mesma e se a oração se fixa Nela e não conduz a Jesus. Nesse caso tanto vale rezar como não.


No ato salvífico operado por Deus, Ele quis, por vontade e graça sua, incarnar, assumido a nossa natureza, numa união tão íntima, intensa e profunda das duas naturezas, divina e humana, que o Filho se fez homem e o homem se fez Filho. Fomos salvos por Deus, que se fez homem no seio puríssimo de Maria que, assim, se tornou Mãe de Deus.


Nossa Senhora tornou-se, pois, a porta pela qual Deus assumiu a nossa humanidade. Maria só pode ser a porta pela qual a o ser humano entra em comunhão com a divindade. Se Deus quis tê-La como meio para chegar a nós, como não iria querer tê-La como meio para chegar a Ele. Por isso, Jesus nos concedeu a graça de a tornar nossa Mãe. A Palavra de Deus é eficaz. Quando Jesus diz, do alto da cruz, “eis a tua Mãe, Ela tornou-se efetivamente Mãe da humanidade, não apenas um símbolo. Deus quis que desse vida ao seu Filho, como não havia de quer que nos desse vida a nós.


É Ela que nos salva? Não. É Jesus, mas é por Ela que nós chegamos a Jesus, como fiou por Ela que Jesus chegou a nós. Assim, entendamos que Nossa Senhora nunca nos atrai para Si, mas sempre nos aponta o seu Filho. Ora, assim sendo, todo o culto que prestamos a Nossa Senhora conduz-nos sempre, só pode ser assim, a Jesus. Não tenho dúvida de que a minha oração, a minha vida, entregue nas mãos de Jesus por Maria tem, por parte Dele, um acolhimento, uma aceitação, infinitamente maior do que se for entregue diretamente por mim. Eu não sou nada diante de Deus, completamente  indigno e de lábios impuros. Ela é Mãe, pura, santa. Se a minha oração passa por Ela, chega a Jesus, já moldada, transformada, com sentido.

 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Aceitar o Dom que é Dado


Jesus é apresentado no Tempo. Sabemos que era pertença de Deus o primogénito, o primeiro macho nascido, tanto dos humanos como dos animais. A Apresentação não é um mero ato de “mostrar” o menino, no caso dos humanos. É um ato de entrega. Entenda-se: “aqui to entrego, porque Te pertence”. Fazia-se, então, o resgate do menino, que era “trocado” por um novilho ou um casal de aves (para os mais pobres).

Sendo, embora, o próprio Deus, Jesus assume para si o que está prescrito para qualquer ser humano. A oferta de Jesus no Templo é muito mais do que um simples exemplo para nós.  Nesta  atitude, como na de Maria na Purificação, que acontecia no mesmo dia, Jesus não nos dá simplesmente exemplo. Há n’Ele um perfeito ato de entrega de Si mesmo, embora achemos nós que não seria necessário, por ser Ele o próprio Deus.

Este ato de entrega é um assumir e acolher a humana natureza de que estava revestido. É ato de plena humildade porque, sendo Ele todo pertença de Deus e assumindo a plena realização da vontade do Pai, entrega-se em tudo e sempre, fazendo da entrega de Si mesmo a entrega de toda a humanidade. Neste ato, Jesus está a salvar-nos, como acontece, aliás, em todos os seus atos, pensamentos e palavras. Mais do que salvar-nos num ou noutro momento, Ele é a salvação.

Por Jesus toda a humanidade é colocada nas mãos de Deus em ato salvador. Pelo batismo, aqueles que são batizados, assumem para si e acolhem, sempre n’Ele, a salvação que lhes é oferecida. Assumir e acolher a salvação é aceitar a entrega que de nós foi feita por Jesus e vivê-la em permanente ato pessoal de entrega de nós mesmos nas mãos do Pai. O batismo é o momento de acolhimento da vida de Deus e o compromisso a viver n’Ele.

Sendo Deus, humildou-se assumindo a fragilidade da nossa natureza e deu-nos dando-se a Si por nós. Pede-nos isso que é o mínimo que podemos fazer: a oferta de nós mesmos no viver como Ele viveu, para que não deixe de produzir efeito em nós toda a entrega de Si. Tanto e tão intensamente no ama, ao ponto de dar a vida para que n’Ele vivamos eternamente, e nós corremos o risco de, nem ao menos por gratidão, aceitarmos dar-Lhe o nosso querer sermos salvos.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Contemplar o Mistério


Não dá para dizer e, a nós, não dá sequer para contemplar. Já todos Não dá para dizer e, a nós, não dá sequer para contemplar. Já todos nos sentimos fascinados com o terno encanto do sono de um bebé. Talvez tenhamos tido até uma certa inveja da paz que o envolve, precisamente por ser o que buscamos e ele, sem esforço algum tem-na toda.

