sexta-feira, 13 de março de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
Seja Domingo ou não!
Quando em Itália algumas comunidades estão impedidas de celebrar missa, numa consequência direta dos riscos de contágio de coronavírus, sendo que, onde se celebra, se aconselhe a retirada da saudação da paz (que nunca foi obrigatória, e é muito mal entendida), no domingo em que o Evangelho nos apresenta a Transfiguração de Jesus, cumpre-me fazer uma reflexão sobre a riqueza da eucaristia, cujas celebrações abundam nas nossas comunidades, sendo tão pouco aproveitadas e desperdiçando as infinitas graças que o Senhor derrama copiosamente sobre aqueles que participam e, por eles, a toda a família e comunidade de que se faz parte.
Na eucaristia, chamemos-lhe missa, Jesus entrega-se no mesmo e único ato de amor, que é a paixão morte e ressurreição, com que, no Calvário, nos salvou. É exatamente a mesma entrega que acontece na missa. Quem ama Jesus Cristo não precisa de um mandamento que “obrigue” a ir à missa ao domingo. Quem ama Jesus Cristo não presida que seja domingo para ir á missa. Quem ama Jesus Cristo está, sempre que pode, e ainda que com esforço, onde se celebra a missa.
A reação do tipo: nada fazer para participar, ao menos ao domingo, na missa se não se celebra ao pé da porta, manifesta a exterioridade com que se vive a celebração, ainda que pareçam diferentes os sentimentos. É verdade que as distâncias dificultam a participação, sobretudo a pessoas mais idosas, sobretudo quando rodeadas de pessoas a quem a missa nada diz.
Aplicar-se-ia o provérbio “quem não tem pão come broa”, mas não o quero aplicar à realidade da missa porque, de semana ou ao domingo, ela é uma só, embora com algumas diferenças de rito. Tenha-se em conta que a missa de domingo é missa de preceito, a de semana não. Note-se, com todo o sentido também, que não se podendo participar no domingo, a missa nos outros dias da semana também é celebração do mistério Pascal.
Tendo em conta o facto de não se poder celebrar em todos os lados nos dias de domingo, saiba-se que as missas vespertinas são missas de domingo, precisamente porque, liturgicamente, o dia de Domingo se inicias ao entardecer de sábado e termina ao entardecer de domingo. Só as vespertinas são dominicais.
Triste é podermos participar, seja em que dia for, e não o fazermos.
domingo, 1 de março de 2020
O MUNDO, O DEMÓNIO E A CARNE
Estão na memória de muitos de nós os
chamados “inimigos da Alma”, seja dizer-se: os inimigos da Salvação. Mundo,
demónio e carne. Reportando-nos ao que nos diz a Escritura sobre o tempo de
Jesus no deserto, façamos uma breve aproximação entre Jesus e estes inimigos da
alma que, nós tão tranquilamente descuramos.
1. O mundo não é mais que a mundanidade,
o viver distanciados de Deus, pondo no lugar que Lhe compete as realidades
mundanas, coisas e pessoas, a que tanto valor damos. Para Deus adota-se o
mundo. Jesus retira-se do mundo das coisas e das pessoas, para o encontro com
Deus, em retiro, no deserto;
2. Demónio: a força do mal, o príncipe do mundo, como Jesus lhe
chama, que tudo faz e se serve para enganar, seduzir, desviar e afastar de Deus
as pessoas e a obra da Criação divina. Discreta ou descaradamente, nos envolve
e atrai, com ilusões e enganos, fazendo parecer ser bom e meritório o que
realmente é mau, condenável e à condenação conduz. É tão fácil ceder que nem é
preciso dar passos, tranquilamente se desliza para dentro da “cantiga” com que
nos encanta. Jesus afastou-se dele, recusando-o, não cedendo, vencendo-o com a
Palavra de Deus, impondo-se a Si mesmo como Senhor da sua vontade e do seu
querer fazer a vontade do pai e só a Ele adorar;
3. Carne: são os prazer que se buscam pelo prazer. Nosso corpo é
bom, se de equilíbrio e a harmonia se compõe. A sociedade que somos tem como
princípio e pano de fundo do existir o “carpe diem” (vive, goza, a vida).
Talvez mais do que nunca, nos centramos em nós, na prossecução dos nossos
prazeres e tudo orientamos para a realização e o consolo pessoal. O
rumo que se vai percorrendo está a orientar-se no sentido de tudo ser lícito e
bom, desde que concretize os nossos, por vezes loucos, desejos. Não comemos
para viver, mas por enfartar o prazer; não celebramos dentro da alegria, mas
buscamos alegra-nos, no exagero do álcool e das drogas, para pensarmos que
somos felizes. Jesus jejuou, consagrando o esforço do controle cada um de nós é
chamado a ter de si, vivendo como senhores de nós mesmos e não, deixando-nos
ser controlados pelo parecer, pelo ter, pelo poder.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Em Autodestruição

Percebemos como, ao longo da história da humanidade, diversos têm sido as
formas de controlo da humanidade. Passava, nos tempos mais antigos, pela morte
dos meninos, à nascença, ou dos homens, em tempos de guerra, tornando, assim,
mais difícil o crescimento de um povo, naturalmente os inimigos, para que não
se multiplicassem demasiado.
Mais recentemente, temos a triste experiência do nazismo, na
Alemanha e países circundantes. Consciente de que a vida é um dom sagrado,
inviolável em sua natureza, o cristianismo veio dar aos povos uma diferente
visão do ser humano e da vida, levando a uma especial atenção e proteção dos
mais fragilizados, crianças, doentes, idosos.
