terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Mãe Imaculada

Manifesta-se assim a ação de Deus. Sem que nos apercebamos ou demos conta, Deus atua em nós e por meio de nós. Maria foi pensada e criada por Deus para que Dela nascesse o Salvador do Mundo. Sem qualquer mérito da sua parte, porque tudo Lhe foi dado por graça divina, Maria foi "preparada" para a missão com que Deus A agraciara. Em função da ação salvadora de seu Filho, Ela foi salva desde a origem. Foi salva antes e, por isso, não conheceu o pecado.

Assim, cheia da santidade de Deus, Maria, sem disso se aperceber, estava já a ser, desde a sua conceição, medianeira da graça. Era cheia de graça e, por isso mesmo, a graça divina atuava Nela e por Ela. Compre-ende-se assim que sempre tenha havido Nela uma ânsia, como nunca tinha havido nem haverá, por que Deus enviasse o Salvador, por que a salvação da humanidade acontecesse. 

A oração de Maria, além daquela de sua profundíssima entrega pessoal a Deus, estava em função da humanidade. Pela humanidade rezava, para que o Senhor a salvasse. Podemos rezar muito seja pelo que for, particularmente pela conversão dos pecadores e a santificação das almas, mas nunca, nunca faremos mais que uma sombra daquilo que Maria rezava. Dentro Dela havia um gérmen de vida pura, um amor puro para com Deus e para com a humanidade, porque seu amor não estava corrompido pelo pecado. O nosso amor é frágil, facilmente quebrável, porque em nós há pecado.

Diremos, sem qualquer ponta de medo, que toda a existência de Maria, particularmente antes da Anunciação, foi um permanente e puro Advento, a plena ânsia de que Deus concretizasse a salvação da humanidade. Digo que toda a sua existência foi Advento porque, mesmo agora no Céu, Maria quer e deseja que a salvação aconteça, que a vida divina aconteça no ser de cada um de nós. 

Honrar Maria, na sua Imaculada Conceição (o momento em que foi concebida no seio de sua mãe), é meditar nos mistérios que A envolvem e procurar viver em fidelidade ao batismo que recebemos como Ela viveu em fidelidade a Deus. Meditar no seu viver fazendo que Ela seja o modelo para a nossa vida.

sábado, 23 de novembro de 2019

O Senhor é Rei

Coroado de ignomínia pelos corações e pela coroa de espinhos que lhe cravaram na cabeça, Jesus é ultrajado da forma mais vil que poderia pensar-se. 

A grandeza e a sublimidade da sua realeza manifestaram-se ainda mais aí que em qualquer  um  dos outros momentos de sua vida. Sendo Criador, Rei  e Senhor, de todo o Universo, assumiu o mais vil dos ultrajes não em forma de fraqueza mas de infinita dignidade e misericórdia. Em nada, em nada mesmo, foi a sua realeza ferida. Foi ferido o Coração de onde jorram infinitas graças e infinito amor. Ferido por nós, ferido por causa de nós, porque não nos abrirmos a Ele, acolhendo os dons que nos conduzi-riam à vida na Glória, essa vida que a que nos chama e que nos oferece. O sofrimento de Deus não O fecha em Si mesmo, por não ser egoísta, mas precisamente por ser plenamente altruísta, sofre por nós, por nos ver sofrer nesta vida, e por nos ver a percorrer caminhos que conduzirão a um sofrimento eterno e sem um único momento de alívio, como nos diz o Livro do Apocalipse.

O sofrimento de Deus está no nosso sofrimento, sofrimento que advém do nosso não vivermos como nos manda, de O recusarmos no nosso pecado. Sofre por nos ver perdidos sem nos poder retirar do caminho de perdição quando, por opção pessoal e livre, por ele optamos.

Pecadores somos, sem que alguém com verdade o possa negar. Perdidos não estamos, a não ser que voluntariamente queiramos afastar-nos de Deus e da misericórdia que em permanência derrama sobre nós. Deixou-nos os remédios de cura e fortalecimento: os sacramentos. Não os viver, desde o batismo à unção dos doentes, é não querer recorrer aos meios de que dispomos para a caminhada. É desperdiçar graças que por eles nos são conferidas com a infinita gratuitidade de Deus. Querer chegar à meta de Deus, aceitar e viver segundo as regras que Ele mesmo nos apresenta, é estar a caminho da casa do Pai.

