sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Entre Nós e Deus

Resultado de imagem para caracter de diosMais, muito mais, que uma casa de pedra e cal, o Seminário é a casa, a família, em que Deus acolhe, ajuda ao discernimento, guia, ensina e encaminha aqueles que chama para o serviço do Reino. Esses são os escolhidos para a porção predileta da vinha do Senhor. Porque escolhidos e especialmente amados por Deus, são também os mais tentados a desviarem-se do caminho.

 O Seminário é espaço e tempo de discernimento e formação sacerdotal. A Igreja não pode subsistir sem os sacerdotes porque neles atua O Sacerdote Jesus Cristo. É admirável este mistério a todo o amor que Deus manifesta nele: mesmo no meio dos pecados dos sacerdotes Deus continua a estar presente e a atuar. Não esquecendo, no entanto, que quanto mais graça neles houver mais graça  atuará nas ações que realizam. É, por isso, fundamental a oração, a presença de toda a comunidade.

A Diocese que somos não é grande, mas os trabalhadores são poucos, cada vez menos. São aqueles que a comunidade que somos permite, mas menos que os que ela precisa.

Estamos em "Semana de oração pelos Seminários". Passar ao lado desta realidade é passar à margem das necessidades mais premente que temos, não apenas a Igreja, mas a humanidade. Sabemos como cada vez mais é difícil ter sacerdotes nos momentos em que sentimos precisar deles. Ficar de mãos caídas e não fazer nada, ao menos rezar, é aceitar tranquilamente a situação, embora provoque muito mal-estar a falta deles quando os queremos e os não temos. 

A questão está em que realmente não podemos passar sem os sacerdotes se buscamos a felicidade, aquela que só em Deus se encontra, mas não nos damos conta dessa realidade interior e com toda a facilidade e intenção desprezamos a sua ação, recusando que Deus atue na nossa vida, na nossa sociedade. Por isso, vamos caindo fundo, sempre mais fundo, sem encontrar tábua de salvação pela qual sejamos salvos. Só Ele pode, realmente, salvar-nos.

sábado, 2 de novembro de 2019

Com Tudo e Sem Nada

Não há coração ou cabeça que resistam. Vivemos em ambiente minimamente cristão, celebrando nestes dias “Todos os Santos” e os “Fiéis Defuntos”, festas profundamente cristãs, que nos apontam para a realidade de Deus, do bem, da luz, da vida. A elas antecipou-se uma outra de cariz completamente oposto e antagónico: o “Alloween” que evoca o mal, as trevas, a morte… Aparentemente não se trata de mais que uma festa mas, indo um pouquinho mais além percebe-se que, realmente assim não é.

Deixemos isso para nos centrarmos no que quero partilhar convosco e que, me preocupa, embora não angustie. Digo que não há coração que resista por estarmos a viver num mundo em radical mudança, encontrando-nos no meio de opostos que nos atraem e repelem: o homem e a máquina; o material e o espiritual; o bem e o mal…

Somos famílias pequeníssimas mas vivemos em casas enormes; recebemos informação em cima do acontecimento, mas não nos conhecemos uns aos outros; temos centenas de “amigos” espalhados pelo mundo, que “fizemos” nas redes sociais, mas não saímos de casa para falar ou estar com os vizinhos; queremos dar o melhor às nossas crianças, mas não lhes ensinamos os valores que lhes dariam a felicidade; somos grandes humanistas, mas defendemos mais os animais que as pessoas; gastamos biliões a construir naves espaciais, mas pagamos muito caro os transportes; gastamos tudo na busca de poder viver no espaço, mas não resolvemos os problemas da fome, da vida, na terra; temos tudo, como nunca se teve, mas, no fundo, somos infelizes. A lista continuaria.

Vivemos tão vazios e distantes de nós mesmos porque recusámos o termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Se não nos fixamos na razão por que fomos criados, perdemos o sentido de nós mesmos. Torna-se isso insuportável e torna-nos a nós insuportáveis para os demais porque os olhamos como concorrentes não como irmãos, como coisas ao nosso serviço não como pessoas a nós iguais. E o vazio dentro de nós enche-se sempre mais do nada que lhe damos na de o preencher. Cada vez mais  nos sentimos vazios porque nos buscamos fora de nós mesmos.

