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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Açao de Deus


Somos batizados e queremos o batismo para os nossos. Talvez não percebamos muito bem porquê nem para quê, mas que queremos, queremos. Mais, ainda, queremos que no funeral seja celebrada missa, ainda que ao longo da vida ela tenha sido arredada dos afazeres do defunto.

O Papa Francisco dizia, há dias, que era preciso batizar as crianças para que o Espírito Santo entre em suas vidas e atue nelas. Esta expressão tem bem mais que se lhe diga do que aquilo que no primeiro momento possamos pensar: o Espírito Santo atua independentemente da nossa ação. Quanto aos frutos dessa ação, esses sim, dependem da nossa aceitação e atuação.

A vocação, o chamamento, à vida sacerdotal, e estamos em Semana de Vocações, é um estado, não uma profissão. Como o ser cristão, é uma forma de viver e de ser. Deus quer que a sua ação no mundo e na história aconteça através de pessoas, não de Anjos. Por isso escolheu homens e mulheres por quem atua e realiza a Salvação.

O sacerdócio ministerial é apenas exercido por homens. Esse é o ponto que menos interessa nesta reflexão. Importa pensar que Deus atua através do sacerdote. Queiramos ou não, atua. Seja o sacerdote muito ou pouco pecador (ninguém é pouco), Deus atua por ele. A Graça e os frutos dessa ação de Deus dependem do sacerdote, sem dúvida que sim, mas os seus efeitos dependem essencialmente daqueles sobre, em função de quem, atua.

Entenda-se, assim, que a oração, o ânimo que procura dar-se, pelo sacerdote frutifica nele mas atua, de imediato, sobre quem reza e anima, e sobre a comunidade. O sacerdote não atua em função de si mesmo, é instrumento de Deus para que Ele atue sobre a humanidade e, particularmente, sobre as comunidades que ao sacerdote foram confiadas.

Não se julgue que quando se pede oração pelos sacerdotes é em função dele. Não, é em função da Igreja, para glória de Deus e bem das almas. Assim também, quando, por mal, se diz e faz alguma coisa aos sacerdotes, está a cortar-se a ação de Deus sobre a comunidade que por eles são servidas. Não estou a defender os sacerdotes, estou a tentar fazer perceber o que perdem e ganham as nossas almas.

domingo, 1 de outubro de 2017

Amar Sem Palavras

Richard Back deixou num dos seus livros uma frase que muitas vezes recordo e que muitas vezes me tem dado oportunidade para partilha de reflexão: "Quando uma mulher diz que me ama deixo de acreditar nela".

Trago, hoje, à luz do dia a expressão para a revestir com uma das parábolas  que apontam para a essencial diferença entre a palavra e a ação, o ser e o não ser. Dois filhos e o trabalho na vinha: um diz que vai mas não vai e o outros afirma não ir mas vai. Compreende-se, sem necessidade de grandes ações de raciocínio, que o que diz que não vai, mas que acaba por ir, não é homem de palavra, mas é-o de ação. Já o outro não o é de palavra nem de ação.

Somos uma sociedade de palavras, em que por tudo e por menos que nada, dizemos palavras, fazemos barulhos e temos reações que são facilmente percetiveis com manifestação de se não estar bem. Porque não concordamos, não aceitamos e porque não aceitamos, os outros têm que concordar e aceitar ser como nós somos e queremos que sejam. Daí nascem as críticas negativas, que em tempos idos passávamos de boca em boca e que, agora, colamos em redes chamadas sociais (que são, muitas vezes, anti-sociais) criando chafurda para que venham os outros deixar-nos palavras de concordância que nos farão sentir  quentinhos, aquecidos pelo consolo da opinião dos demais.

Somos mas não fazemos, não praticamos. Mais não é que dizer "vou" mas de facto "não vou". Somos homens e mulheres que dizemos amar mas não o sabemos dizer senão com palavras, deixando que as ações falem, por sim mesmas, e digam o contrário. Pode dizer-se, diz-se, da nossa falta de coerência cristã, mas com a mesma razão se diz do nosso sermos gente que vive em sociedade. 

Uma mulher não tem que dizer que me ama, diria Richard Back, isso pode aparecer como justificativa para a sua falta de amor. Eu preciso simplesmente ver e sentir que suas palavras, ações e reações, me digam no silêncio da sua linguagem que ela quer o melhor para mim e que o que faz tem em vista o meu bem. Então verei que me ama e ela terá tudo de mim.

Pegando no pensamento e elevando-o para além de nós mesmos perceberemos que em Deus assim é também. Tudo tem Dele aquele que O ama e nada Dele pode exigir aquele que O não traz no pensamento, na vida e na vontade. (01-10-17)