Celebramos hoje Jesus Cristo Rei do Universo. Celebramo-lO no último domingo do ano litúrgico dizendo claramente que além se der princípio Ele é o fim de todas coisas, O Senhor virá para reinar com justiça, acolhendo no seu Reino todos os que, vivendo comunhão com Ele neste mundo de tribulação, Lhe são fiéis, O aceitam e querem em suas vidas. Nada nem ninguém pode evitar o seu Poder.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Verdade Nua e Crua

“Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade: - Bom dia, dona Verdade.
E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, os  pássaros cantavam... Vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira: - Bom dia, dona mentira.
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para um banho no rio. Despiu-se das suas vestes, saltou para a água e disse: - Venha dona Verdade, a água está uma delícia.
E, assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou as suas roupas e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.
A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua, por onde continua a andar.
E aos olhos de muitas pessoas é mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua."

É parábola, uma história, que nos entra dentro e toca em todos os sentidos. Dizemos, todos, palavras doces de ouvir mas muito amargas, mais que fel; temos gestos de acolher que despidos de sua hipocrisia poderiam chegar a matar. Não é diferente na história de nossas relações com Deus: quantos atos de amor que nada mais fazem que sofrer!? Quantas promessas de conversão que não vão nunca além de palavras, embora nos deixem a ilusão de um grande amor?

A verdade dói. Não nó nesse sentido com que o leitor entendeu. Dói mesmo e chega a matar. Das mentiras vestidas de verdade que saem de nossa boca e dos gestos mortais que se vestem de abraço e sorriso permanece a verdade. Mata, não aquele a quem se dirigem as palavras e os gestos, mas aqueles que as dizem e fazem. 

A verdade, nua e crua, anda mas não se cansa e corrói-nos o coração e a vida quando de nós sai mentira que pula e salta na alegria por ter as roupas da verdade.

Assim é ´de uns com os outros, assim é de nós para com Deus. Portadores de verdade profunda deixamos abafar-nos nas "verdades" da mentira e morremos devagarinho, agonizantes e, muitas vezes, sem pegar a mão salvadora de Deus.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Entre Nós e Deus

Resultado de imagem para caracter de diosMais, muito mais, que uma casa de pedra e cal, o Seminário é a casa, a família, em que Deus acolhe, ajuda ao discernimento, guia, ensina e encaminha aqueles que chama para o serviço do Reino. Esses são os escolhidos para a porção predileta da vinha do Senhor. Porque escolhidos e especialmente amados por Deus, são também os mais tentados a desviarem-se do caminho.

 O Seminário é espaço e tempo de discernimento e formação sacerdotal. A Igreja não pode subsistir sem os sacerdotes porque neles atua O Sacerdote Jesus Cristo. É admirável este mistério a todo o amor que Deus manifesta nele: mesmo no meio dos pecados dos sacerdotes Deus continua a estar presente e a atuar. Não esquecendo, no entanto, que quanto mais graça neles houver mais graça  atuará nas ações que realizam. É, por isso, fundamental a oração, a presença de toda a comunidade.

A Diocese que somos não é grande, mas os trabalhadores são poucos, cada vez menos. São aqueles que a comunidade que somos permite, mas menos que os que ela precisa.

Estamos em "Semana de oração pelos Seminários". Passar ao lado desta realidade é passar à margem das necessidades mais premente que temos, não apenas a Igreja, mas a humanidade. Sabemos como cada vez mais é difícil ter sacerdotes nos momentos em que sentimos precisar deles. Ficar de mãos caídas e não fazer nada, ao menos rezar, é aceitar tranquilamente a situação, embora provoque muito mal-estar a falta deles quando os queremos e os não temos. 

A questão está em que realmente não podemos passar sem os sacerdotes se buscamos a felicidade, aquela que só em Deus se encontra, mas não nos damos conta dessa realidade interior e com toda a facilidade e intenção desprezamos a sua ação, recusando que Deus atue na nossa vida, na nossa sociedade. Por isso, vamos caindo fundo, sempre mais fundo, sem encontrar tábua de salvação pela qual sejamos salvos. Só Ele pode, realmente, salvar-nos.

sábado, 2 de novembro de 2019

Com Tudo e Sem Nada

Não há coração ou cabeça que resistam. Vivemos em ambiente minimamente cristão, celebrando nestes dias “Todos os Santos” e os “Fiéis Defuntos”, festas profundamente cristãs, que nos apontam para a realidade de Deus, do bem, da luz, da vida. A elas antecipou-se uma outra de cariz completamente oposto e antagónico: o “Alloween” que evoca o mal, as trevas, a morte… Aparentemente não se trata de mais que uma festa mas, indo um pouquinho mais além percebe-se que, realmente assim não é.