Podemos deixar o pensamento voar até à gruta de Belém, mais fácil para quem teve a graça de a visitar já, e deixá-lo contemplar o cenário humano-divino: Maria e José sem palavras para dizer. O menino envolto em paninhos ternamente preparados por sua Mãe e deitado na manjedoura. O mistério naquela pequenina gruta, vivido na intimidade de uma família em que o amor é pleno, era tão intenso  que  o  não  poderíamos sentir: o Céu veio à terra e a terra tornou-se Céu.

Aquele Menino  era em tudo perfeito: Deus revestira-se da humana natureza, buscando-a numa perfeita criatura, onde a fealdade do peca não tinha machado nem a alma nem o corpo. Deixemos de lado a cor dos olhos ou a tez da pele para nos fixarmos, como fizeram Maria e José, no Mistério do Homem-Deus. Ficaremos sem palavras, de olhar humedecido e coração tremente, como fica quem se deixa comover pelo próprio Deus. 

Contemplar o Mistério deste Menino é deixar-se envolver pela grandeza do amor terno de Deus e, deixando-se levar por ele, permitir que a sua ação em nós transborde e toque todos aqueles de quem, de algum modo, nos aproximamos. Um coração tocado por Deus não se fecha batendo em solidão, mas explode para bater em uníssono com o daqueles que são de boa vontade e procuram o encontro com Deus.

Fazer Natal é parar em cada dia, fechar os olhos ao mundo, contemplar um pedacinho de Deus, num dos momentos da História do seu amor em nossas vidas,   permitir que Ele entre mais em nosso ser e que nos deixemos envolver plenamente no mistério da história de amor que faz com cada um de nós, pessoalmente



domingo, 15 de dezembro de 2019

Contemplar e Calar

Já em terceiro domingo de Advento impõe-se-me uma reflexão. Ser mãe, quando se é realmente mãe, é  supremo momento de felicidade, tão alto que só quem o vive o pode dizer, se for capaz. A Mãe gera em seu ventre um novo ser, uma vida nova a que que, se realmente é Mãe, se dedicará de corpo e alma. Se assim acontece com qualquer comum mãe, elevemos o nosso pensamento para Maria, a Mãe do próprio Amor, a Mãe perfeita, aquela que ama e se entrega sem limites. Porque Nela não há pecado, tudo faz sem os seus limites.

O filho que traz em seu ventre é Ele mesmo intensa explosão do amor de Deus. Ela é Mãe de Deus. A vida que está em Si, que em Si foi gerada é o próprio Deus. Quem dera que ao menos de olhos fechados a tudo o mais pudéssemos entrar em tal mistério de alegria, mas não... somos limitadíssimos.

Maria estaria no Céu. Ela era o próprio Céu, a Arca da Aliança portadora do Verbo de Deus. Era sem limite a alegria que a inundava. 

Tentemos adentrar-nos mais ainda no mistério da alegria de Maria. Basta, para isso, pensar que a fonte da sua alegria estava mais na realização da promessa de salvação feita por Deus, que no facto de ser escolhida para ser Mãe do Salvador. A sua existência pautava-se por duas linhas: glorificar Deus e "arrancar" Dele a tão esperada salvação da humanidade, que Ela, por ser dfe amor perfeito, tanto amava. 

E a felicidade de Maria acontece de modo extremo para o que de humano se pode dizer. Era tal a intensidade da comunhão que acontecia entre Ela e a Eterna Trindade, que, ouso dizer, a sua felicidade raiaria a do próprio Deus. Ela era a Mãe de Deus, mas, mais que isso, o Salvador havia-se feito homem, a salvação estava a acontecer. Acredito que, se em Deus houvesse momentos e tempo, como havia em Maria e há em qualquer um de nós, a Encarnação, a união hipostática entre a natureza divina e a humana, seria o da mais explosiva felicidade de Deus, tão intenso é o seu Amor com que se dá e nos ama!  