Se não sabemos o que realmente somos, não levaremos as crianças a crescer na descoberta do que são. Geramos nelas a confusão. O que julgam ser recebem-no de fora, de ideias de gente que não sabe o que é, e não de dentro de si mesmas, da força interior com que foram criadas. Serão mais infelizes que nós.
Não há coração ou mente que resistam.                                       

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Noite das Bruxas

Com raízes nas tradições celtas, levado para a América, onde se transformou despindo-se, teoricamente, de todas as raízes religiosas e de onde veio para a Europa, a "festa de alloween" (a noite das bruxas) é vivida como se da coisa mais  inocente se tratasse. A verdade é que ela tem base religiosa, mas negativa. Está intimamente ligada ao culto do Mal,

à escuridão, à morte. O mal, que inocentemente se semeia, enraíza-se na vida das pessoas e das comunidades, ganhando definitivamente espaço. 

Sim, tudo parece inocente até porque a máquina comercial fez das crianças o alvo a atingir, quando antes eram os adolescentes e os jovens. Nós caímos no engodo de que é uma festa tão simpática para as crianças, a quem não se nega nada, mas a quem vamos inserindo numa terrível cultura de escuridão, de morte e de mal. 

Reparemos que o tema é único, só se fazem máscaras e se evoca a morte, o feio, banalizando o medo e o mal, como se a morte a fealdade e os espíritos do mal fossem as realidades mais inocentes e encantadoras da vida.

Os relatos das realidades que estão por trás desta noite, desta "festa" arrepiam quem ainda tem um pouco de discernimento do bem e do mal. Ela marca o início no ano satânico: sessões de culto a satanás são realizados por todo o mundo, celebrando-o como o deus e senhor do mundo; por todo mundo, milhares de jovens são enganados e atraídos para festas de ocultismos e ameaçadoramente integrados em comunidades satânicas de onde, se torna quase impossível sair; mulheres engravidaram meses antes para que nesta noite se façam horríveis abortos que são sacrifícios oferecidos a satanás; profanações da Eucaristia e cultos de consagração a satanás. O ato de anti-criação acontece de modo supremo nesta noite.

Vivendo e celebrando, inocentemente, estes acontecimentos vamos dando espaço ao mal que, como pó, vai assentando na vida que somos. Esquecemos Deus e o culto que prestamos a Deus na honra a Todos os Santos e às Almas do Purgatório, para nos dedicarmos "religiosamente" aos espíritos do mal.

Sem doçuras ou travessuras partilhemos o "bolinho em honra de todos os santinhos". Só em Deus, no caminho que nele fazemos e que Ele connosco faz, se encontra o que interior, profunda e intensamente buscamos. Criados por Ele e para Ele, só Nele encontraremos a harmonia que buscamos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Reencontro de vida

Ponho-me a pensar que interesse terá para nós o falar de Missões (estamos e Dia Mundial das Missões), sabendo que, geralmente, atiramos esta realidade para terras distantes, longe de nós. Preocupo-me e falo, porque todos assim somos, com o que acredito, gosto e amo.

Pensando na minha, que cada um olhe a sua, relação com Deus pergunto-me: como me interessarei com gente distante, com sua relação com Deus, que O conheçam ou não, se eu O tenho aqui tão perto, acredito que vive em mim, e pouco faço para o encontro, íntimo e pessoal, com Ele?
Se Deus nos não diz muito a nós cristão, se nós pouco a Ele ligamos, sinal claro de que muito pouco O amamos, que interesse ou paixão pode suscitar em mim que outros O devam e possam conhecer, amar e servir?

É esta uma das questões base para a frieza da nossa vida com Deus, da nossa indiferença para com Ele. Não pensamos no quanto isto se reflete na nossa relação fria e indiferente com os demais, com a própria vida e, sem nos irmos dando conta, vamos morrendo a partir de dentro. Substituímos Deus pelos homens, tornámo-nos meros humanistas, e desiludimo-nos porque isso não nos alcançou felicidade. Substituímos as pessoas pela natureza e pelos animais. Da desgraça anterior passámos a entrar em catástrofe.

Na ausência de Deus como razão da relação entre as pessoas chegámos ao que seria de esperar: não nos limitámos a abalar os fundamentos da humanidade, mas destruímos as duas colunas fundamentais da felicidade humana. Decretámos como lei, dando-lhe cunho de bem moral, o aborto e o casamento homossexual. O sentido da vida e da família, que é seu suporte, foi completamente perdido. Entrámos num tempo e em ato de anti-criação. Esta é a maior e mais desejada das satânicas vitórias e a humanidade embarcou nela. Substituímos a vida pela morte assumindo esta como um bem.

Os tempos serão dolorosos, a batalha entre o Bem e o Mal está a acontecer. Resta-nos permanecer firmes e fiéis ao Senhor. Firmeza e fidelidade que acontecem dentro, no coração e se refletem na vida. Cativaremos os jovens, seremos reais missionários, reencontraremos felicidade quando, pessoalmente, reencontrarmos Deus.