Deixemos isso para nos centrarmos no que quero partilhar convosco e que, me preocupa, embora não angustie. Digo que não há coração que resista por estarmos a viver num mundo em radical mudança, encontrando-nos no meio de opostos que nos atraem e repelem: o homem e a máquina; o material e o espiritual; o bem e o mal…

Somos famílias pequeníssimas mas vivemos em casas enormes; recebemos informação em cima do acontecimento, mas não nos conhecemos uns aos outros; temos centenas de “amigos” espalhados pelo mundo, que “fizemos” nas redes sociais, mas não saímos de casa para falar ou estar com os vizinhos; queremos dar o melhor às nossas crianças, mas não lhes ensinamos os valores que lhes dariam a felicidade; somos grandes humanistas, mas defendemos mais os animais que as pessoas; gastamos biliões a construir naves espaciais, mas pagamos muito caro os transportes; gastamos tudo na busca de poder viver no espaço, mas não resolvemos os problemas da fome, da vida, na terra; temos tudo, como nunca se teve, mas, no fundo, somos infelizes. A lista continuaria.

Vivemos tão vazios e distantes de nós mesmos porque recusámos o termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Se não nos fixamos na razão por que fomos criados, perdemos o sentido de nós mesmos. Torna-se isso insuportável e torna-nos a nós insuportáveis para os demais porque os olhamos como concorrentes não como irmãos, como coisas ao nosso serviço não como pessoas a nós iguais. E o vazio dentro de nós enche-se sempre mais do nada que lhe damos na de o preencher. Cada vez mais  nos sentimos vazios porque nos buscamos fora de nós mesmos.

Se não sabemos o que realmente somos, não levaremos as crianças a crescer na descoberta do que são. Geramos nelas a confusão. O que julgam ser recebem-no de fora, de ideias de gente que não sabe o que é, e não de dentro de si mesmas, da força interior com que foram criadas. Serão mais infelizes que nós.
Não há coração ou mente que resistam.                                       

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Noite das Bruxas

Com raízes nas tradições celtas, levado para a América, onde se transformou despindo-se, teoricamente, de todas as raízes religiosas e de onde veio para a Europa, a "festa de alloween" (a noite das bruxas) é vivida como se da coisa mais  inocente se tratasse. A verdade é que ela tem base religiosa, mas negativa. Está intimamente ligada ao culto do Mal,

à escuridão, à morte. O mal, que inocentemente se semeia, enraíza-se na vida das pessoas e das comunidades, ganhando definitivamente espaço. 

Sim, tudo parece inocente até porque a máquina comercial fez das crianças o alvo a atingir, quando antes eram os adolescentes e os jovens. Nós caímos no engodo de que é uma festa tão simpática para as crianças, a quem não se nega nada, mas a quem vamos inserindo numa terrível cultura de escuridão, de morte e de mal. 

Reparemos que o tema é único, só se fazem máscaras e se evoca a morte, o feio, banalizando o medo e o mal, como se a morte a fealdade e os espíritos do mal fossem as realidades mais inocentes e encantadoras da vida.

Os relatos das realidades que estão por trás desta noite, desta "festa" arrepiam quem ainda tem um pouco de discernimento do bem e do mal. Ela marca o início no ano satânico: sessões de culto a satanás são realizados por todo o mundo, celebrando-o como o deus e senhor do mundo; por todo mundo, milhares de jovens são enganados e atraídos para festas de ocultismos e ameaçadoramente integrados em comunidades satânicas de onde, se torna quase impossível sair; mulheres engravidaram meses antes para que nesta noite se façam horríveis abortos que são sacrifícios oferecidos a satanás; profanações da Eucaristia e cultos de consagração a satanás. O ato de anti-criação acontece de modo supremo nesta noite.

Vivendo e celebrando, inocentemente, estes acontecimentos vamos dando espaço ao mal que, como pó, vai assentando na vida que somos. Esquecemos Deus e o culto que prestamos a Deus na honra a Todos os Santos e às Almas do Purgatório, para nos dedicarmos "religiosamente" aos espíritos do mal.

Sem doçuras ou travessuras partilhemos o "bolinho em honra de todos os santinhos". Só em Deus, no caminho que nele fazemos e que Ele connosco faz, se encontra o que interior, profunda e intensamente buscamos. Criados por Ele e para Ele, só Nele encontraremos a harmonia que buscamos.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Reencontro de vida

Ponho-me a pensar que interesse terá para nós o falar de Missões (estamos e Dia Mundial das Missões), sabendo que, geralmente, atiramos esta realidade para terras distantes, longe de nós. Preocupo-me e falo, porque todos assim somos, com o que acredito, gosto e amo.