As nossas palavras são menos que pó para falar da grandeza de Maria. Até dói quando A reduzimos a uma comum e simples mulher da Galileia, como se Nela o ser e o agir não fossem perfeitos. Que atitude senão contemplá-lA, amá-lA e... silenciar?!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Mãe Imaculada

Manifesta-se assim a ação de Deus. Sem que nos apercebamos ou demos conta, Deus atua em nós e por meio de nós. Maria foi pensada e criada por Deus para que Dela nascesse o Salvador do Mundo. Sem qualquer mérito da sua parte, porque tudo Lhe foi dado por graça divina, Maria foi "preparada" para a missão com que Deus A agraciara. Em função da ação salvadora de seu Filho, Ela foi salva desde a origem. Foi salva antes e, por isso, não conheceu o pecado.

Assim, cheia da santidade de Deus, Maria, sem disso se aperceber, estava já a ser, desde a sua conceição, medianeira da graça. Era cheia de graça e, por isso mesmo, a graça divina atuava Nela e por Ela. Compre-ende-se assim que sempre tenha havido Nela uma ânsia, como nunca tinha havido nem haverá, por que Deus enviasse o Salvador, por que a salvação da humanidade acontecesse. 

A oração de Maria, além daquela de sua profundíssima entrega pessoal a Deus, estava em função da humanidade. Pela humanidade rezava, para que o Senhor a salvasse. Podemos rezar muito seja pelo que for, particularmente pela conversão dos pecadores e a santificação das almas, mas nunca, nunca faremos mais que uma sombra daquilo que Maria rezava. Dentro Dela havia um gérmen de vida pura, um amor puro para com Deus e para com a humanidade, porque seu amor não estava corrompido pelo pecado. O nosso amor é frágil, facilmente quebrável, porque em nós há pecado.

Diremos, sem qualquer ponta de medo, que toda a existência de Maria, particularmente antes da Anunciação, foi um permanente e puro Advento, a plena ânsia de que Deus concretizasse a salvação da humanidade. Digo que toda a sua existência foi Advento porque, mesmo agora no Céu, Maria quer e deseja que a salvação aconteça, que a vida divina aconteça no ser de cada um de nós. 

Honrar Maria, na sua Imaculada Conceição (o momento em que foi concebida no seio de sua mãe), é meditar nos mistérios que A envolvem e procurar viver em fidelidade ao batismo que recebemos como Ela viveu em fidelidade a Deus. Meditar no seu viver fazendo que Ela seja o modelo para a nossa vida.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Maria: Modelo e Mãe

Imaculada. Cheia de Graça. A mais excelsa de todas as criaturas. Maria, chamemo-La pelo seu nome, um nome belo e cheio de dignidade, um nome a ser pronunciado, lentamente, dentro do coração, saboreando-o no que ele tem de grande e verdadeiro nesta Mulher que É filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e esposa de Deus Espírito Santo. Diz o Dicionário dos nomes próprios: "Maria: significa “senhora soberana”, ou “a pura”. Maria é um nome de origem incerta, provavelmente originou-se a partir do hebraico Myriam, que significa “senhora soberana". Por ser um nome muito difundido, antes mesmo da época de Jesus Cristo, é possível que derive do sânscrito Maryáh. Este quer dizer literalmente “a pureza", "a virtude", "a virgindade”.

Sussurrar o nome de Maria, saboreando-o em todo o seu sentido é oração profunda, porque é honrar a Mãe de Deus, glorificando-O a Ele Nela. Mais que Maria, só mesmo o próprio Deus. 

Depois da sua vida terrena, tendo adormecido em Deus, Maria foi elevada ao céu em corpo e alma, pois, não tendo pecado, nada há Nela que A prenda ao mundo terreno e às suas condicionantes. Quando afirmamos que, para nós, a morte é apenas passagem para a eternidade, não esquecemos que o nosso corpo permanece na terra, que só a alma, separando-se do corpo, entra em eternidade. Acreditando que acontecerá a "ressurreição da carne", como professamos no credo, voltaremos a "reunir-nos", alma e corpo (glorioso) para o juízo final. Maria, porque não teve a mancha do pecado, subiu, imediatamente após a vida terrena à glória do Céu.

A nossa condição não é a mesma de Maria. Assim, o que é que está em nossas mãos fazer, e o que é que aprendemos de Maria, para podermos, na vinda de Jesus, ser acolhidos por Deus na sua Glória? Está em nossas mãos o acolhermos a graça santificante que Deus derrama sobre nós. A nós é impossível salvarmo-nos,  mas a Deus tudo é possível, desde que, neste caso, aceitemos a salvação que nos oferece. Deus não nos salva sem nós querermos. Por outro lado, temos em Maria O modelo de virtude, de vida, de aceitação de Deus, de humildade, de perdão... Está em nossas mãos o tudo fazermos para a Ela nos assemelharmos e contarmos com a sua intercessão para que vivamos no Pai.