5ª Pedrinha

Das 5 pedrinhas que Maria nos apresenta para a nossa conversão, falta-nos falar um pouco do "confessar-se ao menos uma vez por mês". Não, não nos diz uma vez por ano, mas uma vez por mês. 
Sabemos como é imensamente grande a nossa consciência do "não tenho peca-dos" É bem verdade o rifão "O pior cego é aquele que não quer ver", porque nunca será curado. Orgulhosamente nos arrogamos uma certa igualdade com Deus ao não termos pecados. O primeiro deles, e um dos maiores, porque nos impede de reconhecer os outros, é essa terrível falta de humildade. Recordemos que o primeiro dos pecados capitais (fonte de muitos outros) é a soberba, a primeira e principal característica do diabo, aquela que o levou à revolta com Deus.

Da certeza de não ter pecados se passa, num ápice, à negação da existência do demónio, fazendo-lhe assim a maior das suas vontades: ignorar a sua existência e presença. Daí lhe advém muita da força que tem nos tempos atuais. Mas deixemo-nos dele, que nem sequer é digno que atenção lhe demos. 

São Paulo diz-nos que a esmola, a caridade, a oração cobrem uma multidão de pecados. Verdade que assim é, pois na medida em que o bem se realiza em nós, o mal é abatido e destroçado. Não podemos, no entanto, descurar a verdade de que Jesus deu aos discípulos o poder de perdoar, ou não, os pecados, fazendo depender deles o seu próprio perdão. Escandaliza, certamente, mas não receio dizer que Deus não perdoa os pecados diretamente mas sempre através dos seus ministros. Deixemos a confissão "direta" a Deus, usemos os meios que deixou ao nosso alcance e as graças que pelo sacramento nos dá.

Não fazemos um favor a Deus se nos confessamos, como às vezes parece muitos pensarem. Está em causa a nossa libertação do pecado e das suas diretas consequências. Como ignoramos o poder e a força do pecado em nossas vidas!!!
Confessar é das atividades mais "difíceis" para um sacerdote, por diversas razões. É também aquela que, vivida e executada com humildade e espírito de serviço, mais deve deixar espírito de consolação porque o sacerdote se sente um simples instrumento  de Deus para arrancar almas das mãos do poder das trevas. 
Não temos pecados graves? Ótimo, confessemo-nos para recebermos a graça que Deus concede no sacramento e demos-Lhe glória. O único a perder é o da trevas.  

4ª Pedrinha

O jejum é base na história da Salvação. A bíblias fala de jejuns de 1, 3, 7, 40 dias. Jesus jejuou durante 40 dias antes de dar início à sua pregação.

Falar de jejum numa sociedade demasia-do materialista e Hedonista (o prazer é o maior bem da vida) é ir de encontro a todo o tipo de barreiras. Nem mesmo nós cristãos, na grandíssima maioria, consegue encontrar motivo e motivação espiritual para a prática do jejum. O certo é que ele faz parte da nossa caminhada para Deus. Nossa Senhora, em Medugorje, apresenta-o como pedra base do caminhar para Deus.

"E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócrita ..." (Mt 6,16) é o próprio Jesus que nos fala do Jejum, dando indicações de como vivê-lo. Ele ajuda-nos a aprender a renunciar a alguma coisa. Torna-nos capazes de dizer "não", a nós mesmos. É essencialmente isto a que nos deve levar o nosso pensamento durante o jejum: tomarmos consciência de que somos chamados a renunciar a nós mesmos para nos sentirmos ser de Deus.

Jejuar de quê? Daquilo que mais me faz sentir e lembrar que vivo uma vida que recebo de Deus e que só para Ele deve ser vivida. Renunciar ao café, que se bebe com tanto gosto, durante uns dias, é alguma coisa, renunciar de hoje em diante é muito mais. Renunciar não por renunciar, mas renunciar para que, quando nos vier o desejo de o beber, possamos lembrar-me que vivemos a vida não para sentir nela o prazer pelo prazer, mas que a vivemos para dar glória a Deus. Esse é um belo momento para nos confiarmos nas mãos de Deus.

Mas Nossa Senhora ajudou a resolver a questão sobre o "jejuar de quê"? Pede jejum de tudo, ao pedir jejum a pão e água duas vezes por semana. É muito? Não, parece muito. Assim sendo, porque não fazê-lo uma vez por semana? Claro está que cada um tem que pensar em si e naqueles que o rodeiam, uma vez que cada um é livre de fazer ou não fazer, tendo em conta a sua condição, a sua fé, a sua vontade.