Pensando na minha, que cada um olhe a sua, relação com Deus pergunto-me: como me interessarei com gente distante, com sua relação com Deus, que O conheçam ou não, se eu O tenho aqui tão perto, acredito que vive em mim, e pouco faço para o encontro, íntimo e pessoal, com Ele?
Se Deus nos não diz muito a nós cristão, se nós pouco a Ele ligamos, sinal claro de que muito pouco O amamos, que interesse ou paixão pode suscitar em mim que outros O devam e possam conhecer, amar e servir?

É esta uma das questões base para a frieza da nossa vida com Deus, da nossa indiferença para com Ele. Não pensamos no quanto isto se reflete na nossa relação fria e indiferente com os demais, com a própria vida e, sem nos irmos dando conta, vamos morrendo a partir de dentro. Substituímos Deus pelos homens, tornámo-nos meros humanistas, e desiludimo-nos porque isso não nos alcançou felicidade. Substituímos as pessoas pela natureza e pelos animais. Da desgraça anterior passámos a entrar em catástrofe.

Na ausência de Deus como razão da relação entre as pessoas chegámos ao que seria de esperar: não nos limitámos a abalar os fundamentos da humanidade, mas destruímos as duas colunas fundamentais da felicidade humana. Decretámos como lei, dando-lhe cunho de bem moral, o aborto e o casamento homossexual. O sentido da vida e da família, que é seu suporte, foi completamente perdido. Entrámos num tempo e em ato de anti-criação. Esta é a maior e mais desejada das satânicas vitórias e a humanidade embarcou nela. Substituímos a vida pela morte assumindo esta como um bem.

Os tempos serão dolorosos, a batalha entre o Bem e o Mal está a acontecer. Resta-nos permanecer firmes e fiéis ao Senhor. Firmeza e fidelidade que acontecem dentro, no coração e se refletem na vida. Cativaremos os jovens, seremos reais missionários, reencontraremos felicidade quando, pessoalmente, reencontrarmos Deus.

5ª Pedrinha

Das 5 pedrinhas que Maria nos apresenta para a nossa conversão, falta-nos falar um pouco do "confessar-se ao menos uma vez por mês". Não, não nos diz uma vez por ano, mas uma vez por mês. 
Sabemos como é imensamente grande a nossa consciência do "não tenho peca-dos" É bem verdade o rifão "O pior cego é aquele que não quer ver", porque nunca será curado. Orgulhosamente nos arrogamos uma certa igualdade com Deus ao não termos pecados. O primeiro deles, e um dos maiores, porque nos impede de reconhecer os outros, é essa terrível falta de humildade. Recordemos que o primeiro dos pecados capitais (fonte de muitos outros) é a soberba, a primeira e principal característica do diabo, aquela que o levou à revolta com Deus.

Da certeza de não ter pecados se passa, num ápice, à negação da existência do demónio, fazendo-lhe assim a maior das suas vontades: ignorar a sua existência e presença. Daí lhe advém muita da força que tem nos tempos atuais. Mas deixemo-nos dele, que nem sequer é digno que atenção lhe demos. 

São Paulo diz-nos que a esmola, a caridade, a oração cobrem uma multidão de pecados. Verdade que assim é, pois na medida em que o bem se realiza em nós, o mal é abatido e destroçado. Não podemos, no entanto, descurar a verdade de que Jesus deu aos discípulos o poder de perdoar, ou não, os pecados, fazendo depender deles o seu próprio perdão. Escandaliza, certamente, mas não receio dizer que Deus não perdoa os pecados diretamente mas sempre através dos seus ministros. Deixemos a confissão "direta" a Deus, usemos os meios que deixou ao nosso alcance e as graças que pelo sacramento nos dá.

Não fazemos um favor a Deus se nos confessamos, como às vezes parece muitos pensarem. Está em causa a nossa libertação do pecado e das suas diretas consequências. Como ignoramos o poder e a força do pecado em nossas vidas!!!
Confessar é das atividades mais "difíceis" para um sacerdote, por diversas razões. É também aquela que, vivida e executada com humildade e espírito de serviço, mais deve deixar espírito de consolação porque o sacerdote se sente um simples instrumento  de Deus para arrancar almas das mãos do poder das trevas. 
Não temos pecados graves? Ótimo, confessemo-nos para recebermos a graça que Deus concede no sacramento e demos-Lhe glória. O único a perder é o da trevas.