Na Assunção, Maria é Modelo da Igreja e de cada um de nós, chamados que somos a uma comunhão perfeita e plena com o Pai em Eternidade. (10-8-19)

terça-feira, 6 de agosto de 2019

1ª Pedrinha

Acontece há já 38 anos que, supostamente, Nossa Senhora vem aparecendo numa povoação da Bósnia-Herzegovina, Medugorje. Os videntes são seis, as aparições são individuais, cada um deles tem missão específica. Todas as mensagens assentam sob "cinco pedrinhas" que são a base da conversão cristã.
As peregrinações a Medugorje estão já autorizadas, as aparições não são ainda reconhecidas pela Igreja, o que acontece por estarem ainda a acontecer.
Estivemos lá e vimos os frutos, muitos e bons frutos. Estou convicto de que Nossa Senhora realmente aparece, ainda que não apareça, pelos frutos espirituais, sociais, humanitários... ali estão presentes, são mais que muitas as razões para se peregrinar a Medugorje.
Como primeira pedrinha surge "a oração com o coração: o rosário". Nossa Senhora insiste, aqui, como em Lourdes e em Fátima, com um veemente apelo a que se reze: "rezai, rezai, rezai". Pede que se prepare a celebração da missa com a oração do terço. Por isso, no santuário, antes da celebração da missa às 19:00, rezam-se dois terços. Rezar com o coração é rezar com interioridade e sentido, disponibilizando a nossa vontade e fazendo oração consciente, não fazer apenas por fazer. Não cabe aqui um "já está". Rezar com o coração pressupõe que não  "faz" oração mas se "vive em" oração. Queiramos ou não, é preciso também dispor de tempo "para" Deus. Parar para entrar em intimidade com Deus é fundamental para o encontro  com Ele. Sim, temos tempo. Temos tempo para tudo, menos para Ele, o que quer dizer que com facilidade pomos tudo acima Dele. Não O sentiremos deveras enquanto não invertermos a situação para O pormos em primeiro lugar a Ele.
Quando rezarmos com o coração, perceberemos que o terço não é oração monótona, muito pelo contrário. Ele é oração de contemplação tanto das orações que fazemos como dos mistérios da salvação que somos convidados a meditar. Claro que será difícil concentrarmo-nos quando o rezamos, ou qualquer outra oração, com o pensamento em sete o oito coisas ao mesmo tempo. 
Rezar com o coração: o rosário.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Mar de Pureza

Sem que entremos em pormenores que, além de secundários, são irrelevantes para o caso, sabemos a realidade de algumas culturas que, nas suas justas razões, tomavam por impura a mulher menstruada ou parturiente: havia derramamento de sangue e esse era motivo que que fosse praticamente votada ao isolamento. Deixemos para lá e centremo-nos numa outra ideia, em que me comprazo pensar e quero partilhar convosco que ledes estas palavras.

Quarenta dias depois do nascimento todo o primogénito de Israel era apresentado no Templo. Nesse ato acontecia também a purificação da mãe da criança apresentada. Maria e José cumpriram o que a Lei prescrevia e tudo fizeram com exterior precisão, sendo que interiormente, de coração, o fizeram com a mais requintada dignidade e intenção. 

Deixando a apresentação de Jesus e centrando-nos na purificação de Nossa Senhora, cabe-nos pensar na impensável e inefável grandeza e também na humildade daquela que, única na história do universo, foi, é, e será pura, e, como tal, isenta de toda e qualquer necessidade de ser purificada. 

Não foi, em momento algum, beliscada a sua graça, perdida a sua pureza. Imaculada foi criada e Imaculada chegou ao fim de seus dias nesta terra, que é de passagem. Mas Ela, porque em perfeição de humildade e em pleno Sim sempre viveu,  tudo aceitou e plenamente cumpriu os preceitos que Deus havia dado ao Povo a que pertencia.

Celebrar, e rezar, a purificação de Maria é, por si, ato e momento de pensar e olhar os pensamentos, atos e palavras, que fazem parte de nós, todos, e  que são impuros, porque imperfeitos. Olharmo-nos no que somos e, olhando para Ela, espelho de Deus, nos vermos refletidos e inundados na luz, na beleza e na graciosidade que Lhe são naturais. 