Custa jejuar por razões espirituais e por isso não se faz. Apresentemos nós razões de imagem do corpo ou de saúde corporal e encontraremos motivação para ele. Jejuar por razão espiritual produz efeito benéfico também corporal.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

3ª Pedrinha

Um outro ponto sobre o qual assenta que convite à conversão e à comunhão com Deus, ponto bem presente na mensagem de Nª Senhora em Medugorje é: "Ler e meditar pequenos trechos da Bíblia Sagrada para pôr em prática no dia a dia. (Todas as quintas-feiras ler e meditar Mt 6, 24-34)"

Toda a relação de amizade assenta no conhecimento mútuo entre as pessoas. Quanto mais conhecemos e nos nos damos a conhecer, mais proximidade (ou afastamento), intimidade, amizade haverá. A relação que acontece entre nós e Deus é tanto maior e mais intensa quanto há conhecimento e partilha mútua de vida. Tendo em conta que Deus nos conhece, só depende de nós a intensidade dessa relação pois Deus dá-se tanto quanto tivermos capacidade de O acolher. Acolhemo-lO tanto mais quanto mais O conhecermos. Como conhecê-lo? Pela escuta da sua Palavra e pelo diálogo de nós para Ele, apresentando-lhE tudo aquilo que somos. Embora nos conheça mais profundamente que nós mesmos, quer que sejamos nós a tomarmos consciência do que somos e a confiarmo-lo a Ele.

Não conhece Deus quem O não o escuta, não O escuta quem não reza, não O ama quem não O conhece e quem não reza.

Não nos damos conta da força da Palavra de Deus em Nossas vidas. É essencial lê-la para que nos apercebamos daquilo que Ele nos diz. A Palavra de Deus é viva e eficaz, não é uma palavra escrita simplesmente para narrar acontecimentos passados, é Palavra que Deus me dirige a mim, a ti, hoje, em cada momento.

A Bíblia lê-se em pequenos trechos que nos levem a meditar e a concretizar em cada dia, em cada situação. Não são precisas longas leituras, não são precisos longos tempos, é preciso que o coração esteja lá, buscando Deus e vivendo-O em cada situação.

Ao "olharmos" nossos dias passados, contabilizemos brevemente o tempo que ao olongo do ano, do mês, da semana, do dia damos à escuta da Palavra de Deus. Deus pede que O deixemos ocupar o primeiro lugar em nossa vida, em nosso coração. Só Ele deve ser o nosso tudo. Quanto perdemos ao estarmos longe de Deus!!!  

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Príncipes Divinos

Maria, a Cheia de Graça, foi elevada ao Céu em todo o seu ser, corpo e alma. Excelsa como era, como é, não "cabe" neste mundo, Ela pertence ao Céu, esse Céu para onde nos atrai e chama, do qual Ela é a porta.
Os Anjos são seres espirituais, Maria é humana. Por-que criada Cheia de Graça Divina, com a dignidade de ser Mãe do próprio Deus, Ela é superior aos Anjos. Ela é, por todas as razões, do Céu. É exatamente como Maria que Deus nos quer junto de Si. Com a Ascensão de Jesus, a nossa natureza alcançou um lugar no Céu. Maria tornou-se a primeira de todas as criaturas a gozar plenamente da vida em Deus.

Acontecerá a vitória final e, por graça divina, os que a Ele são fiéis, assim estarão também em eternidade, depois da ressurreição da carne, que, no Credo, proclamamos acreditar.

A mais excelsa de todas as criaturas foi, no Céu, colocada acima de todas elas, de todo o cosmos, como sua Rainha e Senhora. Servem-nA os Anjos, sempre prontos e "desejosos" de serem dignos de A servir. Maria é Nossa Senhora. Assim a identificamos, mas tantas vezes (sempre?) sem nos darmos conta da grandeza e honra que isso é para nós. Sermos servos, fiéis servos, a Mãe de Deus, da Rainha do Universo é o supremo grau de honra a que poderemos aspirar.

Submetemo-nos às pessoas: as jovens aos namorados (ou vice-versa). Quem mais ama mais se submete, mais serve e mais aumenta o seu amor. Submetemo-nos a nossos superiores, muitas vezes bom bajulação, simplesmente para deles alcançarmos benefícios, reconhecimento, dinheiro... ao ponto de nos tornarmos escravos. Escravos do mundo, das pessoas e até das coisas...

Temos por Rainha a mais bela, a mais excelsa, a mais santa, a que mais ama, de todas as criaturas e somos de tão dura cerviz para servi-lA, quando ser servo seu é a mais alta das dignidades. Insensatos: temos tudo de mão beijada e recusamos ser servos e filhos de Maria para sermos escravos das coisas. 
Ela é Nossa Senhora (Rainha), mas é também Mãe. Quem de nós se sente Príncipe, Princesa, porque filhos de Deus e de Maria? Se ser servo é altíssima excelência, pensemos no que é ser filho.  Os Anjos são servos somente!!!