A crescente materialização das pessoas, particularmente nas
sociedades ocidentais, e a sua consequente descristianização, levou a que nos
tornássemos luxuriosos e egoístas ao ponto de tudo vermos e sentirmos em função
do corpo e do prazer. Seja o que for que a esse egoísmo se oponha torna-se
objeto de ódio e fator a eliminar. Não importa que sejam as pessoas e a sua
vida. Acontece com o aborto, acontece com a eutanásia. Sob uma capa de bem
esconde-se o mal profundo. As consequências serão inevitáveis, mas quando tal
se perceber será tarde, muito tarde. Porque se vai perdendo o sentido da vida,
perde-se também o da morte e o da eternidade. Nada fará sentido. Nós já vamos
sentir isso.
Acolher e aceitar a morto, por aborto, eutanásia, conduz ao
suicídio e será sempre a imposição do mais forte sobre o mais fraco, exatamente
aquilo contra o qual lutamos. Esquecemos que somos fracos, todos somos fracos.
Avancem os anos e seremos ainda mais, ao ponto de chegarmos a não nos
suportarmos a nós próprios. Que, como, fazer? Entrar numa luta interior e
exterior, muito grande, contra o mundo e os seus princípios. Permanecer fiéis
aos princípios da vida é a forma única de vencer a morte que se impões sobre os
povos. Não precisamos de vírus, destruir-nos-emos a nós mesmos.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Aceitar o Dom que é Dado
Jesus é apresentado
no Tempo. Sabemos que era pertença de Deus o primogénito, o primeiro macho
nascido, tanto dos humanos como dos animais. A Apresentação não é um mero ato
de “mostrar” o menino, no caso dos humanos. É um ato de entrega. Entenda-se:
“aqui to entrego, porque Te pertence”. Fazia-se, então, o resgate do menino,
que era “trocado” por um novilho ou um casal de aves (para os mais pobres).
Sendo,
embora, o próprio Deus, Jesus assume para si o que está prescrito para qualquer
ser humano. A oferta de Jesus no Templo é muito mais do que um simples exemplo
para nós. Nesta atitude, como na de Maria na Purificação, que
acontecia no mesmo dia, Jesus não nos dá simplesmente exemplo. Há n’Ele um
perfeito ato de entrega de Si mesmo, embora achemos nós que não seria
necessário, por ser Ele o próprio Deus.
Este ato de entrega
é um assumir e acolher a humana natureza de que estava revestido. É ato de
plena humildade porque, sendo Ele todo pertença de Deus e assumindo a plena
realização da vontade do Pai, entrega-se em tudo e sempre, fazendo da entrega
de Si mesmo a entrega de toda a humanidade. Neste ato, Jesus está a salvar-nos,
como acontece, aliás, em todos os seus atos, pensamentos e palavras. Mais do
que salvar-nos num ou noutro momento, Ele é a salvação.
Por Jesus toda a
humanidade é colocada nas mãos de Deus em ato salvador. Pelo batismo, aqueles
que são batizados, assumem para si e acolhem, sempre n’Ele, a salvação que lhes
é oferecida. Assumir e acolher a salvação é aceitar a entrega que de nós foi feita
por Jesus e vivê-la em permanente ato pessoal de entrega de nós mesmos nas mãos
do Pai. O batismo é o momento de acolhimento da vida de Deus e o compromisso a
viver n’Ele.
Sendo Deus,
humildou-se assumindo a fragilidade da nossa natureza e deu-nos dando-se a Si
por nós. Pede-nos isso que é o mínimo que podemos fazer: a oferta de nós mesmos
no viver como Ele viveu, para que não deixe de produzir efeito em nós toda a
entrega de Si. Tanto e tão intensamente no ama, ao ponto de dar a vida para que
n’Ele vivamos eternamente, e nós corremos o risco de, nem ao menos por
gratidão, aceitarmos dar-Lhe o nosso querer sermos salvos.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
E Porque Não?
Porque somos demasiado faltos de fé sólida, queremos
encontrar uma explicação para tudo o que vai além da normal compreensão. Uns
Magos, vindos do oriente, vieram e adoraram Jesus na gruta de Belém.
Pensando bem há muitas coisas que não nos encaixam
na mente, tanto mais que são reduzidíssimas as informações que o Evangelho nos
dá. Isso é razão para muitos porem em causa o facto. Depois, justifica-se a estrela com a possível passagem, nesse ano,
do cometa Halley, que visita os nossos céus a cada 76 anos (mais ou menos),
como se um cometa a milhões de quilómetros de distância pudesse parar
discretamente e indicar uma gruta na pequenina Belém.
Porque é que não reconhecemos a Deus a capacidade de fazer
brilhar uma luz desconhecida para guiar estes homens, desconhecidos também,
para os conduzir ao Menino? Pergunta-se: como é que vieram de reinos diferentes
e distantes e reconheceram o nascimento do Menino? Pergunto eu: e porque é que
um Anjo veio a Maria, a José, aos pastores… e não podia ter revelado também,
antecipadamente, o nascimento do Salvador aos Magos? E não seria Deus capaz de
os guiar e de tudo orientar para que a adoração acontecesse? E não nos diz
muito Deus ao pô-los a eles, pagãos, estrangeiros, a dizer à cidade de
Jerusalém, a cidade de Deus, e aos seus habitantes, que o Salvador havia
nascido? Não foi um estrangeiro leproso o único grato na cura dos 10 leprosos?
E não foi o sírio Naamã a ser curado da lepra?
Porque não haveria Deus de se servir dos magos do
oriente para nos dizer muito de sua justiça e de nossa verdade de fracos
adoradores que somos?
Somos cristãos, filhos de Deus, não estranhos para Ele nem
Ele para nós. Afirmando reconhecer a presença de Deus na Eucaristia, real como
no Céu, não sabemos ser adoradores, não sabemos acolher as graças da Adoração.