Bebendo da fonte pura, Aquela que, sendo só pureza, foi purificada, somos purificados e inebriados de Deus

terça-feira, 12 de junho de 2018

Coração de Mãe

O mês de junho é mês dedicado ao Coração de Jesus. Celebrámos na sexta, dia 8, o Sagrado Coração de Jesus, e no dia seguinte, sábado, o Imaculado Coração de Maria. O amor de dois corações que se celebra em união de dias. 

Quando falamos do Coração de Jesus, falamos do pleno sentimento de Misericórdia do nosso Deus, que se dá todo, até ao trespassar do seu coração, por nós. Falar do Coração de Maria é falar desse mesmo sentimento de misericórdia que Deus nos dá através de Maria, no seu coração Imaculado.

Coração Imaculado onde reside e se manifesta a plenitude do amor divino porque, em momento algum aconteceu a sua ausência, por não haver qualquer mancha de pecado. 

O coração de mãe é coração sofredor, não por si mesma mas pelo sofrimento passado, presente e futuro, que advirá como sequência das atitudes e decisões de seus filhos. Maria vive, connosco, intensamente, a nossa vida. O seu coração enche-se de alegria pelas vitórias que acontecem em cada um, sendo que vitórias são sempre as experiências de verdadeira felicidade e vida que se dão em nós. 

O seu coração enche-se de tristeza e mágoa quando, dentro da nossa liberdade, se dão, por opção e vontade pessoal, desvios do caminho e das propostas de felicidade e vida a que Deus nos chama.

Uma espada trespassou o coração de Jesus e uma espada trespassou a alma de Maria. Por alma entendamos a vida. Corações trespassados: o da Mãe e o do Filho. Corações  em intensa e profunda comunhão, sentindo um o que sente o outro, regozijando-se um com o que se regozija o outro, sofrendo um com o que sofre o outro, porque ambos são são corações transbordantes de misericórdia, corações que se desfazem de amor pela humanidade. Corações e vidas trespassados para que nossas vidas e nossos corações tenham espaço e lugar em Deus.

Num silêncio divino e profundo, somos atraídos ao coração da Mãe, que se faz caminho e ponte para o coração de Deus, onde, por fim, acontece Eternidade, onde acontecem a felicidade e o descanso eterno e pleno de Vida. (10-0-18)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Filha, Esposa e Mãe

Em dia de celebração da Santíssima Trindade (27-05-2018), aproximamo-nos do fim do mês de maio, o mês da Mãe. 

Tão absorvidos que andamos com as coisas, de muita ou de nenhuma impor-tância, não temos tempo, sobretudo não temos disponibilidade interior, para tomarmos a consciência que nos é possível, da realidade que é Deus, e da absoluta necessidade na nossa relação com Ele.

Não podemos alcançar a intensidade  da relação de Nossa Senhora com a Santíssima Trindade. É-nos possível, ao menos, refletir um pouco na questão:

Filha de Deus, porque sendo criatura só pode ter sido criada por Deus. Criada em estado de perfeição, Deus deu-Lhe tudo o que podia dar. Essa é a mais perfeita intimidade;
Esposa de Deus, porque sob a ação do Espírito Nela foi gerado Jesus. Nela se gerou plena vida divina. Essa é a mais perfeita intimidade;

Mãe de Deus, porque a humanização de Deus só era possível com a intervenção de um ser humano. E Deus chamou-A de Mãe, porque o era de facto. Essa é a mais perfeita intimidade.

Ser filha, ser esposa e ser mãe, são os mais profundos elos de relação e de intimidade do ser humano, sendo que cada uma destas dimensões é diferente, percebamos que o acontecerem em ato único e sendo intimidade relacional de Deus com um ser humano vai infinitamente para além da nossa compreensão, mas é Maravilha das Maravilhas.

É desta divina maravilha que recebe-mos a Vida e para a Vida plena somos  chamados e atraídos. Deixemo-nos envolver por Ela.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Maria em Espera

O que acreditamos é o que queremos, aquilo por que ansiamos e pelo qual lutamos. Conscientemente ou não, os desejos que temos, o sentido de vida e o caminho que percorremos, vão dar àquilo que é tesouro do coração.

Um egoísta concentra-se em si mesmo. Ainda que o seu olhar passe pelos outros, a profundidade e os fins de suas ações, embora possam parecer altruístas, não se dirigem senão a si mesmas, buscando e sentindo consolo no que faz. Quer consolação pessoal e para tal "serve-se" da ideia de fazer bem aos demais. Verdade que pode ter feito muito bem, mas fê-lo em autorrealização.

Um altruísta, aquele que sai de si para encontrar a felicidade dos outros, não busca realização pessoal, o que faz fá-lo com o sentido dos outros, mais ainda, com o sentido de Deus. Não se buscando a si mesmo, acaba por encontrar uma realização e felicidade interiores muitos maiores que aquelas que alcança atua a pensar em si mesmo. A verdadeira felicidade está, de facto e sem dúvida, no facto que fazermos que os outros sejam felizes.

Claro que é preciso estar-se atento e fazer da entrega de si mesmo um ato contínuo, tanto quanto o permitirem as nossas limitações e amor próprio. Fazer pelo outro é já largo caminho para se alcançar aquela felicidade por que profundamente se anseia. Fazer por Deus é caminho de perfeição, o único que realmente pode conduzir a esse estado de plena harmonia interior. Não, humanamente não se consegue, por isso o Céu começa a acontecer nesta vida, mas so se alcança após a morte.

Depois deste longo preâmbulo, talvez possamos entender um pouquinho mais o amor com que Maria se confiou à vontade de Deus: Ela, mais que ninguém, e isso recebeu-o de seus pais e como graça de Deus, ansiava a libertação, a salvação, da humanidade. tendo sido criada, sem o saber, isenta de qualquer mancha de pecado, vivia, por graça de Deus, em estado de perfeição, sendo a sua vida uma plena oferta de si mesma pela salvação de cada pessoa das garras da morte. Por especial dom de Deus esta salva e, naturalmente, queria (quer) a salvação de todos. Mais que qualquer um de nós, mais que todos nós juntos, esperou, ansiou e, por isso, Nela se realizou e aconteceu a salvação do género humano. (03-12-17)

sábado, 12 de agosto de 2017

Vida de Glória

De forma "ligeira" vamos até ao Livro dos Génesis para percebermos que a morte é consequência do pecado (Cap 2,17). Para aqueles que acreditam em Deus, o Deus verdadeiro, há "três" vidas e uma ou duas mortes. Não, não falo de reencarnação, essa não acontece. Falo 1) de vida humana, que tem um começo e um fim; 2) de vida espiritual, que tem um começo (somos corpo e alma), mas não tem fim; 3) de vida divina, que tem um começo, no Batismo, e pode ter um fim, se acontecer a condenação. Esta, a condenação, é terrível e, ela sim, é a consequência do pecado. Além de terrível é eterna. O Livro do Apocalipse, no capítulo 20, fala de uma primeira e de uma segunda morte, de uma primeira e de uma segunda ressurreição.

Na próxima terça feira, dia 15 (agosto 2015), celebramos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu. Nela não aconteceu o pecado, por isso não aconteceu a morte. O seu corpo, terminado o "tempo físico", foi, glorioso, elevado ao Céu.

Este é o fim a que somos chamados: a vida na Glória, com Deus. O pecado faz parte intrínseca de cada um de nós, nascemos com o pecado, a que chamamos de original. Por ocasião da morte do nosso corpo, seremos julgados e a alma será levada para a Glória, para a Purificação ou para a condenação, consoante o que buscámos ao longo da nossa existência terrena.

Acontece que somos corpo e alma e Jesus salvou tudo em nós, não apenas a alma. No Credo professamos acreditar que Jesus há de voltar para julgar os vivos e os mortos e professamos também acreditar na ressurreição da carne. Quer dizer que haverá um segundo julgamento. A alma unir-se-á ao corpo espiritual e, em julgamento final, será dada à pessoa (corpo e alma) a Vida ou a Morte. Esta será a segunda morte ou a segunda Ressurreição de que fala o Apocalipse.

Maria foi concebida, Imaculada, para dar Deus à humanidade e assim, por seu intermédio, aconteceu a nossa salvação. Agora, do Céu, Ela nos atrai e chama para  dar a Humanidade a Deus. Ela é um "encurtar caminho", porque é Mãe,  para chegar a Jesus e, por Ele, ao Pai.
Percebemos por que a invocamos de Senhora da Boa Morte. Porque nos atrai a uma santa morte, do corpo, em Deus, para que Nele haja Vida de Glória para nós.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Já Não é Segredo

Na descrição da terceira parte do segredo revelado por Nossa Senhora, em julho, a Irmã Lúcia diz: "Depois ... vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa 
Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: Penitência, penitência, penitência." 

Ao pensarmos na Mensagem de Fátima corremos o risco de não ir mais longe que sabermos os nomes dos videntes, a data das aparições e que Nossa Senhora pediu que rezássemos o terço. Talvez nem, ao menos, o terço sejamos capazes de rezar.

Lancemos o olhar sobre o o texto inicial: um Anjo com uma espada de figo na mão a lançar chamas sobre a terra. Temos dúvidas de que é sinal de que Deus fará justiça ao mundo dando-lhe aquilo que merecemos pelo pecado em que o mundo, a humanidade, vive? A chama apagava-se no contacto com o brilho que saia as mãos de Nossa Senhora. Temos dúvidas de que é sinal de que Nossa Senhora nos está a proteger e a "segurar" a mão de Deus, dando-nos mais tempo para a conversão? Temos dúvidas de que Nossa Senhora é Mãe que protejo os filhos dos "castigos" do pai? O Anjo apontava para terra e com voz forte dizia: penitência, penitência, penitência. Temos dúvidas de o tempo que nos está a ser dado exige penitência, conversão, abandono dos caminhos do pecado? Temos dúvidas de que a repetição da palavra é sinal da gravidade da situação? Com voz forte. Temos dúvidas de que o tom de voz aponta severidade e exigência de que assim se faça? Sim Deus é um Deus Misericordioso, mas a misericórdia cumpre-se na Justiça.

Em 100 anos passados que transformação houve nos caminhos que a humanidade tem percorrido? A humanidade está a desintegrar-se cada vez mais e a sua entrega aos poderes do mal é cada vez mais claro e evidente. Deus continua a ser profundamente ultrajado. Estamos à espera de quê para mudarmos de vida e nos voltarmos para Deus, com confiança, acolhendo e aceitado as propostas de caminho que nos faz. Não, não é para termos medo, é para tomarmos consciência  da situação da humanidade e da pessoa que cada um de nós é.

domingo, 14 de maio de 2017

Temos Mãe!

Um "Temos Mãe!" repetido e emocionante do Papa Francisco na homilia deste dia 13 de maio, pode ser a base para o desenvolvimento do temas da Semana da Vida, a decorrer de hoje até ao próximo domingo. O tema é "Com Maria Cuidar da Alegria da Vida". Não há vida sem que haja uma mãe. Vivendo num tempo de profunda cultura de morte, somos desafiados a encontrar em Nossa Senhora os motivos e as razões para sentir alegria por em viver. Nascemos para viver. Se a morte do corpo faz parte da condição humana, a vida em eternidade faz parte da condição divina de que, pelo Batismo, participamos. 
Parece termos medo de viver e por isso, com diabólica ligeireza praticamos a morte, fazendo passar a ideia de que nela há bondade e bem. Tornamos legar a morte, a começar no aborto, julgando poder ilibar esse que é o mais graves dos crimes da culpa que lhe é inerente, sem nos consciencializarmos de que são de morte para nós as consequências da morte que causamos, particularmente aos inocentes.
Em Maria aprendemos a ser filhos, mães e esposas. Porque a vida humana é dom, um dom inviolável, o dom maior e mais belo que qualquer criatura pode ter e por que anseia, dom divino que razão nenhuma pode justificadamente destruir.
"Temos Mãe!". É belo e profundo o sentimento que estas duas palavras, quando entendidas, nos transmitem. "Ainda que uma mãe possa esquecer o filho que amamenta? (...) Ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esqueceria", é Palavra de Deus em Isaías 49,15. Porque se fez Homem, Deus teve uma Mãe. Essa mesma Mãe que, no momento da morte na Cruz, Ele nos deu, elevando-nos à condição de nos tornarmos "filhos da Mãe de Deus". Temos realmente Mãe, Mãe com letra grande, a mais excelsa de todas as criaturas. Se temos uma Mãe que é Mãe de Deus, temos uma Mãe que nos atrai, nos guia, nos aponta o caminho do Pai, de Deus e da sua Glória. Temos Mãe!" ou seja: "Temos Vida". Porquê continuarmos e a desperdiçá-la, a destruí-la, a perdê-la? É tão belo viver! E viver eternamente...

domingo, 23 de abril de 2017

Pastorinhos da Misericórdia

O domingo é, hoje (23-04-2017), de Pascoela. Este, o domingo depois da Páscoa, é Domingo da Misericórdia. Instituído por S. João Paulo II reforça o sentido e a certeza do Amor Misericordioso de Deus pela humanidade a atrai para Ele cada um de nós humanos. A hora da morte de Jesus (as 3 da tarde) é hora da Misericórdia, porque esse é momento de morte para Jesus, momento em que "abdica" de si mesmo e se confia nas mãos do Pai levando ao extremo o seu Amor, para que o seu aniquilamento fosse vida, momento de início de eternidade para nós.

Temos medo, repugna-nos o falar de sofrimento, de entrega de "perder a vida" porque o mundo nos ensina que temos que a ganhar a todo o custo. Somos cristãos e acreditamos que a Vida verda-deira a recebemos como dom e na medida em que confiamos esta, que é terrena, nas mãos de Deus, por seu Filho. Ele morreu por nós e vivendo  Nele a nossa vida torna-se Vida Divina. Só morre quem pelo caminho da morte optar.

Olhando os Pastorinhos de Fátima aprendemos  que, porque deixaram de viver para si mesmos, eles estão no Céu desfrutando da Vida plena, essa que não tem fim, essa que é total e absoluta. Vemos neles o coração misericordioso de Deus. A Jacinta, disposta a viver mais tempo para "sofrer mais pela conversão dos pecadores" acolheu uma vida de sofrimento pondo-o todo nas mãos de Deus, para que a vida que vivia fosse ato de entrega não de si, mas dos que ofendem a Deus. Era tal o seu amor para com os pecadores, e o desejo de que não se condenassem, que a curta vida que viveu neste mundo foi plena e agradável a Deus, não por ser de sofrimento, mas por ser de entrega total. O Francisco o pequeno gigante da contemplação viveu a sua, também  curta, vida terrena num ato total de reparação, de "consolar a Deus Nosso senhor", fazendo tudo, amando tudo, tanto quanto podia, por amor a Deus "que já está muito ofendido". 

Vamos sentir e dizer que a Jacinta ama Deus e os pecadores, querendo que estes não se percam, e o Francisco ama os pecadores e Deus, querendo que Este seja amado e glorificado porque é Deus e porque toda a glória lhe pertence.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Olhares Cruzados

Um menino nasceu. Estranhamente recusado entre os seus familiares, tendo em conta que São José era originário de Belém, foi numa gruta que que viu a luz do mundo, o mundo que era seu. 

Foi o silêncio da gruta, o silêncio do coração de sua mãe, a escuridão da noite e o brilho da alma e do olhar de Nossa Senhora, se aperceberam da Luz do Mundo que nascia. Almas emocionadas a de S. José e de Nossa Senhora vertiam lágrimas de alegria e gratidão pela misericórdia de Deus, que se manifestava. Parecia um sonho. Verdade que era um sonho, uma esperança de séculos de história e de vidas de um Povo.

Um "sonho" que faz acordar para a realidade. O menino chora, tem fome. E o Menino é Deus. De alma cheia de emoção, Maria alimenta com seu leite materno o filho que é seu e que é de Deus, o filho que que é Deus, que nasceu não para ser filho para Maria mas para toda a humanidade. 

Deus Pai pôs nas mãos de Maria a salvação de todos e de cada um de nós. Deus, fazendo-se quase nada, habitou no meio de nós para que possamos nós ser tudo, vivendo Nele. É assim o infinito amor de Deus.

Maria tinha essa certeza, a de que era portadora de Deus na infinitude dos seus dons. Vemo-la cheia de graça, de lágrimas de alegria por ser escolhida por Deus, mas não lhe medimos as dores, as orações ou as lágrimas provocadas por uma espada de dor que lhe trespassou a alma ao longo de toda a vida. Basta pensar na dor de lhe  ser recusada hospedagem, cidade de Belém, a dor de não poder dar um aconchego "digno" ao filho que nascia, que é Deus (mas a gruta de Belém era o mais digno, pois foi esse que Ele escolheu e quis). Espada que deixou de ferir apenas no momento da sua Assunção, e no encontro absoluto e pleno na Santíssima Trindade.

Olhemos Maria, na gruta de Belém, ternamente emudecida ao olhar o Deus alimentar-se do seu peito. Olhemos os olhares do Menino e dEla, cruzados numa total entrega: Ele, Deus, confiando-se totalmente nas mãos dEla, e Ela, Mãe humilde, sentindo que por si só nada pode, confiando-se absolutamente a si mesma nas mãos dEle, porque Ela é Mãe e filha de Deus. E nós estamos nas suas mãos também.
(8 de janeiro 2017 - Epifania)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Perfeita Criatura


Especial? Sem dúvida, muito especial. Com liberdade? Sem dúvida com toda a liberdade dos filhos de Deus. Uma vez que sem o olhar da fé não descortinamos mais que aquilo que veem os nossos olhos, é preciso olhar com o sentido de Deus para entrar um pouquinho no mistério da Conceição Imaculada de Maria.

Tinha que ser, não podia ser de outra forma. Aliás, Deus não pactua